Brasília Bolsonaro critica decisão que suspendeu cruzeiros no país

Bolsonaro critica decisão que suspendeu cruzeiros no país

Atividades na costa brasileira foram suspensas até o dia 21 de janeiro em decorrência do aumento de casos de Covid-19

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O médico Antônio Macedo e o presidente Jair Bolsonaro (PL)

O médico Antônio Macedo e o presidente Jair Bolsonaro (PL)

Nelson Almeida/AFP - 05.01.2022

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar nesta quarta-feira (5) a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a decisão de suspensão das atividades de cruzeiros no país nesta temporada de verão em decorrência do avanço de casos de Covid-19. Bolsonaro pediu bom senso às autoridades.

"O mundo todo está de olho em nós, não é porque somos bonzinhos, mas porque temos muito a oferecer. O Brasil é uma potência no agronegócio, em mineral, no turismo", afirmou. "Lamento a decisão que foi tomada, não pelo meu governo, mas pela Anvisa, no tocante aos cruzeiros. Então a gente pede bom senso, em especial às autoridades, para que possamos levar o Brasil avante com a nossa economia, que sem economia também não pode existir saúde", acrescentou.

As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa após o mandatário ter recebido alta médica depois de dois dias internado em um hospital localizado na zona sul de São Paulo para tratar de um quadro de obstrução intestinal.

A informação, contudo, contrasta com o posicionamento tomado por ao menos cinco ministérios (Casa Civil, Saúde, Infraestrutura, Justiça e Segurança Pública e Turismo). Em nota enviada ao R7, a pasta comandada por Gilson Machado (Turismo) afirmou que o governo se reuniu, na última segunda-feira (3), com empresas do setor e ficou decidida a suspensão das atividades de cruzeiros até o dia 21 de janeiro.

Na ocasião, houve também, na parte da tarde, reunião com secretários de Saúde de estados e municípios para discutir o atual plano de operacionalização da atividade de cruzeiros diante do aumento de casos da variante Ômicron em embarcações na costa brasileira, mesmo que, em sua totalidade, leves ou assintomáticos.

"O governo federal continuará, nos próximos dias, a promover reuniões com municípios, estados e empresas para, juntos, reavaliarem a possibilidade do retorno das atividades", complementou.

A Anvisa havia recomendado ao Ministério da Saúde, em nota técnica publicada no dia 31 de dezembro de 2021, a suspensão provisória da temporada de navios de cruzeiro. A ação se deu em caráter preventivo, até que haja mais dados sobre o cenário epidemiológico, diante do aumento de casos de Covid-19 nas embarcações que operam cruzeiros marítimos na costa brasileira.

De acordo com a agência, a orientação se deve especialmente ao aparecimento e à transmissão da variante Ômicron em território nacional. Na nota, enfatiza-se o fato de que tal recomendação segue lei segundo a qual medidas de restrição para entrada no país por rodovias, portos ou aeroportos devem ser tomadas de forma conjunta pelos ministérios da Saúde, Justiça e Segurança Pública e Infraestrutura, mas mediante uma recomendação técnica da Anvisa.

A agência havia informado que quase 800 casos de coronavírus foram confirmados a bordo das embarcações atracadas na costa do Brasil em um intervalo de apenas nove dias. Desse total de casos, 31 foram confirmados entre 1º de novembro e 25 de dezembro. Os 798 restantes foram registrados de 26 de dezembro até esta segunda-feira (3).

Dias depois, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o governo ia verificar a necessidade de mudança na portaria editada em outubro do ano passado que autorizou a retomada da operação dos navios de cruzeiro na costa brasileira. Os cruzeiros estavam suspensos desde o início da pandemia, mas as atividades foram retomadas em novembro.

"Tem uma portaria que já foi editada. Vamos observar a adequação dessa portaria, vamos verificar a necessidade de alguma alteração, e vamos na ponta saber como a Anvisa e as secretarias estaduais e municipais estão operacionalizando essa questão", afirmou o ministro na ocasião.

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