Brasília A cada seis pessoas no Distrito Federal, uma será idosa em 2030

A cada seis pessoas no Distrito Federal, uma será idosa em 2030

Ritmo acelerado de envelhecimento representa desafios para saúde e mobilidade, aponta estudo da UnB

  • Brasília | Jéssica Moura, do R7, em Brasília

Idosos no DF

Idosos no DF

Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília

O Distrito Federal atravessa um processo de envelhecimento da população. A proporção de pessoas acima de 60 anos na capital federal vai saltar de 11,3%, em 2020, para 16,6% em 2030. Esse percentual representa um idoso a cada seis habitantes. É o que aponta o mais recente estudo do ObservaDF, grupo de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) que será publicado nesta quarta-feira (13).

O estudo destaca que esse fenômeno é generalizado em todas as regiões administrativas, e implica desafios sociais em setores como saúde e mobilidade, por exemplo. E enquanto o contigente de idosos avança, a magnitude da população mais jovem, segue no sentido oposto.

Saúde

O relatório alerta ainda que 53,1% dos idosos no Distrito Federal não têm acesso a um plano de saúde. De acordo com o estudo, quanto menor a renda maior a proporção daqueles que não têm acesso a planos de saúde. Nas cidades de alta renda 87% contam com a cobertura; nas de classe média são 79,6% e; nas regiões de baixa renda, 86,2% dos idosos não têm acesso a nenhum tipo de plano de saúde.

Outro dado apontado pela pesquisa é que um em cada quatro idosos relatou que o atendimento nos postos de saúde não é acolhedor e que o acesso a esses locais é difícil. Além disso, 60% dos idosos não sabem que fazem parte do grupo prioritário em ações de promoção e prevenção da saúde. Por isso, os pesquisadores sugerem o fortaleciento da atenção à saúde dessa população.

Condições de vida

Os pesquisadores perguntaram aos entrevistados sobre as condições de vida nos arredores de suas residências. "Como queda é uma das causas de morte mais frequentes entre a população idosa, garantir que as calçadas sejam adequadas, livres de risco é de extrema importância para o bem-estar da pessoa idosa na cidade". Mais da metade dos idosos, em todos os grupos de renda afirmam que as calçadas são esburacadas e perigosas.

Mobilidade

Outra conclusão do estudo é que o acesso gratuito ao transporte público para a pessoa idosa nem sempre é respeitado. Isso porque 40% deles disseram que os motoristas de ônibus nem sempre param no ponto para que eles embarquem. Por outro lado, 40% também disseram que os condutores sempre param. 

Informação

Mais um quesito analisado foi a comunicação: 90% dos entrevistados responderam que se informam pela televisão. No entanto, a internet aparece como segunda principal fonte de informação, com 61% dos idosos acessando a rede. Contudo, entre os idosos de baixa renda essa proporção cai para 41%.

Diferença de classe

A distribuição dos idosos por idade nas regiões administrativas também é desigual: os que vivem em áreas mais ricas conseguem viver por mais tempo. Nas cidades de alta renda, 14,4% dos idosos têm 80 anos ou mais; nas de renda média, a proporção é de 12,7%; e nas de baixa renda, 7%.

Nas cidades de renda média e baixa, a proporção de idosos entre 60 e 69 anos é de 67,8%, acima do verificado no DF como um todo: 59,7%. "Isso reflete, em parte, a mais alta taxa de mortalidade entre a população idosa mais vulnerável", afirmam os pesquisadores.

Desigualdade racial

O levantamento demonstrou ainda que a população de mais alta renda concentra os idosos autodeclarados brancos. Nas áreas mais abastadas, 71% dos idosos se identificaram como brancos. Nas cidades de renda média, a proporção é de 49,7% e 29.4% nas regiões de baixa renda. Já os pardos são 13,1% dos idosos de renda média e os pretos são e 15,4% dos idosos de baixa renda.

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