Sessão é retomada após pausa do almoço e votação no Senado pode adentrar a madrugada
Tempo de fala dos senadores pode alongar a votação que está prevista para começar às 22h
Brasil|Mariana Londres, do R7, em Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros, retomou a sessão de votação do impeachment por volta das 14h30 desta quarta-feira (11). Pela manhã, foram quase três horas de discussões, nas quais apenas 5 dos 68 senadores inscritos usaram a tribuna para discursar, todos favoráveis ao impeachment.
Senadores admitem que a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff pode adentrar a madrugada de quinta-feira (12).
O senador Ronaldo Caiado, líder dos Democratas no Senado Federal, afirmou que a sessão será longa, mas que os parlamentares estão dispostos.
— Madrugada será longa, mas temos preparo físico para encerrar esse primeiro capítulo da maior crise da história do Brasil.
Caiado ainda afirmou que foi tentado um acordo para reduzir tempo de fala, mas o PT não teria aceitado.
Há 68 senadores inscritos na lista de interesse para falar durante a sessão.
A sessão decide pela admissibilidade do pedido de afastamento da presidente por crime de responsabilidade, que a oposição acredita ter ocorrido por meio das pedaladas fiscais e da edição de créditos suplementares.
Até o intervalo, 66 senadores registraram presença no plenário. Dos 81 senadores, pelo menos cinco não devem votar. O presidente do Senado, Renan Calheiros, declarou que não irá votar. O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) está de licença médica. O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) estava de licença médica e também não deve vir. A senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) está em tratamento de saúde. O suplente do senador Delcídio do Amaral, cassado ontem, ainda não assumiu o mandato.
Discursos na tribuna
Na parte matutina da sessão, após mais de uma hora de discussões, deu-se início ao discurso dos 68 senadores inscritos.
Discursaram cinco senadores: Ana Amélia (PP-RS), José Medeiros (PSD-MT), Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Marta Suplicy (PMDB-SP) e Ataídes Oliveira (PSDB-TO). Eles reiteraram posição favorável ao impeachment, afirmaram que há provas suficientes para a abertura de processo contra Dilma Rousseff e rejeitaram a tese de “golpe”.
A primeira a falar foi a senadora Ana Amélia. Ela destacou que o Senado está escrevendo uma página na história da política brasileira e que o dia exige paciência, serenidade e responsabilidade.
A gaúcha lembrou que, a partir de agora, o Senado é um tribunal político e que mesmo os senadores favoráveis ao afastamento de Dilma Rousseff não sentem nenhuma alegria ou satisfação em fazer isso, “mesmo sabendo da cobrança da sociedade, que tem pressa”.
O segundo senador a falar, José Medeiros (PSD-MT), afirmou que a presidente Dilma usou um discurso de que "os fins justificam os meios" e que ela fez "reforma ministerial por encomenda".
— Aqui não compete ser só honesto, tem que parecer honesto. O cenário atual não é outro se não uma mescla de crise econômica e política.
Em seguida, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) afirmou que a presidente será afastada hoje e que não retomará ao poder. Segundo ele, o processo passará tanto na votação de hoje quanto na que terá que acontecer em até 180 dias para uma decisão definitiva.
— A presidente perdeu a condição de governar esse país em 2013.
A senadora Marta Suplicy, que já fez parte da base do PT, declarou por sua vez que "há indícios suficientes de crime de responsabilidade" e defendeu um eventual governo Temer e uma agenda pacificadora para a próxima gestão.
— Por São Paulo e pelo Brasil, o meu voto é sim.
Fechando os discursos pela manhã, Ataídes Oliveira (PSDB-TO) fez um discurso agressivo contra Dilma e contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
— Lula, a culpa de todo esse desastre é sua. Você que pôs essa criatura [Dilma] para governar. A Dilma vai ser afastada, cassada e você também vai responder. Você vai responder por tudo o que fez.















