Brasília Baixa adesão nas manifestações vira chacota entre bolsonaristas

Baixa adesão nas manifestações vira chacota entre bolsonaristas

Aliados do presidente usaram as redes para atacar o movimento. Mas lideranças do MBL tratam atos como 'um novo pacto político'

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

Atos contra Bolsonaro na Avenida Paulista

Atos contra Bolsonaro na Avenida Paulista

Celso Luix / Estadão Conteúdo / 12.09.2021

Enquanto a base aliada do presidente Jair Bolsonaro aproveita para cantar vitória pelo número reduzido de manifestantes que foram às ruas defender o impeachement do mandatário, lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) defendem a importância dos atos do 12 de setembro como primeiro passo para um "novo pacto político".

Nas redes sociais, aliados de Bolsonaro aproveitaram a adesão nos movimentos contrários ao governo para enaltecer os atos de 7 de setembro e fazer chacota com o surgimento da 'terceira via' para as eleições de 2022.

Em tom de ironia, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, chamou as manifestações de "fato histórico". "Manifestações impressionantes e inéditas: pela primeira vez, o palanque estava mais cheio do que a rua", escreveu.

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, compartilhou o post de Faria depois de dizer que estava rindo sozinha e escreveu: "chora, esquerda". Já o ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, publicou um vídeo rindo das movimentações. "O que acho mais engraçado é que, desde 10 horas da manhã, ainda estão em concentração."

Entre os parlamentares, o filho 03 do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), definiu como "fiasco" o que chamou de "mini manifestação contra Bolsonaro". Segundo ele, "quase metade [do público] é de policiais fazendo segurança", disse, vinculando imagens aéreas.

A parlamentar Carla Zambelli — alvo de inquérito contra atos antidemocráticos instaurado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — também fez uma série de publicações comparando os atos pró e contra Bolsonaro. "Eu pensei o dia todo sobre o que eu iria falar. Mas lembrei de um conselho sábio do meu pai: nunca bata em cachorro morto", disse.

Já a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) também adotou tom de ironia ao dizer que a praia de Copacabana estava vazia em um domingo de sol, o que descreveu como um "fato inédito".

Em uma publicação no Twitter, o próprio Bolsonaro atacou a imprensa e escreveu: "Alguém sabia desse 'ato'?". O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), avaliou que a movimentação foi "muito aquém" do esperado.

Defesa
Por outro lado, os organizadores dos atos defenderam a participação popular nas manifestações. Um dos fundadores do MBL, o vereador Rubinho Nunes (PSL-SP) definiu os atos como uma união da esquerda e direita nas ruas "para defender seu direito de discordar entre si". Diante das comparações das manifestações deste domingo (12/9) com as pró-governo em 7 de setembro, o político afirmou ser "fácil colocar militância insuflada nas ruas com discurso golpista e promessas revolucionárias."

"Difícil é organizar uma manifestação de cunho político, de respeito às instituições, com pessoas pertencentes a espectros políticos opostos que precisam deixar as diferenças de lado", completou Nunes. A avaliação das lideranças do movimento é de que os atos, sobretudo na Avenida Paulista, representam uma estreia digna de uma nova vertente política.

"De fato, não foi a maior manifestação. Infelizmente, apesar do antibolsonarismo ser a maior força política do país, a adesão dos eleitores que não querem Lula ou Bolsonaro ainda é baixa. O que não significa que o ato foi um fracasso. Pelo contrário: foi apenas a faísca que começará um incêndio muito maior. Estamos apenas começando", opinou Nunes.

Coordenador Nacional do MBL, Renan Santos, destacou que a adesão não foi massiva, o que já estava previsto, mas definiu o dia como uma "estreia de respeito e início de um novo pacto político. "É a fagulha pra algo maior. Não será com o lixo petista e seus canalhas destruidores de reputação que Bolsonaro cairá. Sairá do dia 12/9", escreveu, completando que o ato a favor do impeachment de Bolsonaro foi maior do que a estreia em 2014 com o 'Fora, Dilma'

O MBL, de fato, esperava uma mobilização maior, incluindo parte do público de esquerda. Na avaliação de Santos, essa vertente "cancelou a ida ao ato mediante a sabotagem petista". "O grosso da galera era de centro e direita. O eleitorado 'silencioso' da terceira via também não foi, mostrando que há uma rejeição silenciosa ao governo."

Busca da terceira via
Das seis capitais que tiveram manifestações contra Bolsonaro neste domingo, o destaque ocorreu na Avenida Paulista. O palanque contou com a participação de Ciro Gomes (PDT), João Amoêdo (Novo), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. O time tenta emplacar a terceira via para as eleições de 2022.

"Foi emocionante participar do ato na Paulista e ver que é possível superar eventuais divergências em nome da democracia", escreveu Ciro nas redes sociais. No palanque, o político destacou a diferença entre os manifestantes. "O que nos reúne é o que deve reunir toda a nação civicamente sadia: a ameaça da morte da democracia e do poder da nação brasileira conquistado com tanto sacrifício", disse.

Quem também sugeriu a importância dos atos foi a deputada federal Joice Hasselmann (PSL), ex-aliada de Bolsonaro. "Plantamos uma semente, com as pessoas que não aceitam a corrupção, que recusam o estelionato eleitoral."

Pré-candidato à presidência da República pelo Cidadania, o senador sergipano Alessandro Vieira, também esteve na Paulista. "É o primeiro passo de uma caminhada que será difícil, mas é absolutamente necessária e inadiável: construir soluções para o Brasil sair de uma polarização que só aprofunda nossos problemas. Precisamos de democracia e paz."

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