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Um terço dos projetos de segurança no Congresso visa endurecer leis

Em 2016 foram apresentadas 76 propostas para criar novos crimes no País

Brasil|Fernando Mellis e Diego Junqueira, do R7

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Política do encarceramento é criticada por coordenador da pesquisa
Política do encarceramento é criticada por coordenador da pesquisa

Três em cada dez projetos relacionados à área de segurança pública e justiça criminal apresentados no Congresso em 2016 tiveram como objetivo o endurecimento de leis, inclusive das penas de prisão.

Levantamento do Instituto Sou da Paz identificou que, das 478 propostas para esse segmento no ano passado, 76 (16,4%) pediam a criação de um novo tipo de crime ao ordenamento jurídico. Outras 71 (15,3%) foram para aumentar a pena correspondente a algum crime já previsto em lei.

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Projetos de lei que tratam da carreira policial ou disciplinam trabalho das polícias também chegaram a 71 no ano passado.

Para o cientista político Felippe Angeli, que coordenou o estudo, os resultados mostram que o Brasil continua apostado, “erroneamente”, em políticas que vão aumentar o encarceramento. 

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— São 61 mil homicídios por ano. Somente 10% dos presos estão relacionados a esse tipo de crime, porque exige perícia, não prende em flagrante. Quem é preso em flagrante hoje é o pequeno ladrão e o pequeno traficante. Esses que são aliciados pelo crime organizado nas cadeias. Todas as facções criminosas surgiram dentro de presídios.

A superlotação é um dos principais problemas das cadeias brasileiras. O último dado disponível do Ministério da Justiça, para junho de 2014, revela que no Brasil havia 607 mil pessoas presas naquele ano, embora houvesse 376 mil vagas no sistema.

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Angeli destaca ainda um estudo do Ministério da Justiça, de 2009, que mostrava que o Brasil tinha naquela ocasião 1.688 crimes.

— Se você pegar que uma média de 20% dos projetos apresentados a cada ano buscam criminalizar uma nova conduta, onde isso vai parar?

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"Ampliar pena não aumentou a sensação de segurança"

(Glauber Braga (PSOL-RJ))

Debate na Câmara

Membro titular da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) é crítico desse tipo de política pública, que, em sua opinião, historicamente se mostrou fracassada.

O parlamentar diz que aumentar as penas ou tipificar novos crimes “não ampliou a sensação de segurança das pessoas”.

— O Congresso Nacional, infelizmente, ainda está majoritariamente preso a uma pauta que não resolve problemas de segurança, mas amplia poder para alguns agentes públicos que querem a continuidade da política de guerra.

Para Braga, o caminho é “rediscutir o formato da segurança pública”, para que essa política seja articulada ao conjunto de outras políticas, como saúde e educação.

— Não falar nisso seria demagógico, porque falar só em ampliação de pena não tem se mostrado efetivo no aumento da sensação de segurança.

"O que eu mais defendo é o preso trabalhar para pagar a detenção"

(Cabo Sabino (PR-CE))

Campeão em número de projetos de segurança pública apresentados em 2016 (41, no total), o deputado Cabo Sabino (PR-CE) tem como principais bandeiras as mudanças na progressão de regime e o trabalho para presos.

— O que eu mais defendo é a questão de o preso trabalhar para pagar a manutenção da sua detenção. Ou ele tem condição para pagar ou ele vai trabalhar dentro de unidade prisional para pagar. Nós [sociedade] pagamos em uma unidade estadual algo em torno de R$ 2.800 a R$ 3.200 por preso todos os meses.

Depois de Sabino, os deputados que mais apresentaram projetos na área de segurança foram: Alberto Fraga (DEM-DF), Rômulo Gouveia (PSD-PB), Delegado Waldir (PR-GO) e Francisco Floriano (DEM-RJ). Dos cinco, três são ex-policiais.

O coordenador do estudo diz que como há um clamor na sociedade por soluções imediatas para a segurança pública, parlamentares ligados às polícias acabam “sequestrando essa pauta”. A chamada "bancada da bala" é predominante na composição da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara.

— A pauta acaba sendo sequestrada por parlamentares que fazem desse discurso do endurecimento penal sua plataforma eleitoral. (...) A sociedade tem uma dificuldade de incorporar o debate da segurança pública no campo dos direitos sociais, do direito à educação, à saúde, assistência social.

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