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Primeiro bebê a passar por cirurgia intrauterina por malformação na coluna no DF nasce forte e saudável

O pré-natal apontou o risco de a criança vir ao mundo com a coluna exposta, por isso os médicos optaram pela operação em outubro

Brasília|Do R7, Brasília

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Cirurgia inédita contou com 20 servidores do DF
Cirurgia inédita contou com 20 servidores do DF

A primeira bebê a passar por uma cirurgia intrauterina por malformação na coluna, no Distrito Federal, nasceu nesta semana, no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). Com quadro considerado forte e saudável, Ágatha veio ao mundo com 1,1 kg e foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva neonatal. A recém-nascida teve identificado, ainda no pré-natal, o risco de nascer com a coluna exposta, uma malformação conhecida como “espinha bífida", que pode gerar limitações motoras e problemas neurológicos ao longo de toda a vida.

Ágatha nasceu de parto cesáreo, na madrugada da última quarta-feira (6). Em outubro, ainda no útero, ela passou por uma cirurgia inédita no DF para corrigir a malformação na coluna.


A mãe da bebê, Raiane da Rocha, de 36 anos, confessou sentir muita alegria ao ver a filha bem. “Ela está ótima. Só é difícil não estar com ela agora, mas é só esperar", disse. O plano original era que o parto fosse feito no próximo ano, mas a bolsa amniótica se rompeu em 21 de novembro. A mãe passou a ser acompanhada de perto pela equipe do HMIB para garantir a saúde das duas.

Na última terça-feira (5), os médicos decidiram que já era o momento da cesárea. O parto foi realizado pelos médicos da Secretaria de Saúde do DF Carolina Wanis e Marcelo Filippo, especializados em medicina fetal e também responsáveis pela cirurgia feita em outubro. "Ainda é muito cedo para avaliar, mas a Ágatha não tem necessidade de operar a coluna. Está no local correto. A cicatriz nas costas mal dá para ver", disse Filippo.


Pais de
Ágatha comemoram a saúde da filha
Pais de Ágatha comemoram a saúde da filha

Por ter nascido com 27 semanas e 4 dias de gestação, a menina foi classificada como prematura extrema. Isso significa que, nas próximas semanas, Ágatha será acompanhada de perto pela equipe de neonatologia do HMIB, e contará também com o apoio do Banco de Leite, fundamental para garantir a nutrição dela e das outras 39 crianças internadas na UTI, além de outros setores do hospital.

Enquanto isso, os pais de Ágatha podem ver o desenvolvimento da filha todos os dias na UTI neonatal. "Para mim, o milagre já aconteceu. Agora é só esperar pela alta dela", disse o pai da bebê, Jeremias Nascimento, de 43 anos.


Cirurgia de três horas

Chamada cientificamente de mielomeningocele ou espinha bífida, a malformação identificada durante o pré-natal causa desafios de saúde desde o útero até o fim da vida, sendo os mais comuns a impossibilidade de andar e o inchaço no cérebro. As tentativas de correção cirúrgica ocorriam somente após o parto, com pequeno sucesso. A partir de 2015, começaram a ocorrer no Brasil os procedimentos intrauterinos, que melhoram o prognóstico das crianças.

A cirurgia inédita envolveu 20 servidores do HMIB, ao longo de três horas. A equipe se mobilizou para encaminhar o procedimento com agilidade: uma médica da rede privada que fazia o pré-natal de Raiane identificou a condição e a encaminhou ao hospital da SES-DF em 16 de outubro. Em 12 dias, foi realizada a preparação necessária, e a cirurgia ocorreu na 22ª semana de gestação, um período considerado ideal pelos profissionais da área.


Médicos acompanham o desenvolvimento de Ágatha
Médicos acompanham o desenvolvimento de Ágatha

O procedimento também contou com a presença do médico Fábio Peralta e dos hospitais Gestar Centro de Medicina Fetal, HCor e Maternidade Star, todos de São Paulo. Referência internacional em medicina fetal e com experiência de já ter realizado mais de 600 cirurgias do tipo desde 2015, Peralta comemora as novas possibilidades trazidas pela técnica.

“Não existia esse tipo de correção, nunca víamos uma criança fora da cadeira de rodas, tendo um desenvolvimento normal. Hoje, o mais frequente é a gente ver as criancinhas correndo por aí, indo bem na escola, praticando esporte, tendo um desenvolvimento intelectual adequado”, disse.

Com a projeção estatística de cerca de 250 crianças nascidas ao ano no Brasil com espinha bífida, pesquisadores da área trabalham para expandir o número de hospitais que poderão se tornar referência para a realização do procedimento.

“A correção intrauterina da espinha bífida é um marco para a saúde do Distrito Federal. A alta complexidade do procedimento exige uma equipe extremamente qualificada, e temos isso no HMIB. Os benefícios são enormes, como redução de danos neurológicos, de problemas de mobilidade e de infecções, diminuindo muito a letalidade”, afirma a secretária de Saúde do DF, Lucilene Florêncio.

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