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Comissão aprova LDO de 2023 com reajuste a policiais e emendas de relator obrigatórias

Proposta segue para a análise do plenário da Câmara e do Senado; reajuste para outras categorias não está previsto

Brasília|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

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Plenário da Comissão Mista de Orçamento
Plenário da Comissão Mista de Orçamento Raisa Mesquita/Câmara dos Deputados - 29.6.2022

A CMO (Comissão Mista de Orçamento) do Congresso aprovou, nesta quarta-feira (29), o relatório do senador Marcos do Val (Podemos-ES) ao projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2023. Entre outros pontos, o documento prevê reestruturação e reajuste salarial de carreiras policiais e determina que as emendas de relator passem a ter caráter obrigatório.

Agora, a proposta segue para análise do plenário da Câmara e do Senado. A LDO estabelece as metas e prioridades da administração pública federal para o exercício seguinte e serve de base para a construção da LOA (Lei Orçamentária Anual). O projeto tem de ser aprovado até 17 de julho pelo Congresso, que só pode entrar em recesso depois disso.

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Marcos do Val apresentou um texto substitutivo ao projeto original, do governo federal. No parecer dele, o Executivo fica autorizado a conceder reajuste a integrantes da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do Departamento Penitenciário Nacional, bem como a servidores das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. O aumento vai depender da apresentação de um plano por parte do governo no projeto de Lei Orçamentária do ano que vem.

De acordo com o texto, a recomposição acontecerá caso sejam comprovadas a disponibilidade orçamentária e a compatibilidade com os limites estabelecidos na Lei de Responsabilidade Fiscal. No relatório, Marcos do Val diz que deu preferência aos policiais "considerando a importância da segurança pública no contexto das funções típicas de Estado".

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No parecer, o senador ainda autorizou o provimento de cargos e funções relativos aos concursos vigentes das carreiras policiais, que deverá ser feito até o total dos limites orçamentários constantes de anexo específico da lei orçamentária de 2023.

Antes da votação da proposta nesta quarta, o senador fez mais uma alteração no relatório e ampliou a previsão de aumento de remuneração e alteração de estrutura de carreiras para os servidores da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). 

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Marcos do Val não incluiu no relatório a previsão de reestruturação ou recomposição salarial de outras categorias do funcionalismo público, mas permitiu ao governo federal conceder mais reajustes "que não impliquem em aumento de despesa".

Emendas de relator

O relatório de Marcos do Val estabeleceu novas regras para as emendas de relator, como a de que elas comecem a ter execução obrigatória. Segundo o parecer do senador, o governo terá de encaminhar no projeto de Lei Orçamentária uma reserva para atender a essas emendas, cujo valor terá de ser equivalente à soma das reservas para emendas individuais de bancada estadual.

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Outra novidade é que as indicações e a ordem de prioridade das emendas de relator serão feitas não apenas pelo relator-geral do Orçamento, mas também pelo presidente da CMO em exercício neste ano.

Além disso, Marcos do Val determinou que todas as indicações para uso das emendas de relator informem o nome do parlamentar solicitante, mesmo que a emenda seja apresentada por demanda de agentes públicos ou representantes da sociedade civil.

O parecer do senador, contudo, não estabeleceu critérios para a distribuição dos recursos. Com isso, não haverá uma distribuição igualitária das emendas de relator entre todos os deputados e senadores.

Outros pontos

Segundo o relatório aprovado pela CMO, o teto de gastos do governo federal, norma que limita o aumento de despesas pela inflação, será ampliado. De acordo com o parecer, o Congresso poderá usar a projeção mais atualizada para a inflação deste ano para corrigir o cálculo do teto. No projeto da LDO, o teto é estimado em R$ 1,711 trilhão.

Outro ponto do relatório proíbe que os gastos com 19 setores sejam bloqueados, entre eles educação, assistência a estudantes, segurança pública, projetos das Forças Armadas, combate à pandemia de Covid-19 e outros.

Marcos do Val manteve a proposta inicial do governo de salário mínimo de R$ 1.294 para 2023, um aumento de apenas R$ 82 em relação ao valor atual, de R$ 1.212. O aumento efetivo do salário mínimo, de todo modo, dependerá da apresentação do projeto de Lei Orçamentária do ano que vem.

A inflação prevista para 2023 é de 3,3%. A meta de déficit primário (quando o governo não gera recursos suficientes para superar seus gastos) é de um rombo de pelo menos R$ 65,9 bilhões nas contas públicas. A estimativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) é de 2,5% em cada um dos próximos três anos.

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