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Feminicídios crescem no Brasil e evidenciam falhas na proteção às mulheres

Casos recentes reacendem debate sobre educação, integração entre instituições e enfrentamento ao machismo estrutural para prevenção

Brasília|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, um aumento de 4,7% em relação a 2024.
  • Casos recentes de feminicídio e estupros ressaltam falhas na prevenção e proteção das mulheres.
  • Legislações existentes, como a Lei Maria da Penha, enfrentam dificuldades na sua efetivação devido à falta de educação e integração institucional.
  • Especialistas pedem uma abordagem mais ampla e corresponsabilidade entre família, comunidade e Estado para combater a violência de gênero.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Desde 2015, ano em que foi publicada lei que tipifica crime, 13.703 mulheres foram vítimas de feminicídio Joédson Alves/Agência Brasil - Arquivo

O Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio só em 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados nessa semana. O número representa um crescimento de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% na comparação com 2021.

Outro dado alarmante é de que, desde a publicação da lei que tipifica esse crime, em 2015, o país perdeu 13.703 mulheres, todas vítimas de feminicídios. O aumento dos casos ocorre, ainda, em meio ocorrências recentes de violência contra elas — como assassinatos e estupros — que voltaram a expor fragilidades na proteção a pessoas do sexo feminino.

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Para especialistas ouvidas pelo R7, embora o Brasil tenha normas federais importantes, como a Lei Maria da Penha, a efetividade dessas regras ainda esbarra em problemas estruturais, que vão desde a educação preventiva à integração entre instituições públicas responsáveis pela prevenção a casos ou pelo atendimento a vítimas.

Falhas estruturais

Para Francileide Araújo, coordenadora de Prevenção à Violência Baseada em Gênero e Raça do Governo da Bahia, uma das principais lacunas está na fragilidade das políticas educativas voltadas ao tema.

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“A Lei Maria da Penha representou um marco importante ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e também prevê estratégias de prevenção, especialmente por meio de programas educativos e ações de conscientização”, ressalta.

Contudo, muitas dessas iniciativas acabaram enfraquecidas no país entre 2016 e 2022, segundo Francileide. Nesse período, debates sobre gênero e sexualidade nas escolas passaram a ser alvo de polêmicas, de forma planejada e em várias unidades da Federação, o que afeta a proteção de mulheres e crianças.

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“Temas fundamentais para compreensão sobre desigualdades, consentimento e respeito deixaram de ser discutidos de forma sistemática nos espaços escolares. Sem esse debate, torna-se mais difícil enfrentar as raízes culturais da violência e construir mudanças sociais duradouras”, observa.

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A especialista também lembra que a prevenção à violência depende da formação adequada dos profissionais que integram a rede de atendimento, como professores, profissionais da saúde, assistentes sociais, policiais e integrantes do Judiciário.

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“A capacitação contínua é fundamental para que esses profissionais consigam identificar sinais de violência precocemente, acolher vítimas de forma qualificada e articular respostas institucionais rápidas”, elenca.

Francileide acrescenta que campanhas públicas e ações comunitárias são importantes para questionar normas sociais que naturalizam a violência contra meninas e mulheres.

Questão social e legislação

Para a socióloga Silvia Guayaná-Muiramomi, casos recentes de feminicídio que tiveram repercussão nacional demonstraram a execução ineficiente das políticas de proteção.

“Há um despreparo dos agentes de segurança pública, homens na esmagadora maioria, em acolher, proteger e identificar riscos iminentes. O abusador criminoso sabe dessa incapacidade de reação imediata, e essas mulheres, embora tenham direito à medida protetiva, acabam abandonadas à própria sorte”, critica.

Silvia acredita que a dificuldade em evitar efetivamente novos casos de violência não envolve apenas leis, mas a forma como elas são aplicadas. Para a socióloga, apesar de o Brasil ter uma legislação avançada nesse tema, é necessária uma abordagem mais ampla em torno da temática de gênero.

Ela compara essa situação à das políticas públicas focadas em crianças e idosos. As iniciativas para esses dois grupos contam com mecanismos que tratam da corresponsabilidade entre família, comunidade e Estado, como previstos nos estatutos da Criança e do Adolescente e do Idoso.

“Hoje, a violência contra a mulher ainda é tratada como um problema pontual. A Lei Maria da Penha pune o agressor, mas falta um sistema que envolva diferentes corresponsáveis e promova uma mudança social mais profunda”, completa Silvia.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Jéssica Eufrásio, editora de texto

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