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Senado aprova mudança na taxa de juros para empréstimos do BNDES

Senadores ainda rejeitaram dois destaques apresentados pela oposição

Brasil|Do R7, com Estadão Conteúdo

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Plenário aprovou texto-base nesta terça-feira (5)
Plenário aprovou texto-base nesta terça-feira (5)

O plenário do Senado aprovou no início da noite desta terça-feira (5) o texto-base do projeto que muda a taxa de juros para novos empréstimos do BNDES, por 36 votos a 14. O texto cria a TLP (Taxa de Longo Prazo) para substituir a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) a partir de 2018.

Os senadores ainda rejeitaram dois destaques apresentados pela oposição. O projeto segue para sanção do presidente da República Michel Temer e nova taxa entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2018.


Desde a edição da MP, a equipe econômica declarou que a nova taxa é um dos principais projetos do governo dentro do ajuste fiscal, na medida em que reduz os subsídios implícitos custeados pelo Tesouro Nacional nos empréstimos do banco de fomento. Diretores do Banco Central e secretários do Ministério da Fazenda acompanharam a votação no plenário.

Atualmente, o BNDES empresta a uma taxa de juros (TJLP, hoje em 7% ao ano) menor do que o custo de captação do governo federal no mercado por meio da emissão de títulos públicos (Selic, hoje em 9,25% ao ano). No passado, o diferencial de juros foi maior, gerando uma conta bilionária aos cofres públicos. Em 2016, por exemplo, esse custo foi de R$ 29 bilhões, e este ano deve chegar a R$ 15 bilhões.


Com a adoção da TLP, a expectativa é de que a conta seja zerada em até cinco anos, na medida em que a nova taxa - que começará valendo o mesmo que a TJLP - convirja para um valor de mercado baseado na inflação e nos títulos do próprio Tesouro.

A nova taxa será calculada mensalmente pelo Banco Central a partir da variação do IPCA e da taxa de juros prefixada das NTN-Bs de cinco anos, que refletem o custo de captação do Tesouro. Já a TJLP atualmente é definida trimestralmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com base na meta de inflação e no prêmio de risco do País.


O líder do governo no Senado, Romero Jucá, (PMDB/RR), disse que hoje a TJLP é decidida sem parâmetro algum pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "Uma taxa definida assim não tem nenhuma previsibilidade e, portanto, o mercado não consegue fazer hedge com ela. Já a TLP dará essa capacidade ao setor produtivo", afirmou Jucá. "A TLP é um avanço na forma de financiar o setor produtivo nacional", completou.

Apesar da aprovação, a medida enfrentou resistências da oposição e até mesmo de senadores da base do governo, como José Serra (PSDB-SP), que defendeu a manutenção da TJLP pelo menos nos financiamentos concedidos com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

"Se eu aumentar a TJLP eu vou me confrontar com uma demanda menor de investimentos. A TLP ira golpear a taxa de investimentos do Brasil que é nossa maior angústia", atacou Serra.

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