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Zelotes: siderúrgica pagou R$ 8 mi para escapar de multa de R$ 650 mi

Segundo o MPF, o pagamento foi feito pela siderúrgica Paranapanema para o economista Roberto Gianetti da Fonseca e dois escritórios de advocacia

Brasil|, com R7


Movimentação na sede da PF no Recife (PE)
Movimentação na sede da PF no Recife (PE)

A 10ª fase da Operação Zelotes, deflagrada nesta quinta-feira (26), tem como alvo o repasse de R$ 8 milhões da siderúrgica Paranapanema para a Kaduna Consultoria, empresa do economista Roberto Gianetti da Fonseca — conselheiro de políticos do PSDB, como o candidato à Presidência Geraldo Alckmin —, e para dois escritórios de advocacia. O objetivo do pagamento, segundo os investigadores, era fazer com que a siderúrgica escapasse de uma multa de R$ 650 milhões com a Receita Federal.

Tanto a Paranapanema como Gianetti da Fonseca negam as acusações (leia os posicionamentos ao final).

Segundo o Ministério Público Federal, dos R$ 8 milhões repassados, cerca R$ 2,3 milhões ficaram com Gianetti da Fonseca e o restante foi encaminhado para os dois escritórios de advocacia. Esses escritórios, diz o MPF, foram responsáveis por remeter parte dos valores para conselheiros do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

Gianetti da Fonseca e outras seis pessoas foram alvos de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quinta. A atuação do "grupo criminoso", segundo o MPF, resultou na suspensão de uma multa de R$ 650 milhões à Paranapanema, após reunião no Carf.

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Quatro conselheiros que atuaram no julgamento, realizado em 2014, são alvos de busca da nova fase da Zelotes. Eles teriam recebido entre R$ 120 mil e R$ 170 mil.

"Vale destacar que a siderúrgica já possuía assessoria técnica, representada por outro advogado, quando decidiu investir nos serviços oferecidos pela consultoria (Kaduna). Para o MPF, tal conduta constitui evidência de lavagem de dinheiro", diz nota divulgado pela Procuradoria do Distrito Federal.

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De acordo com o procurador Frederico Paiva, ao longo da investigação foram coletados diversos e sólidos indícios de que o julgamento da Paranapanema no Carf foi corrompido por agentes públicos e privados. Além do mapeamento dos pagamentos por meio da quebra de sigilo dos citados, o procurador afirma que interceptações telefônicas e trocas de mensagens entre os alvos apontam para os pagamentos irregulares da siderúrgica.

"Foram identificadas conversas entre advogados e conselheiros e conselheiras que iam fazer o julgamento. Viagens até local de residência desses conselheiros. Era conversado, inclusive com conselheiros, que o caso estava bem encaminhado. O julgamento no Carf deu razão à Paranapanema e tudo leva a acreditar que esse julgamento foi manipulado", afirmou Paiva em coletiva de imprensa.

Segundo Paiva, a participação do economista Gianetti da Fonseca ainda precisa ser melhor esclarecida uma vez que a consultoria foi contratada, mas não foram encontradas provas de que o serviço foi realmente prestado. "A gente não encontra nada, nenhum relatório, nada", diz Paiva.

Os débitos da Paranapanema tinham relação com uma forma de incentivo tributário chamada Draw Back, quando uma empresa exportadora compra matéria prima com isenção tributária para depois exportar o produto final. Para poder comprar esse material sem tributos, a empresa recebe uma autorização da secretaria de comércio exterior. No caso da Paranapanema, essa autorização teria sido utilizado além do permitido, o que gerou a dívida tributária de R$ 650 milhões com a União.

Defesas

Em nota enviada ao R7, a Paranapanema informa que "a Companhia tampouco seus administradores ou gestores atuais foram alvo ou notificados oficialmente. A Companhia repudia quaisquer atos de ilegalidade e conta com rigorosas políticas de controle e conformidade, que têm sido permanentemente aprimoradas."

Em nota conjunta, a Kaduna Consultoria e o economista Roberto Gianetti da Fonseca disseram que “que estão abertos a prestar qualquer informação e a colaborar integralmente com a justiça federal para elucidação de qualquer fato relacionado a investigação Zelotes.”

O economista afirmou “que aqueles que o conhecem sabem que ele sempre se pautou pelos princípios éticos e legais no relacionamento com seus clientes e com as autoridades públicas, sendo totalmente infundadas as suspeitas levantadas contra si e sua empresa”.

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