Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Um ano e três meses após tragédia na boate Kiss, Câmara aprova regras para casas noturnas

Texto do projeto de lei segue para apreciação do Senado Federal

Brasil|Do R7, em Brasília

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Após tragédia em Santa Maria (RS), Câmara aprova novas regras
Após tragédia em Santa Maria (RS), Câmara aprova novas regras

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (10), o projeto de lei que estabelece novas regras de segurança para o funcionamento de casas noturnas em todo o País.

O texto foi apreciado um ano e três meses depois da tragédia na boate Kiss, em Santa Maria (RS).


Leia mais notícias de Brasil e Política

Tragédia da Kiss completa 1 ano e famílias cobram indenizações e memorial


A proposta, de autoria da deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), tramita na Casa desde 2007. Mas somente em 2013, após o incêndio que matou 242 pessoas e deixou 116 feridas na boate Kiss, o texto voltou a ser discutido pelos deputados.

O projeto foi aprovado com as alterações propostas pela comissão externa criada para acompanhar as investigações do incêndio. Após a repercussão do acidente, os deputados decidiram acompanhar de perto o inquérito e sugerir aperfeiçoamentos na lei.


Prisão para quem autorizar superlotação

O texto cria penas de prisão de seis meses a dois anos para quem autorizar a entrada de pessoas em número maior que a lotação especificada e para quem descumprir as determinações do Corpo de Bombeiros ou do poder público quanto à prevenção e o combate a incêndio e desastres.


Além disso, o projeto que vai ao Senado determina aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios a adaptação de suas leis para assegurar que as regras da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), sobre condições de acesso exigidas para operações de socorro e retirada de vítimas, por exemplo, sejam observadas durante a construção ou reforma de boates.

Proibição de comandas

Outra mudança que o texto propõe é proibição do uso de comandas em boates e danceterias. No incêndio da boate Kiss, várias pessoas foram impedidas de sair no começo do incêndio porque não tinham pagado a conta.

A lei deixa brecha para que outros estabelecimentos também possam ser impedidos de usar comandas, permitindo que o Corpo de Bombeiros ou a prefeitura faça a determinação.

Todas as regras especiais sobre prevenção e combate a incêndio e a desastres devem ser seguidas pelos estabelecimentos e locais com ocupação simultânea de cem pessoas ou mais. Isso vale ainda para reuniões de pessoas a céu aberto.

Se a ocupação prevista for inferior a cem pessoas, mesmo assim as normas precisarão ser seguidas em três situações: se a estrutura ou as peculiaridades das atividades restringirem a saída das pessoas a apenas uma direção; se o local for ocupado predominantemente por idosos, crianças ou pessoas com dificuldade de locomoção; e se o local tiver grande quantidade de material altamente inflamável.

O incêndio

O incêndio dentro da boate Kiss no centro de Santa Maria, cidade a 290 km de Porto Alegre, ocorreu na madrugada de 27 de janeiro de 2013.

O fogo começou porque, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, um dos integrantes acendeu uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se espalharam em poucos minutos.

A casa noturna estava cheia na hora em que o fogo começou, com cerca de mil pessoas. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Os donos não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna e o alvará da boate estava vencido desde agosto de 2012.

Dois músicos e dois donos da casa noturna chegaram a ser presos, mas respondem ao processo em liberdade. A boate ainda está lacrada com tapumes. A Brigada Militar disponibiliza ao menos um policial para fazer a segurança na boate 24 horas por dia para preservar o local até que a Justiça determine a liberação.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.