Bolsonaro não tem depressão, diz laudo médico, apesar de apelos da família
Documento destaca que ex-presidente recusou psicólogo; avaliação de médicos é de que ele não precisa deixar prisão para tratar da saúde
Brasília|Gabriela Coelho e Lis Cappi, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A perícia médica feita com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão concluiu que o político não tem depressão. O laudo, divulgado nesta sexta-feira (6), também menciona que a situação de saúde dele não justifica saída do sistema penitenciário.
Além da análise feita por médicos, o laudo detalha não haver histórico de depressão em relatórios psiquiátricos de Bolsonaro nem sobre o uso de medicamentos ligados a essa enfermidade.
“Não foi comprovado que o periciado apresenta a doença. Além disso, não consta relatório psiquiátrico aventando o diagnóstico [de depressão], tampouco o tratamento medicamentoso com Escitalopram [um antidepressivo]”, diz trecho do documento.
A conclusão da perícia contraria, portanto, informações da família de que um suposto quadro depressivo de Bolsonaro deveria justificar a remoção dele da Papudinha para a prisão domiciliar.
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O parecer médico considera, ainda, que os cuidados em saúde necessários ao ex-presidente não exigem atenção fora do sistema penitenciário. “Tais comorbidades não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar”, aponta o documento.
O relatório também lembra que Bolsonaro recusou atendimento com psicólogo ou psiquiatra na cadeia: “Negou acompanhamento [...], porém referiu a visita de um pastor, a qual considerou relevante para sua prática religiosa. Não apresentou queixas compatíveis com sentimentos de menos-valia, desesperança ou anedonia”.
Resposta da defesa
Em nota à imprensa, a defesa de Jair Bolsonaro afirmou que o laudo médico não autoriza, de forma expressa, a manutenção do ex-presidente no local atual de custódia.
Segundo os advogados, o documento apenas descarta internação hospitalar imediata, mas aponta risco concreto de descompensação clínica, possibilidade de morte súbita e novas quedas caso não haja cuidados rigorosos.
A defesa também destacou que a análise médica ainda não terminou e aguarda parecer do assistente técnico indicado.
Veja a nota completa:
A defesa do Presidente Jair Bolsonaro, diante das informações veiculadas na imprensa após a divulgação do laudo médico oficial, vem a público esclarecer que o referido documento não conclui, de forma expressa, pela possibilidade de manutenção do Presidente no atual local de custódia.
O laudo se limita a registrar a inexistência de indicação de internação hospitalar imediata, consignando, contudo, que o quadro clínico descrito exige a observância rigorosa de medidas médicas e assistenciais específicas. O próprio documento reconhece que a eventual ausência dessas medidas pode resultar em descompensação clínica súbita, com risco concreto de morte, bem como aponta risco de novas quedas, em razão das condições funcionais avaliadas.
A defesa ressalta, ainda, que a avaliação técnica não se encontra encerrada, estando pendente a apresentação do parecer do médico indicado como assistente técnico, que complementará a análise sob a perspectiva da compatibilidade entre o estado de saúde do Presidente e o regime de custódia atualmente imposto.
Bolsonaro preso
O ex-presidente está preso desde 22 de novembro de 2025. Na data, ele foi levado par a sede da Superintendência da PF (Polícia Federal), em Brasília, de forma preventiva.
A mudança do local de prisão — de domiciliar para a cadeia — se deu após Bolsonaro tentar romper a tornozeleira eletrônica que usava desde agosto. Antes de ser levado para o Complexo Penitenciário da Papuda, ele admitiu ter usado um ferro de solda no aparelho.
Com a conclusão do julgamento dele pelo crime de tentativa de golpe de Estado, a pena se tornou definitiva. Condenado a 27 anos de prisão, Bolsonaro começou a cumprir a determinação judicial em uma cela da PF, mas foi transferido para o 19ª BPM (Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal) — conhecido como Papudinha —, em 15 de janeiro último.
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