Brasília Bolsonaro chama passaporte de vacina de coleira e critica medida

Bolsonaro chama passaporte de vacina de coleira e critica medida

Declaração foi dada pelo chefe do Executivo em evento nesta terça-feira (7); 'Eu prefiro morrer do que perder a minha liberdade'

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro

Valter Campanato / Agência Brasil

Em evento realizado nesta terça-feira (7) no Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o chamado passaporte da vacina, documento que comprova a imunização contra a Covid-19, e avaliou a medida como uma "coleira que querem botar no povo brasileiro".

"Nós vemos uma briga enorme aqui agora sobre passaporte vacinal. Quem é favorável, não se esqueça, amanhã alguém pode impor algo para você que você não seja favorável. Quem toma vacina pode contrair o vírus? Pode e contrai. Pode transmitir? Sim, transmite. Pode morrer? Sim, pode. Como tem morrido muita gente, infelizmente", afirmou.

"E a gente pergunta: por que o passaporte vacinal? Por que essa coleira que querem botar no povo brasileiro? Eu prefiro morrer do que perder a minha liberdade", complementou.

Bolsonaro disse ainda não ser contra a vacina, uma vez que o governo "comprou mais de 600 milhões de doses" de imunizantes contra a Covid-19. "Vamos todos responder à liberdade individual. E outra que quem tomou vacina não precisa se preocupar com quem não tomou porque não será contaminado."

As declarações ocorreram durante a assinatura dos termos das concessões públicas do uso de radiofrequências pelas empresas vencedoras das faixas do leilão de 5G no Brasil. De acordo com o ministro das Comunicações, Fábio Faria, as companhias vencedoras do certame se comprometeram a entregar a radiofrequência em todas as capitais brasileiras até julho de 2022.

“É um salto para a questão das comunicações no Brasil, bem como quando se fala em internet das coisas. Para o comércio, isso não tem preço. E também aumento da qualidade do serviço. É o Brasil dando certo", disse Bolsonaro.

De acordo com o governo, a nova tecnologia trará mudanças mais profundas para aplicações industriais e de automação do que para o usuário de smartphones. Esses usuários, diz a pasta, terão à disposição taxas de transmissão média e de pico muito superiores às do 4G, mas a grande inovação será em aplicações comerciais, como carros autônomos, cirurgias remotas, sensores, entre outros.

"O Brasil, quando o senhor [Jair Bolsonaro] assumiu [governo federal] em 1º de janeiro de 2019, tinha quase 50 milhões de pessoas que não tinham internet. Hoje temos 39 [milhões]", disse Faria. "E hoje estamos assinando e celebrando um valor de R$ 47,2 bilhões, de onde R$ 5 bilhões vão para a caixa do Paulo Guedes, para a economia", afirmou Faria.

O ministro das Comunicações informou que foi o maior leilão já feito de radiofrequências no mundo. "É o primeiro leilão de 5G, não o primeiro leilão, que foi no Chile, mas lá eles não implementaram porque tiveram problemas judiciais, e esse leilão [nosso], de R$ 47 bilhões, não teve nenhuma ação judicial", contou.

O evento ocorreu no Palácio do Planalto e contou com a presença dos ministros Fábio Faria (Comunicações), Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), João Roma (Cidadania), Flávia Arruda (Secretaria de Governo), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral), Ciro Nogueira (Casa Civil), Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência) e Braga Netto (Defesa).

Leilão do 5G

As principais etapas do leilão do 5G, para selecionar as operadoras de serviços de conectividade com a quinta geração da telefonia móvel, foram concluídas no mês passado. Com a venda de 85% das faixas de radiofrequência disponibilizadas, o valor chegou a R$ 46,7 bilhões — houve ágio de R$ 5 bilhões, maior do que o preço mínimo estipulado pelo governo no edital da licitação. Do total, mais de R$ 39,3 bilhões serão usados para investimentos de ampliação da infraestrutura da conectividade no país.

Claro e a Vivo (Telefônica Brasil) arremataram cinco dos dez lotes do tipo G durante o leilão do 5G. Esses blocos são referentes à prestação do serviço no âmbito nacional em escolas da educação básica. A Claro levou os dois primeiros lotes (G1 e G2) e a Vivo, os três seguintes (G3 a G5). Os blocos de G6 a G10 não receberam propostas e foram considerados desertos. O outro lote nacional leiloado, o I6, foi arrematado pela TIM.

As três empresas de telefonia, que já atuam no mercado brasileiro, também foram as que arremataram os lotes da principal faixa do 5G, de 3,5 GHz, a chamada "faixa de ouro", por ser a mais utilizada pelo sistema no mundo. Cada empresa venceu um bloco da faixa.

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