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Vitória de Dilma não foi decidida entre ricos e pobres

Para professor do Mackenzie, democracia brasileira sai fortalecida do processo eleitoral

Brasil|Do R7

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Dilma Rousseff venceu Aécio Neves nas urnas no segundo turno das Eleições 2014 com 51,64% dos votos válidos
Dilma Rousseff venceu Aécio Neves nas urnas no segundo turno das Eleições 2014 com 51,64% dos votos válidos

A vitória de Dilma Rousseff (PT) na corrida ao Palácio do Planalto sobre o senador Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das Eleições 2014, em outubro, não se deu por conta das diferentes preferências políticas conforme a condição econômico-financeira da população, mas, sim, pelas regiões mais ou menos desenvolvidas. É o que afirma Roberto Gondo Macedo, professor doutor de comunicação política da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo.

— As eleições não foram definidas por ricos e pobres. Elas foram definidas por regiões mais desenvolvidas e menos desenvolvidas. Isso no mapa eleitoral ficou muito evidente. Aparece na derrota do Aécio em Pernambuco. É o Estado da família de Eduardo Campos e não foi possível reverter os votos no segundo turno.


O professor citou ainda as vitórias de Dilma em Estados do Sudeste, como Rio de Janeiro e, principalmente, Minas Gerais, berço do candidato tucano, como exemplo de sua tese.

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Com 100% das urnas apuradas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Dilma alcançou 51,64% dos votos válidos. Aécio Neves chegou aos 48,36% dos votos válidos. Os 51 milhões de votos recebidos pelo tucano configuram a maior votação de um candidato da oposição em todos os tempos.

Na avaliação do professor, mesmo se houvesse um resultado diferente nas urnas, com uma eventual vitória de Aécio Neves, a democracia brasileira sairia fortalecida do processo eleitoral.


— Muitos analistas colocam que a polarização destrói o viés democrático. Mas essas foram as eleições mais complexas desde a redemocratização brasileira, e até pela diferença entre os dois candidatos do segundo turno que foi pequena. Independente da vitória do PT ou do PSDB, a democracia brasileira ganha. Porque, no fim das contas, a razão predominou sobre a emoção. E a razão diz que temos que eleger partidos com estrutura para a governabilidade. Evidente, cada um com suas respectivas ideologias.

Para Gondo, existem dois níveis de partidos no Brasil. Um é o daqueles estruturados e conseguem levar seus candidatos até a reta final das eleições. Nessa lista entram também PMDB e PSD, que “optam não ter candidatos para pleitear cargos e ficar na governabilidade, seja quem ganhe”. E a segunda é a dos partidos “medianos”.


— São partidos satélites, que não conseguem se sustentar numa disputa tão dura, como foi o caso do PSB. Após a morte de Campos, o partido mostrou sua carência de lideranças.

Assista à primeira entrevista de Dilma Rousseff após a vitória nas Eleições 2014:

Nordeste

Logo após a vitória de Dilma Rousseff, eleitores do Centro-Sul do País iniciaram uma campanha contrária aos colegas nordestinos que foram às urnas. Para os eleitores do Sul, foram os nordestinos que deram a Dilma a vitória sobre Aécio Neves.

Dois dias após o pleito, se espalharam pela internet mensagens como ‘destruíram nosso País’ e ‘que o ebola chegue ao Brasil pelo Nordeste’.

O movimento ocorreu mesmo após os discursos apaziguadores de Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) horas depois do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgar o resultado. Ambos adotaram tom sereno e falaram em “união”.

Apesar de todo o burburinho sobre a participação de nordestinos na vitória de Dilma, os números do TSE mostram que a vitória da petista veio com os bons números conquistados em Pernambuco, Minas Gerais e Rio de Janeiro — teoricamente, Estados que votariam em Aécio Neves.

Após a vitória

Depois de vencer uma eleição acirrada, Dilma Rousseff prometeu lutar contra a corrupção: "A reeleição tem de ser entendia como um voto de esperança dado pelo povo na melhoria do governo. Voto de esperança na melhoria dos atos dos que até então vinham coordenando. Por isso quero ser uma presidenta muito melhor do que fui até agora".

— Terei o compromisso rigoroso também com o combate à corrupção, fortalecendo as instituições de controle, propondo mudanças na legislação atual para acabar com a impunidade, que é a protetora da corrupção.

Dilma vai assumir o País em 2015 com alguns desafios, sobretudo quanto ao crescimento econômico, controle da inflação, analfabetismo, conflitos agrários, atraso em obras de infraestrutura, realização das Olimpíadas 2016, entre outros — veja todos os desafios aqui.

A presidente também vai encontrar um Congresso parecido com o seu primeiro mandato, com o apoio de 59% dos 513 deputados e 50% dos parlamentares do Senado. Portanto, terá ampla base aliada.

Vale lembrar, porém, que o número de congressistas na base aliada no segundo mandato é menor do que no início do governo, de 340 deputados e 62 senadores. 

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