Com prisão preventiva mantida, filhos de Bolsonaro visitam ex-presidente nesta terça-feira
Carlos e Flávio vão entrar separadamente e poderão permanecer por até 30 minutos na sede da Polícia Federal
Brasília|Rafaela Soares, do R7, em Brasília
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O senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro visitam nesta terça-feira (25) o ex-presidente Jair Bolsonaro na sede da Polícia Federal, onde ele está preso. As visitas vão acontecer das 9h às 11h.
Os encontros foram autorizados pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e devem durar até 30 minutos. Ambos entrarão separadamente na cela onde Bolsonaro está detido.
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O quarto filho do ex-presidente, Jair Renan, fará a visita na quinta-feira (27), seguindo as mesmas regras. Outras visitas precisarão de autorização do STF, com exceção das realizadas por médicos do ex-chefe do Executivo.
Michelle
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi à Superintendência da PF em Brasília na tarde desse domingo (23), para visitar o marido.Ela chegou às 15h ao local e a visita pôde durar até as 17h, conforme determinou a Justiça. Michelle não estava em casa quando Bolsonaro foi detido pela polícia no sábado (22). O ex-presidente estava em casa, acompanhado da filha, do irmão mais velho e de um assessor.
A ordem de prisão foi dada por Alexandre de Moraes após Bolsonaro tentar violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. E, nessa segunda (24), a 1ª Turma do STF referendou a decisão do ministro, por unanimidade, mantendo o ex-presidente preso.
Entenda
Jair Bolsonaro foi colocado em prisão domiciliar em agosto por descumprimento das medidas cautelares impostas por Alexandre de Moraes.
No despacho de sábado, o ministro informou que o Centro de Integração de Monitoração Integrada do Distrito Federal verificou a violação da tornozeleira eletrônica às 00h08 — o que configuraria uma tentativa de fuga “facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”.
O senador Flávio Bolsonaro convocou, na noite da última sexta-feira (21), uma vigília na porta do condomínio de Jair Bolsonaro. “Vigília pela saúde e liberdade do Brasil”, anunciou o filho do ex-chefe do Executivo. No entanto, para Moraes, a iniciativa teria o objetivo de gerar movimentação de pessoas no local e criar um possível ambiente de fuga.
Audiência de Custódia
Durante a audiência de custódia, realizada nesse domingo (23), Bolsonaro não apontou “qualquer abuso ou irregularidade por parte das autoridades policiais” responsáveis pelo cumprimento do mandado de prisão.
Apesar de ter admitido que mexeu na tornozeleira, o ex-presidente pontuou que “não tinha qualquer intenção de fuga e que não houve rompimento da cinta [da tornozeleira].”
Segundo Bolsonaro, ele teve uma “alucinação” de que tinha alguma escuta na tornozeleira e, por isso, tentava abrir a tampa “com um ferro de soldar.” Ele também afirmou que começou a mexer com a tornozeleira tarde da noite e “parou por volta de meia-noite.”
A prisão
Jair Bolsonaro foi preso preventivamente na manhã de sábado (22) na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Ele está em uma ‘sala de Estado Maior’, destinada a autoridades como presidentes da República — o presidente Lula e o ex-presidente Michel Temer também ficaram detidos em salas da PF quando foram presos.
Reformado recentemente, o espaço na sede da PF tem televisão, frigobar, armário e banheiro privativo.
A decisão pela prisão de Bolsonaro ainda não marca o início do cumprimento da pena de reclusão. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado para se perpetuar no governo.
Tornozeleira
Um vídeo divulgado pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária mostra o estado da tornozeleira eletrônica de Jair Bolsonaro.
Segundo relatório feito pela Polícia Federal, o dispositivo tinha sinais de avaria e marcas de queimadura: “havia marcas de queimadura em toda sua circunferência, no local do encaixe/fechamento do case”.
Em resposta, o ex-presidente informou que recorreu a ferro de solda para tentar abrir o equipamento.
Julgamento ocorreu em setembro
No julgamento concluído no dia 11 de setembro deste ano, quatro dos cinco ministros da Primeira Turma consideraram Bolsonaro culpado dos crimes de organização criminosa, golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
O único a divergir da condenação de Bolsonaro foi o ministro Luiz Fux, que, no início de novembro, solicitou transferência para a Segunda Turma do STF.
Desde então, as decisões do colegiado tem sido tomadas pelos ministros Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, devido ao pedido de aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
Bolsonaro cumpria prisão preventiva em casa desde o dia 4 de agosto deste ano por descumprir medidas cautelares impostas por Moraes.
O ex-presidente participou por meio de ligação telefônica das manifestações bolsonaristas realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, e a interação foi transmitida nas redes sociais, o que estava proibido.
Caso Eduardo
Antes disso, Bolsonaro passou 17 dias, entre 18 de julho e 4 de agosto, monitorado por tornozeleira eletrônica, por determinação de Moraes.
O ministrou avaliou que ele e o filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), tentavam coagir a Justiça no curso da ação penal do golpe por meio de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos.
Foram identificadas transferências financeiras de Bolsonaro para Eduardo nos Estados Unidos, onde o parlamentar vive desde o início do ano em busca de influenciar a gestão Donald Trump a pressionar o STF pelo arquivamento da ação contra seu pai.
A atuação de pai e filho junto ao governo norte-americano resultou em um inquérito conduzido pela PF para apurar obstrução de justiça e tentativa de interferência no processo em julgamento no STF.
No último sábado (15) a Primeira turma decidiu, por unanimidade, tornar Eduardo réu pelo crime de coação.
‘Nunca serei preso’
O tema da prisão acompanha Bolsonaro há anos. O ex-presidente já declarou em mais de uma oportunidade que não aceitaria ser preso. “Mais da metade do meu tempo, eu me viro contra processos. E até já falam que serei preso. Por Deus que tá no céu, eu nunca serei preso”, disse Bolsonaro, num discurso para empresários em maio de 2022.
Em agosto de 2021, o líder da direita foi ainda mais enfático ao dizer que teria somente três alternativas de futuro: ser preso, morrer ou vencer.
“Pode ter certeza que a primeira alternativa não existe”, emendou, ao discursar a apoiadores em Goiânia no auge da crise com o STF.
Mais recentemente, Bolsonaro mudou de discurso e disse estar preparado para ser preso a qualquer momento pela Polícia Federal.
“Durmo bem, mas já estou preparado para ouvir a campainha tocar às seis da manhã: ‘É a Polícia Federal!’”, afirmou o ex-presidente em entrevista à agência de notícias Bloomberg.
A PF cumpriu a ordem de prisão por volta das 6h da manhã na residência de Bolsonaro no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, Distrito Federal.
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