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'Usa quem quiser', diz Cunha sobre passagem para cônjuges pagas pela Câmara

Mesa Diretora da Câmara aprovou ontem uma série de benefícios aos parlamentares

Brasil|Do R7

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Pagar passagem para mulher e marido de deputado era promessa de Cunha para ser eleito presidente da Câmara
Pagar passagem para mulher e marido de deputado era promessa de Cunha para ser eleito presidente da Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reagiu à repercussão negativa sobre a decisão da Mesa Diretora da Casa de liberar o pagamento de passagens aéreas para mulheres e maridos de parlamentares. Diante da ameaça do PSDB de recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para barrar o benefício, Cunha disse que os deputados não são obrigados a usá-lo e que "só usa quem quiser".

"Veja bem, é só não usar. Não tem dificuldade nenhuma. Acho ótimo, quanto menos usar, menos a despesa. Eles poderiam também usar e diminuir a cota. Aí consequentemente facilitaria a economia", rebateu o peemedebista.


O pacote de medidas aprovado ontem pela Mesa Diretora da Câmara inclui ainda uma série de benefícios aos parlamentares, como o aumento das verbas de gabinete. As mudanças faziam parte das promessas de campanha de Cunha para ser eleito presidente da Câmara. Além do PMDB, a Mesa Diretora tem parlamentares dos partidos PP, PR, PRB, PSD, PSDB, PTB, DEM, PSB e PSC (veja quem são).

O PSDB informou que a terceira secretária da Mesa, deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), votou contra a medida. Cunha contou que a deputada questionou a proposta, mas acabou concordando na hora da votação.


"A mesa aprovou com a participação do PSDB. Um dos deputados que mais me pediram é do próprio PSDB, que vem do Maranhão e que precisa", relatou.

O presidente considerou "normal" a repercussão negativa e disse que a Mesa poderá rever a medida quando quiser.


Ele lembrou que o benefício era liberado até 2009 e que o PSDB "usava muito" a cota. "Por que se até 2009 não questionaram e estão questionando agora? Então deveriam ter questionado naquele momento", pontuou.

Ele ressaltou que o pagamento de passagens aéreas para cônjuges não é um benefício extra, que muitos deputados precisam desta cota e que anteriormente seu uso não era tão restrito como é hoje. No passado, os parlamentares faziam uso livre da cota e o saldo acumulado poderia ser utilizado para lazer.


"Cada um faz o uso do mandato da forma que entender melhor", disse o peemedebista, enfatizando que ele mesmo não pretende usar as passagens.

O anúncio ocorre dois meses após o Congresso aprovar o aumento dos salários de deputados, senadores e ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), que passou para R$ 33,7 mil (novo teto do funcionalismo público). Antes, os parlamentares recebiam R$ 26,7 mil e os ministros do Supremo, R$ 29,4 mil. Só para bancar esse aumento salarial, o Brasil terá de desembolsar R$ 1 bilhão a mais em 2015.

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