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Vizinhos de triplex no Guarujá reclamam de 'carma'

Apartamentos do edifício Solaris teriam se desvalorizado R$ 200 mil, segundo corretores

Brasil|Do R7

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Edifício virou ponto turístico
Edifício virou ponto turístico LUCAS BAPTISTA/ESTADÃO CONTEÚDO

O edifício Solaris, na praia das Astúrias, no Guarujá (SP), endereço do triplex que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à condenação em primeira instância, vive o seu próprio drama ou como dizem alguns moradores e veranistas o seu próprio "carma" e "maldição".

O prédio, que virou uma espécie de "ponto turístico acidental", e passou a ser chamado de "prédio do Lula" ou "prédio do triplex do Lula", coleciona uma série de problemas: funcionários demitidos; ameaça de processos trabalhistas; desvalorização dos imóveis; reformas que demoram mais de um ano; piscina interditada; e reparos que custam mais caro do que a média do mercado porque "o prédio é famoso".

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A primeira vítima do triplex foi o zelador José Afonso Pinheiro, demitido em abril do ano passado. Na ocasião, ele afirmou que sua demissão foi consequência de uma entrevista em que confirmou a presença de Lula e dona Marisa no Solaris.

"Eu perdi o emprego que era o sustento da minha família e a nossa moradia. Portanto, não tem como eu não ficar feliz com a condenação do Lula", disse.

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Pinheiro, que foi candidato a vereador nas últimas eleições, aguarda o resultado de um processo que abriu contra o edifício.

Há uma semana, oito funcionários do Solaris também foram demitidos - com o argumento de que a administração iria terceirizar todos os funcionários para cortar custos.

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"O motivo pode ter sido a terceirização, mas, desde que essa loucura do triplex começou, quem administra esse prédio tenta inventar demissões por justa causa e ameaça não pagar nossos direitos", contou a ex-funcionária Shirley Nascimento.

Outro porteiro demitido, que pediu para não ser identificado, afirmou que uma despedida, "nesse contexto", faz "a gente imaginar coisas". Ainda assim, ele não pretende processar ninguém.

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"O Solaris foi vítima da crise no País. Naquele prédio, a crise nos atingiu em cheio", afirmou. Procurado pela reportagem, o síndico do Solaris, Paulo de Távora, garantiu que as demissões seguiram critérios puramente econômicos e a "administração do prédio está normal".

Pesadelo

Os moradores do Solaris e vizinhos disseram torcer para "o pesadelo acabar" e a vida nas Astúrias voltar ao normal. Na praia, um grupo de amigas comentou o transtorno causado pela presença constante de curiosos e de jornalistas.

Além disso, elas colocaram uma questão prática: "Com o triplex vazio, e ele deve continuar vazio por muito tempo, o condomínio deve subir para compensar esse imóvel sem uso. Quem vai pagar o prejuízo? Ora, serão os moradores", disse Leonor Consil, vizinha do Solaris. As vizinhas disseram que "sempre souberam que o triplex era do Lula".

O morador Pedro Pimenta apontou outro problema: "Agora, qualquer reparo, por menor que seja, custa os olhos da cara. Qualquer troca de piso, qualquer probleminha elétrico. Os prestadores de serviço cobram mais porque "esse é o prédio do Lula".

Pimenta e outros moradores contaram que a ocupação no prédio, apesar das férias de julho, anda muito baixa e "os apartamentos estão vazios". Corretores procurados pelo Estado disseram que pouca gente tem se interessado em alugar e "apenas curiosos interessados em entrar no prédio do Lula" têm aparecido.

Os mesmos corretores disseram que os apartamentos já desvalorizaram cerca de R$ 200 mil. "Tudo isso se agravou porque nós tivemos uma reforma que demorou mais de um ano e nossa piscina ficou interditada nesse período", reclamou uma moradora que preferiu não se identificar.

Cobertura no Solaris levou ex-presidente à condenação
Cobertura no Solaris levou ex-presidente à condenação

Turistas

Alheios aos problemas no prédio, turistas não cansam de se postar na frente do edifício para registrar uma imagem do "triplex do Lula".

O segurança Waldeci Marcelino fez o pitstop na calçada do Solaris para fazer selfies e provar para os amigos que estava pertinho de um "escândalo político".

Já o aposentado Anésio França, além das selfies, faz uma proposta: "Tombar o Solaris como um patrimônio histórico nacional". Com certeza, os moradores discordam e preferem ser esquecidos.

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