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Acordo Mercosul-UE é aprovado pelo Senado e vai a promulgação

Acordo cria zona de livre comércio entre os blocos; com aprovação do Congresso, tratado pode entrar em vigor

Brasília|Mariana Saraiva e Yumi Kuwano, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Senado Federal aprova acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
  • Projeto segue para promulgação, formalizando a adesão do Brasil ao tratado.
  • Acordo cria zona de livre comércio com eliminação gradual de tarifas em até 30 anos.
  • Medidas de proteção para a legislação brasileira e interesses nacionais são garantidas no tratado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Texto cria zona de livre comércio e segue para promulgação Jefferson Rudy/Agência Senado- 4.03.2026

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi aprovado por unanimidade pelo Senado nesta quarta-feira (4). Com a decisão, o projeto segue para promulgação, etapa final para a formalização do tratado no Brasil.

O projeto sobre o acordo foi relatado pela senadora Tereza Cristina (PP-MS). O parecer dela seria analisado pela Comissão de Relações Exteriores da Casa, mas a reunião do colegiado foi cancelada, e a proposta foi levada diretamente ao plenário após a aprovação do regime de urgência. Segundo o presidente do colegiado, Nelsinho Trad (PSD-MS), a medida buscou dar celeridade à tramitação.

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O acordo estabelece a criação de uma zona de livre comércio, com eliminação gradual de tarifas de importação ao longo de até 30 anos.

Segundo dados citados no relatório, a União Europeia deverá zerar tarifas para aproximadamente 95% dos bens exportados pelo Mercosul, o que corresponde a 92% do valor atualmente importado do Brasil.

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Por outro lado, o bloco sul-americano promoverá abertura tarifária em cerca de 91% dos produtos europeus, cobrindo 85% do valor das importações.

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No setor agrícola, considerado estratégico para o Brasil, o tratado prevê cotas com tratamento preferencial para produtos como carne bovina, carne de aves, açúcar e etanol.

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A carne bovina terá uma cota de 99 mil toneladas com tarifa reduzida, enquanto o etanol contará com volumes específicos destinados a usos industriais e outros fins. Produtos como café torrado, frutas e crustáceos também terão redução ou eliminação de tarifas em prazos escalonados.

Indústria e salvaguardas

Para a indústria, a União Europeia se compromete a eliminar 100% das tarifas em até dez anos. O Mercosul, por sua vez, negociou prazos mais longos para setores considerados sensíveis.

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No segmento automotivo, veículos eletrificados terão redução gradual ou eliminação de impostos em até 18 anos, enquanto tecnologias como veículos movidos a hidrogênio poderão ter prazo de até 25 anos, com período de carência.

O texto ainda prevê um mecanismo de salvaguarda que permite ao Brasil suspender temporariamente a redução tarifária em caso de aumento abrupto das importações que cause prejuízo à indústria nacional.

Regras além das tarifas

Além da redução de tarifas, o acordo reúne 23 capítulos que tratam de temas como regras de origem, comércio de serviços, compras governamentais, propriedade intelectual, medidas sanitárias e fitossanitárias, barreiras técnicas, desenvolvimento sustentável e solução de controvérsias.

O texto também incorpora medidas de facilitação de comércio, como despacho aduaneiro mais célere, adoção de gestão de risco e reconhecimento de operadores econômicos autorizados.

Um dos pontos destacados no parecer é a reafirmação do chamado “direito de regular”. O tratado reconhece expressamente que as partes podem manter e adotar regulações para proteger objetivos legítimos de política pública, como meio ambiente, saúde e segurança.

A relatora sustenta que o acordo não impõe alterações automáticas na legislação brasileira, inclusive em normas ambientais, e diferencia o instrumento comercial de tratados multilaterais de natureza ambiental, como o Acordo de Paris.

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