Bolsonaro deve permanecer internado por pelo menos sete dias, dizem médicos
Equipe médica do ex-presidente alerta que risco de complicações graves ainda não foi totalmente descartado
Brasília|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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O ex-presidente Jair Bolsonaro deve permanecer internado no hospital por pelo menos sete dias para tratamento de uma pneumonia grave nos dois pulmões diagnosticada nesta sexta-feira (13). Segundo a equipe médica dele, esse é o tempo mínimo necessário para a administração de antibióticos na veia.
Os médicos afirmaram que existe risco real de morte e que o caso exige acompanhamento intensivo.
De acordo com os médicos, o ciclo completo do tratamento deve durar entre sete e 14 dias, dependendo da evolução clínica de Bolsonaro. Caso o organismo não responda adequadamente nas primeiras 48 horas, poderá ser necessária a troca da medicação — situação que reinicia do zero a contagem do tempo de tratamento e de internação.
Ainda não há prazo definido nem mesmo para a saída da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde Bolsonaro permanece sob monitoramento contínuo até que haja recuperação suficiente da função pulmonar e estabilização de seu estado geral.
“A gente não tem prazo ainda para a alta da UTI. Ele vai ficar o tempo que for necessário para restabelecer os pulmões, para restabelecer a saúde. A hora que ele apresentar uma melhora, a gente dá alta da UTI para o apartamento. Mas ainda não há previsão desse período todo. Vai ser um tratamento mais prolongado. É diferente de uma pneumonia simples, onde o paciente recebe antibiótico oral e vai para casa. A pneumonia num paciente de 70 anos com todas essas comorbidades que ele tem, com todo esse histórico, realmente se agravou demais”, detalhou o cardiologista Leandro Echenique.
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Recuperação deve ser lenta
Os médicos afirmam que a recuperação tende a ser prolongada. A idade do ex-presidente, que tem 70 anos, o histórico médico e as comorbidades acumuladas ao longo dos últimos anos são fatores que podem dificultar uma recuperação mais rápida.
A equipe médica realizará avaliações constantes para verificar a resposta ao tratamento e ajustar as medicações conforme necessário.
“Normalmente, quando uma infecção se instala, seja em qualquer um de nós, nós temos a característica da agressividade da bactéria e também da defesa do organismo. E nós sabemos que, quanto mais idoso, mais velho, a cada ano que passa, a nossa defesa tende a ser mais lenta, mais difícil. Então, progressivamente, o risco é maior”, comentou o cardiologista Brasil Caiado.
Embora o estado de saúde seja considerado estável neste momento, os médicos afirmam que o quadro ainda é extremamente grave e continua apresentando risco de vida.
Uma infecção generalizada, conhecida como choque séptico, ainda não pode ser totalmente descartada, e as próximas horas são consideradas decisivas para avaliar a evolução clínica do ex-presidente.
A equipe também destacou que o tratamento exige um equilíbrio delicado entre medicamentos. Remédios usados para conter os soluços — como clorpromazina e gabapentina — são depressores do sistema nervoso central. Esses medicamentos podem causar sonolência e reduzir reflexos naturais do corpo, aumentando o risco de refluxo, novos episódios de engasgo e até confusão mental.
Crise começou durante a madrugada
Segundo os médicos, o episódio que levou à internação começou por volta das 2h desta sexta, quando Bolsonaro começou a passar mal. De acordo com a equipe, ele costuma evitar chamar médicos durante a noite para não incomodar, o que retardou a avaliação inicial.
Quando foi examinado, apresentava febre e calafrios intensos, a ponto de perder o controle do corpo. Os tremores indicavam um quadro de bacteremia — situação em que a bactéria já entrou na corrente sanguínea.
Às 8h da manhã, uma tomografia já indicava grave comprometimento pulmonar. O ex-presidente chegou ao hospital com saturação de oxigênio em 80% e pressão arterial de 9 por 5, considerada crítica, especialmente para um paciente hipertenso.
“O que me chamou atenção foi a velocidade de instalação dessa infecção. Infecções podem evoluir de forma mais lenta ou mais rápida. Mas, no caso específico dele, do quadro de hoje, foi de forma assustadora a velocidade, porque o quadro começa às 2h da manhã, e às 8h a tomografia mostra um grau de comprometimento nos pulmões, mais acentuado à esquerda. Isso nos chama muita atenção para todo o cuidado que nós vamos ter agora e qual a forma de prevenir”, disse Caiado.
Quadro melhorou após atendimento
Apesar da gravidade inicial, a rápida transferência para o hospital foi considerada decisiva pelos médicos. Bolsonaro chegou consciente e não precisou ser intubado.
Após o início do tratamento, a pressão arterial se restabeleceu e a saturação de oxigênio subiu para cerca de 92%, com o auxílio de inalações e medicações específicas.
Tratamento envolve antibióticos e fisioterapia respiratória
O tratamento estabelecido no momento é clínico e inclui a administração de dois antibióticos potentes diretamente na veia, com duração prevista de pelo menos uma semana.
Além disso, o protocolo médico prevê sessões de fisioterapia respiratória para ajudar na limpeza dos pulmões, hidratação para combater a desidratação provocada pelos episódios de vômito e o uso de medicamentos para acelerar o esvaziamento do estômago.
Os médicos também utilizam remédios para tentar controlar crises persistentes de soluço, que fazem parte das complicações enfrentadas pelo ex-presidente.
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