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21% dos candidatos a governador têm planos abrangentes para saneamento, aponta estudo

Levantamento analisou 62 planos de governo e mostrou que maioria das campanhas aborda o tema de forma parcial

Brasília|Do R7

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Maioria dos planos cita universalização, mas poucos estabelecem metas concretas Tânia Rêgo/Agência Brasil - 02.04.2026

O saneamento básico aparece nos planos de governo dos candidatos competitivos aos governos estaduais, mas ainda é tratado de forma pouco aprofundada pela maior parte das campanhas. É o que aponta um estudo do Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, que analisou 62 planos de governo e identificou que apenas 13 candidatos, ou 21% da amostra, apresentaram propostas consideradas abrangentes para o setor.

A avaliação considerou candidatos com maior probabilidade de serem eleitos ou de disputar o segundo turno, de acordo com pesquisas de intenção de voto realizadas entre 22 de agosto e 4 de setembro de 2026. Os planos de governo foram consultados na plataforma do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), considerando os documentos disponíveis até 15 de setembro.

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Além dos 13 planos classificados como abrangentes, 44 (71%) foram considerados transversais, por abordarem dois ou três dos quatro eixos avaliados. Outros cinco (8%) tiveram classificação superficial, com apenas um eixo contemplado.

Os pesquisadores avaliaram quatro eixos: planejamento e regionalização para a universalização; investimentos e superação de gargalos; governança e regulação; e metas tangíveis. Para ser considerado abrangente, o plano precisava contemplar os quatro eixos.

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Universalização é tema mais citado

Entre os assuntos avaliados, a universalização do saneamento foi a proposta mais frequente. Ela apareceu em 54 dos 62 planos analisados, o equivalente a 87% da amostra. O estudo relaciona a presença do tema ao prazo de 2033 estabelecido para o cumprimento das metas de universalização.

O levantamento mostra, porém, uma diferença entre mencionar a universalização e estabelecer compromissos concretos para alcançá-la. As metas tangíveis aparecem em apenas 16 planos, ou 26% da amostra. A governança de dados e informações sobre saneamento foi ainda menos citada, presente em 15 documentos (24%).

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33 milhões sem água tratada

O estudo foi divulgado em um momento em que o país ainda enfrenta um déficit expressivo no acesso aos serviços básicos. Segundo o levantamento, cerca de 33 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada e quase 90 milhões não contam com coleta de esgoto. O próximo mandato dos governadores, entre 2027 e 2030, será realizado nos anos que antecedem o prazo de 2033 para a universalização.

Apesar dos déficits, o levantamento não encontrou uma relação estatisticamente significativa entre a situação do saneamento nos estados e o nível de detalhamento dos planos de governo. Estados com indicadores mais baixos não apresentaram, de forma sistemática, propostas mais abrangentes.

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Um dos exemplos citados é o Maranhão, que teve a menor média de comprometimento entre as 27 unidades da Federação, com 1,50. O estado registrava, em 2024, 53,68% de atendimento de água, 27,39% de atendimento de esgoto e 12,24% de tratamento de esgoto.

Pernambuco teve a maior média de comprometimento, com 4,00. Foi também o único estado em que os dois planos incluídos na amostra foram classificados como abrangentes. Ainda assim, o estado tinha apenas 29,35% de atendimento de esgoto e 28,35% de tratamento de esgoto em 2024.

Nordeste concentra maior proporção de planos abrangentes

Na divisão por regiões, o Nordeste apresentou a maior proporção de planos abrangentes: 30% das 20 candidaturas competitivas analisadas na região. Em seguida aparecem Sudeste, com 22%; Norte, com 18%; Sul, com 17%; e Centro-Oeste, com 10%.

O estudo ressalta, entretanto, que esses percentuais devem ser interpretados com cautela, já que a análise considera apenas as candidaturas classificadas como competitivas eleitoralmente.

No Centro-Oeste, 90% dos planos analisados foram classificados como transversais e 10% como abrangentes. Não houve plano considerado superficial na região.

Reeleição

Outro recorte apresentado pelo levantamento é o dos chefes do Executivo estadual que tentam permanecer no cargo. Entre os nove governadores em exercício que buscam a reeleição, quatro apresentaram planos classificados como abrangentes, o equivalente a 44%.

Entre as outras 53 candidaturas analisadas, oito tiveram essa classificação, ou 15%. O estudo aponta que, dentro da amostra, a proporção de planos abrangentes foi maior entre os candidatos à reeleição.

O Instituto Trata Brasil afirma que o levantamento busca mostrar como o saneamento está sendo incorporado aos programas eleitorais para o mandato de 2027 a 2030, período considerado decisivo diante da proximidade do prazo de 2033. Para a presidente-executiva da entidade, Luana Pretto, a presença do tema nos planos não é suficiente quando as propostas não apresentam compromissos verificáveis.

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