Brasília Áudios são sérios, e ministro deve se explicar, diz líder da frente evangélica

Áudios são sérios, e ministro deve se explicar, diz líder da frente evangélica

Deputado Sóstenes Cavalcante diz que Milton Ribeiro precisa esclarecer, quanto antes, eventual influência de pastores no MEC

  • Brasília | Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)

Marina Ramos/Câmara dos Deputados

O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), presidente da Frente Parlamentar Evangélica do Congresso, cobrou nesta quarta-feira (23) uma explicação mais robusta do ministro da Educação, Milton Ribeiro, sobre um suposto caso de tráfico de influência dentro da pasta, no qual pastores que não têm cargo público teriam atuado para induzir a liberação de verbas para municípios.

Segundo Cavalcante, os áudios revelados nesta semana são sérios e Ribeiro precisa esclarecer melhor o conteúdo das gravações. Nelas, o ministro diz que o governo federal deve priorizar prefeituras cujos pedidos de liberação de verba foram negociados pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.

"Entendemos que os áudios são sérios e que precisam ser altamente esclarecidos, em especial pelo ministro Milton Ribeiro, que tem da ampla maioria da Frente Parlamentar Evangélica a fé e a idoneidade do seu trabalho até o presente momento", declarou o deputado, em entrevista coletiva.

Para o deputado, a nota divulgada pelo ministro da Educação, negando que o presidente Jair Bolsonaro tenha pedido atendimentos preferenciais na alocação de recursos públicos, não foi clara o suficiente. Cavalcante questiona, por exemplo, a fala de Ribeiro sobre os repasses aos municípios sugeridos pelos pastores serem uma forma de "apoio sobre construção das igrejas". O parlamentar disse ter conversado com Ribeiro nesta quarta, em um restaurante em Brasília, e sugeriu que o ministro dê mais explicações o mais rápido possível.

"Sabemos que é impossível um ministério fazer repasse de qualquer recurso para igrejas. Não vi na nota ele explicando o porquê dessa fala. Temos que dar oportunidade para o ministro se explicar. O que tem a ver recursos para igrejas advindos de recursos do governo federal? Sabemos que recursos do FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação] só podem chegar a instituições de educação, prefeituras e tão somente isso. Como poderia chegar algum tipo de recurso para igrejas ainda é um dos pontos que falta esclarecer", frisou o deputado.

De acordo com Cavalcante, a frente parlamentar não vai ser complacente com Ribeiro caso seja comprovado comportamento ilícito do ministro. "A frente jamais se furtará do seu combate à corrupção, da luta pela ética e pelos nossos valores morais. Continuaremos firmes nos nossos propósitos. Se qualquer das pessoas envolvidas praticou atos ilícitos, deverão ser punidas ao rigor da lei brasileira, sem nenhum tipo de complacência."

Últimas