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Conflito entre EUA e Irã pode impactar setores de energia e agro no Brasil

Especialistas entendem que uma eventual escalada significativa envolvendo os EUA pode provocar efeitos indiretos para o Brasil

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A escalating tension between the USA and Iran may impact Brazil's energy and agricultural sectors.
  • Brazil maintains trade relations with Iran, primarily in agricultural commodities like corn, soy, and meat.
  • Potential hikes in oil prices could affect Brazil's economy, leading to inflation and increased costs of transportation.
  • Involvement of powers like China and Russia may complicate the situation, with risks of expanded conflict.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Trump ameaça Irã para fechar acordo Dado Ruvic/Reuters/Illustration/File Photo

Em meio à escalada das tensões entre os Estados Unidos e Irã, o presidente Donald Trump vem dando sinais sobre um possível ataque à região iraniana caso um acordo nuclear não seja fechado nos próximos dias. Apesar da política conciliadora e diplomática do Brasil, o conflito pode trazer impactos para os setores agrícola e de energia brasileiro, avaliam especialistas.

O conflito entre os EUA e o Irã tomou uma proporção maior durante a guerra em Gaza, quando o grupo terrorista Hamas estava sendo financiado por iranianos. No ano passado, Trump retomou a campanha contra Teerã, ao mesmo tempo em que iniciou negociações relacionadas ao programa nuclear iraniano.


A escalada se deu, ainda, após a Agência Internacional de Energia Atômica declarar que o Irã estava violando suas obrigações de não proliferação pela primeira vez em 20 anos. Na sequência, o governo abriu um local secreto para enriquecimento de urânio. No dia seguinte, Israel realizou um ataque nuclear.

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Especialistas ouvidos pelo R7 entendem que uma eventual escalada significativa envolvendo os Estados Unidos pode provocar efeitos indiretos para o Brasil, especialmente impactos econômicos e diplomáticos.


Segundo a professora de relações internacionais da PUCPR Ludmila Culpi, o Brasil mantém relações comerciais com o Irã nos setores de alimentos e commodities agrícolas, principalmente na compra de produtos como milho, soja e carne. Além do agro, o preço do petróleo também pode ser pressionado.

A economista Patricia Tendolini, também da PUCPR, explica que a crise pode gerar uma cobrança por um posicionamento brasileiro em fóruns multilaterais e na condução de sua política externa, uma vez que conflitos dessa natureza mobilizam debates sobre soberania, uso da força, sanções e segurança internacional.


“Países com tradição de defesa de soluções negociadas, como é o caso do Brasil, podem ser pressionados a adotar posicionamentos públicos em organismos internacionais ou a calibrar discursos e votos de modo a preservar relações com diferentes parceiros estratégicos”, comenta.

Petróleo

Tendolini explica que um conflito direto pode provocar alta do preço do petróleo, tendo em conta que o Irã é um dos maiores fornecedores de petróleo do Golfo Pérsico. “Essa elevação do preço impactaria as cadeias produtivas globais como um todo, o que pressionaria os preços internos dos combustíveis no Brasil e indiretamente provocaria alta generalizada de preços”, diz.


Culpi acrescenta que, caso sejam aplicadas sanções extras ao Irã, pode haver impacto de queda das nossas exportações, especialmente em um cenário de exclusão do país do sistema de pagamentos internacional Swift.

Mesmo sem o início do conflito entre os EUA e Irã, a combinação entre o agravamento das divergências políticas, a mobilização militar na região e o impasse nas negociações sobre o programa nuclear iraniano contribuiu para a elevação dos preços internacionais do petróleo.

Segundo Tendolini, a principal preocupação dos mercados está na possibilidade de perturbações no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.

“Um cenário de maior instabilidade nessa rota tende a ampliar a volatilidade nos mercados internacionais e a pressionar os preços da commodity, com potenciais efeitos sobre a economia global em termos de inflação, juros e crescimento econômico. Ainda que o Brasil não dependa diretamente do petróleo iraniano, aumentos persistentes na cotação internacional podem repercutir sobre a inflação doméstica, custos de transporte, expectativas macroeconômicas e decisões de política monetária, sem contar os efeitos indiretos de uma piora da economia global”, justifica.

Repercussões da guerra

Caso um conflito entre EUA e Irã atinja seu ápice, especialistas consideram pouco provável que o governo norte-americano consiga fazer com que o regime iraniano colapse.

Para Tendolini, o sistema do país asiático tem estruturas institucionais e de segurança consolidadas, o que dificultaria operações contra o regime. Ela explica que a derrubada de um governo com esse perfil exigiria diversas intervenções prolongadas, que estão associadas a altos custos financeiros, humanos e políticos.

“Adicionalmente, confrontos externos podem produzir efeitos temporários de coesão interna, reforçando a legitimidade do regime perante segmentos da população e reduzindo a probabilidade de ruptura imediata”, completa.

Há também preocupação com a ampliação do conflito no Oriente Médio. Segundo Culpi, é possível que haja um ataque do Hezbollah a partir do Líbano e até mesmo milícias xiitas atacando bases americanas no Iraque e na Síria.

Existe, ainda, a chance de grandes potências, como China e Rússia, que possuem interesses estratégicos no Irã, se posicionarem aliadas ao governo iraniano.

“É improvável o envolvimento direto de outras potências, pois um confronto direto com os EUA para proteger o Irã teria um custo muito elevado. Mas pode-se dizer que o conflito poderia se ampliar e envolver outros países, que atuariam nos bastidores, fornecendo armas, tecnológica, entre outros”, diz Culpi.

Nesse sentido, ela completa, a China depende diretamente do petróleo iraniano e a Rússia usa drones iranianos.

“A Rússia também tem interesse em desviar a atenção e os recursos americanos da Ucrânia. Essas duas potências, por serem membros permanentes, vetariam qualquer ação no Conselho de Segurança da ONU e provavelmente forneceriam inteligência, armamento e rotas de evasão de sanções para Teerã“, conclui.

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