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Suíça vai enviar ao Brasil extratos de campanha de José Serra

MP Federal do país enviará centenas de páginas das movimentações bancárias referentes ao caso envolvendo o ex-governador de São Paulo

Brasil|Do R7

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O senador José Serra é alvo de investigação
O senador José Serra é alvo de investigação

As autoridades suíças dão o sinal verde, de forma definitiva, para a transferência de extratos bancários relativos a movimentações envolvendo a suspeita de financiamento irregular de campanhas do ex-governador paulista e atual senador José Serra (PSDB-SP).

Em decisão de 18 de janeiro tornada pública apenas nesta quinta-feira (7), o Tribunal Federal daquele país rejeitou um recurso apresentado pelos advogados de defesa do tucano.

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Com a decisão, o Ministério Público Federal da Suíça irá enviar as centenas de páginas das movimentações bancárias que podem indicar quem pagou e quem recebeu no caso envolvendo o ex-governador de São Paulo. Pela lei suíça, não existem novos recursos possíveis. O processo durou quase dois anos e, segundo advogados de Serra, não faz sentido, já que, em 2018, o Supremo Tribunal Federal declarou como extinta a punibilidade dos supostos crimes atribuídos ao senador.

Aos suíços, os advogados entregaram um comunicado de imprensa do STF em que constava que "por unanimidade, a Segunda Turma do STF determinou a remessa à Justiça Eleitoral de São Paulo dos autos do inquérito 4428, em que o senador Serra, o ex-deputado federal Ronaldo César Coelho (PSDB-RJ) e o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza são investigados pelo suposto recebimento de recursos para financiamento de campanhas eleitorais com recursos advindos de contratos para a construção do Rodoanel, em São Paulo".

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Por maioria, na mesma ocasião, a Segunda Turma decidiu ainda reconhecer a extinção da punibilidade de Serra e Coelho em relação aos fatos supostamente ocorridos antes de agosto de 2010. Para as autoridades suíças, no entanto, a decisão brasileira não impede que haja uma investigação e a transmissão dos extratos. O argumento da corte é de que, na Suíça, o que está sendo alvo de um confisco são as empresas offshore que foram usadas para fazer o dinheiro transitar. Segundo eles, essas empresas "nem estão domiciliadas no Brasil".

Uma das empresas offshore supostamente usadas no esquema é a Circle Technical Company Inc, do empresário José Amaro Pinto Ramos, considerado possível operador do PSDB. Uma das suspeitas é de que, a partir da Circle, cerca de 400 mil francos suíços tenham sido depositados em uma conta da filha de senador, Verônica Serra.

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Outro argumento usado sem sucesso pelos advogados do tucano foi o de que o STF reclassificou os crimes e que, portanto, eles seriam "apenas crimes eleitorais". Nesse caso, os suíços alertam que a decisão brasileira não declarou que a investigação estrangeira deveria ser abandonada nem que a cooperação tivesse de ser suspensa.

Além disso, o Tribunal constata: "os documentos são potencialmente úteis para reconstruir de maneira completa o fluxo do dinheiro relacionado a crimes cometidos depois de 2010, que não estão prescritos". A decisão ainda classifica Serra como tendo sido "senador da República e expoente de um partido político".

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O Departamento Federal de Justiça e Polícia na Suíça informou que "os documentos solicitados ainda não foram transmitidos ao Brasil". O processo, porém, não deve demorar, e pessoas próximas do caso acreditam que o MP brasileiro terá acesso aos extratos ainda no mês de fevereiro.

Fontes que acompanham o caso há mais de um ano destacam que a informação pode ser "fundamental" para o processo e para entender de que forma as contas no exterior eram usadas para financiar campanhas eleitorais.

A decisão do tribunal, porém, aponta que a defesa terá de desembolsar cerca de US$ 2,2 mil para pagar pelos custos processuais. Ao longo da Operação Lava Jato, iniciada em 2014, o caso envolvendo as contas da offshore Circle foi um dos que mais tempo consumiu para que a novela nos tribunais suíços fosse encerrada.

Tanto a Odebrecht como o ex-deputado Eduardo Cunha tentaram protelar a entrega de extratos bancários, recorrendo às diferentes instâncias da Justiça na Suíça. Mas foram derrotados.

Procurada, a defesa do senador não foi localizada até a conclusão desta reportagem. O espaço está aberto para manifestação.

Histórico

O processo começou em 2017, quando o Ministério Público da Suíça recebeu um pedido de cooperação do Brasil para investigar o caso por lavagem de dinheiro e corrupção. Foi ainda sob o mandato do então procurador-geral Rodrigo Janot que a Procuradoria-Geral da República solicitou ajuda oficial no exterior no caso que envolvia a campanha eleitoral de Serra e de outros representantes do PSDB.

"Os créditos em questão teriam sido depositados nos anos 2006, 2007 e 2009, totalizando R$ 10,8 milhões", indicou o Tribunal Federal. A instituição usada teria sido o Corner Bank, da cidade de Lugano. No pedido, os procuradores brasileiros solicitavam todas as movimentações bancárias envolvendo as offshores que tinham operado os recursos entre 2006 e 2017. Em agosto de 2017, o MP suíço aceitou o pedido. Cinco meses depois, em 5 de janeiro de 2018, a Justiça de Berna autorizou o envio de dados das contas ao Brasil.

fonte: Estadão Conteudo

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