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Senado deve limitar divulgação de pesquisas eleitorais

Pela proposta, divulgação fica proibida a partir do 15°dia anterior até as 18h do dia da votação

Brasil|Do R7

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Senadores da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) devem aprovar, na próxima semana, uma proposta de emenda à Constituição para limitar a divulgação de pesquisas eleitorais a 15 dias do primeiro e do segundo turnos.

Parlamentares da base aliada e da oposição criticaram a veiculação dos levantamentos e defenderam mudanças nas atuais regras, que não contém qualquer tipo de restrição à divulgação de pesquisas feitas com o eleitorado durante o período de campanha.

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A alteração é apoiada pela cúpula do PMDB do Senado. Candidatos do partido criticaram duramente a divulgação de pesquisas de intenção de voto às vésperas das eleições.

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A PEC foi apresentada pelo senador Luiz Henrique (PMDB-SC) em 2012 e ganhou impulso para avançar na Casa após o segundo turno deste ano. De acordo com a proposta, a divulgação de pesquisas fica proibida a partir do décimo quinto dia anterior até as 18 horas do dia da votação. A votação da matéria deve ocorrer na próxima semana, uma vez que foi concedida vista coletiva aos integrantes da comissão.

Designado para relatar a PEC na reunião da CCJ, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) concordou com o parecer já apresentado pelo relator original da proposta, o colega Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), ausente da sessão.

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Em seu parecer, Randolfe havia dito que as pesquisas têm "o condão de induzir ao chamado voto útil, aquele que objetiva vetar a vitória de determinado candidato e não manifestar a preferência por candidato tido como sem possibilidade de êxito pelas pesquisas".

"Trata-se de uma iniciativa importantíssima no contexto do processo eleitoral, para que nossa democracia tenha legitimidade", afirmou Marcelo Crivella. "Não existe democracia na divulgação das pesquisas", completou.

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Embora não tenha citado sua condição pessoal nas últimas eleições, o próprio Crivella aparecia, em pesquisas às vésperas do primeiro turno, numericamente em terceiro lugar em sondagens ao governo do Rio de Janeiro.

Ele estava tecnicamente empatado com o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), mas, concluída a votação, ficou em segundo lugar. Crivella perdeu a disputa para o governador reeleito do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), no segundo turno.

Durante os debates, Luiz Henrique afirmou que a atual forma de divulgação de pesquisas favorece quem tem poder de contratar os institutos, como donos de TV, rádio e jornal, que têm condições de publicar os levantamentos que são favoráveis a seus interesses.

"A aprovação dessa medida é também uma norma de estabelecimento de igualdade de condições entre os candidatos nas eleições", disse.

O autor do projeto lembrou que o assunto assume maior "gravidade" depois que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Dias Toffoli, mostrou em entrevista ter grande preocupação e disse ser necessário fazer uma severa regulamentação do tema.

O peemedebista destacou ainda que o Congresso já havia aprovado uma lei para impedir a divulgação de pesquisas a 15 dias da eleição, mas o STF (Supremo Tribunal Federal), em 2006, julgou a mudança inconstitucional. Segundo ele, se tal mudança for feita via PEC, não haverá problemas legais para ela vigorar.

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) chamou de "escárnio" o atual sistema de divulgação de pesquisas, que, segundo ele, está influenciando o eleitor. O tucano sugeriu uma mudança na PEC, a fim de seguir o modelo norte-americano de veiculação das sondagens.

Segundo ele, os institutos que forem contratados por candidatos, partidos políticos e coligações não podem fazer, ao mesmo tempo, levantamentos para meios de comunicação. A iniciativa tem como objetivo impedir que veículos de comunicação queiram favorecer, com a divulgação das pesquisas, determinados candidatos.

"Ou uma coisa ou outra", disse Cunha Lima. "Isso é um conflito insuperável", destacou o tucano. Luiz Henrique disse que apoiava a mudança proposta "tranquilamente". Se passar na CCJ, ainda terá de tramitar no plenário do Senado e depois ser remetida para apreciação da Câmara dos Deputados.

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