Autorização para novo embaixador dos EUA pode mudar situação de diplomata brasileira
Para o Planalto, é preciso esperar o impacto da fuga de Flávio Bolsonaro diminuir para destravar a indicação de Daniel Perez
Brasília|Caroline Aguiar, da RECORD Brasília
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Com a conclusão das eleições, a expectativa é que o governo retome a avaliação de agréments (avais diplomáticos) que ficaram parados durante o período eleitoral. Entre eles, está a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
No entanto, dentro do Palácio do Planalto, já há quem defenda que a autorização para que Perez assuma o cargo permaneça parada por mais um tempo. A justificativa seriam os reflexos da fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos.
Questionamentos de Trump
Um dos interlocutores do presidente Lula argumenta que não faz sentido conceder o agrément enquanto Donald Trump continuar questionando o processo eleitoral brasileiro. Após o pleito que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente norte-americano chegou a dizer, sem provas, que a eleição “pareceu fraudada e muito ruim”, mas que “gosta de Lula”.
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O processo eleitoral brasileiro foi auditado e reconhecido por uma série de observadores internacionais que acompanharam o pleito. Além de diversos chefes de Estado e partidos políticos brasileiros que reconheceram os resultados.
Reciprocidade de vistos
A avaliação de agréments pelo Itamaraty é sigilosa, por isso a pasta não informa o andamento dos processos. Mas, nos bastidores, antes da viagem de Flávio Bolsonaro, a expectativa era de que a autorização para que Perez assumisse o cargo deveria sair até dezembro.
A avaliação do governo é que o agrément de Perez também tenha outro efeito: a retomada do patamar de múltiplas entradas do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. Em agosto, o governo norte-americano rebaixou o visto da diplomata da categoria de múltiplas entradas para uma única entrada. Com isso, se Viotti sair do país, ela terá de pedir um novo visto para retornar ao território americano. O argumento é de que o governo brasileiro estaria demorando a analisar o agrément de Perez.
Agora, assessores do presidente avaliam que o Brasil pode adotar reciprocidade e exigir que as múltiplas entradas de Viotti sejam reabilitadas. Caso contrário, o consulado brasileiro nos Estados Unidos também poderia dar um visto de entrada única a Perez. A medida não impede o exercício da função de diplomata, mas dificulta o trânsito entre os dois países.
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