Cerca de 70 mil pessoas por dia deixaram suas casas devido a eventos climáticos em 10 anos
Relatório da Acnur, apresentado na COP30, mostra que condições climáticas extremas causam deslocamentos repetidos
Brasília|Thays Martins, do R7, em Brasília
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Cerca de 70 mil pessoas deixaram suas casas diariamente devido a desastres relacionados ao clima nos últimos dez anos em todo o mundo. Ao todo, foram 250 milhões de deslocamentos internos, segundo relatório apresentado pela Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) nesta segunda-feira (10), durante a COP30, em Belém.
O relatório mostra que é ainda mais grave a situação de pessoas que vivem em zonas de conflitos. Três em cada quatro refugiados ou pessoas deslocadas por conflitos vivem atualmente em países que enfrentam exposição de alta a extrema aos riscos relacionados ao clima. O número de países que relatam deslocamentos tanto por conflitos quanto por desastres triplicou desde 2009.
A Acnur relata que um terço das emergências declaradas em 2024 foram devido aos impactos de eventos climáticos extremos sobre pessoas que já haviam sido deslocadas por conflitos. O relatório cita o caso das enchentes que atingiram Porto Alegre, em maio de 2024. Entre as mais de 1 milhão de pessoas afetadas no Rio Grande do Sul, 35 mil são refugiadas que vivem em áreas atingidas pelas fortes chuvas.
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Além disso, quase todos os assentamentos de refugiados atuais enfrentarão um aumento “sem precedentes” do calor perigoso. Segundo o documento, até 2050, os quinze campos de refugiados mais quentes do mundo vão enfrentar quase 200 dias ou mais de estresse térmico perigoso por ano. Eles estão localizados na Gâmbia, Eritreia, Etiópia, Senegal e Mali.
Para os 1,2 milhão de refugiados que retornaram para casa no início de 2025, a notícia também não é boa, metade deles voltaram para áreas vulneráveis ao clima. Para lidar com essas questões, o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, cobrou que a COP30 apresente “ações concretas, não promessas vazias”, além de destacar a importância dos financiamentos. “Os cortes no financiamento estão limitando severamente nossa capacidade de proteger refugiados e famílias deslocadas dos efeitos do clima extremo. Se queremos estabilidade, devemos investir onde as pessoas estão em maior risco. Para evitar novos deslocamentos, o financiamento climático precisa chegar às comunidades que já vivem em situação precária”, afirmou.
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