Rose diz que só não faz campanha para Júlio Delgado à presidência da Câmara porque ele é seu adversário
Nomes alternativos se unem para levar disputa para o segundo turno
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

Os candidatos que correm por fora na disputa para presidência da Câmara dos Deputados estão alinhados no discurso de que é necessário mudar a imagem da Casa. Para eles, a vitória do candidato favorito Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) reforçaria o descrédito da sociedade no parlamento.
A união dos candidatos alternativos é tanta que a vice-presidente da Câmara, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), declarou, nesta quinta-feira (31), que estaria satisfeita mesmo se seu adversário, o quarto secretário da Câmara, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), avançasse para o segundo turno ao invés dela.
Segundo a peemedebista, tanto ela como Delgado representariam uma mudança na Câmara.
— Eu só não peço voto para ele porque é meu adversário.
As declarações foram dadas após o debate com os candidatos à presidência da Câmara, realizado pela Record News. Henrique Alves não compareceu ao programa, alegando que não estaria em Brasília na data da realização do debate. Mas a justificativa não convenceu os adversários.
Rose de Freitas declarou que era importante trocar ideias com o deputado, mas avalia que ele nem deveria ser candidato antes de explicar as acusações de corrupção.
— Eu não quero julgar o Henrique Alves, eu quero que a Justiça o faça. Mas eu diria que ele não deveria ser candidato. Ele deveria, antes, recuperar a legitimidade para presidir um parlamento.
Júlio Delgado também lamentou a ausência do candidato favorito e está confiante de que a disputa vai para o segundo turno. Para o deputado, os parlamentares estão atentos à opinião dos eleitores e sabem que a sociedade não aprovaria a eleição de um candidato suspeito de corrupção.
— É mais importante a gente ter alguém que possa defender a instituição do que alguém que vai estar se defendendo no campo pessoal e no campo ético, em função de denúncias que foram apresentadas.
Candidato do governo
Henrique Alves é líder do PMDB e é deputado há 42 anos. Em seu 11º mandato, ele é alvo de denúncias sobre irregularidades na contratação de veículos em seu gabinete e suposto favorecimento em emendas parlamentares.
De acordo com as denúncias, o deputado alugou carros de uma empresa do Distrito Federal, supostamente registrada em nome de um laranja. A suspeita é que Henrique Alves teria relações com a empresa, associada com um ex-assessor de seu partido.
Além disso, algumas de suas emendas teriam beneficiado seu assessor na Câmara, Aluizio Dutra de Almeida — dono de uma empresa que realizou, pelo menos, três obras financiadas por emendas do deputado que custaram cerca de R$ 1,2 milhão.
O deputado negou todas as acusações.















