Brasília Após ataque hacker, governo adia cobrança do passaporte da vacina

Após ataque hacker, governo adia cobrança do passaporte da vacina

Exigência de comprovante entraria em vigor neste sábado e foi adiada por sete dias, após invasão ao site do Ministério da Saúde

  • Brasília | Lívia Veiga, da Record TV, Kelly Almeida e Lucas Nanini, do R7, em Brasília

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz, anunciou no começo da tarde desta sexta-feira (10) que a exigência do "passaporte da vacina" para quem entrar no país por via aérea, que passaria a vigorar a partir deste sábado (11), será adiada para o próximo dia 18 de dezembro. A mudança no prazo ocorreu depois que o site oficial do Ministério da Saúde foi alvo de um ataque hacker durante a madugada.

“Estive na Casa Civil, e a gente vai postergar a vigência da portaria que trata das fronteiras, em especial daqueles itens que falam sobre apresentação do certificado de vacinação ou, em caso contrário, do cumprimento da quarentena", afirmou Cruz. Segundo ele, a alteração será publicada em edição extra do DOU (Diário Oficial da União) ainda nesta sexta-feira.

O secretário disse que a decisão pelo adiamento foi tomada sobretudo para não prejudicar os brasileiros que estão exterior. “Já tem muita gente em viagem. Por precaução, vamos dar mais sete dias [para a entrada em vigor da portaria]”. Cruz informou que mais detalhes sobre a postergação da entrada em vigor da medida serão fornecidos durante entrevista coletiva ainda nesta sexta.

“O trabalho é do time do DataSUS, que está avaliando toda essa questão do restabelecimento da base de dados. A gente não tem um prazo concreto, mas, por precaução, a gente vai publicar uma portaria hoje postergando por sete dias o início da vigência das regras que estão postas”, declarou.

Hackers pedem resgate por dados copiados do site do Ministério da Saúde

Hackers pedem resgate por dados copiados do site do Ministério da Saúde

Reprodução

A invasão ao sistema da Saúde ocorreu na madrugada desta sexta, comprometendo o acesso a diversos serviços da pasta, como o aplicativo ConecteSUS, no qual ficam armazenadas as informações quanto à imunização dos cidadãos.

A cobrança do comprovante de vacinação para quem entra no Brasil foi determinada a partir de uma portaria conjunta do governo e começaria a valer neste sábado. A determinação foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) da quinta-feira (9) como parte de medidas excepcionais e temporárias para conter a disseminação da Covid-19 na entrada de brasileiros e estrangeiros no Brasil.

Quem chegar ao país por via aérea deverá apresentar às companhias o comprovante de vacinação para o coronavírus. Segundo a portaria do governo, serão aceitos os imunizantes aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): CoronaVac, Oxford/AstraZeneca, Pfizer/BioNTech e Janssen. A última aplicação deve ter sido ministrada até 14 dias antes da entrada no país.

Invasão no site do ministério

O tipo de ataque que o site do Ministério da Saúde sofreu é chamado "Ransomware", quando o invasor insere um código malicioso tornando os dados inacessíveis, geralmente usando criptografia. A principal característica desse tipo de ataque é que os crackers, nome utilizado para se referia a pessoas que usam seus conhecimentos em informática para ataques, solicitam resgate para que os donos dos dados tenham as informações de volta.

O resgate geralmente é pago por bitcoins, moedas virtuais de difícil rastreamento. O índice de preço de mercado, que faz o monitoramento de valores de criptoativos, está avaliado pela cotação do dia em R$ 269.082,00, segundo o Coin Market Cap.

Após o ataque, o Ministério da Saúde informou que o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e a Polícia Federal estão investigando a invasão ao sistema. "O Departamento de Informática do SUS (Datasus) está atuando com a máxima agilidade para o reestabelecimento das plataformas", disse a pasta.

Últimas