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Profissões do futuro: mulheres ocupam apenas uma de cada cinco vagas no Brasil

Pesquisa indica que elas estão sub-representadas nas áreas tecnológicas em expansão e concentradas em funções sob risco

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo revela que mulheres ocupam apenas 20,7% das profissões do futuro no Brasil, concentrando-se em setores em declínio.
  • Mulheres são 0,6% nas áreas tecnológicas, contra 1,8% dos homens, refletindo desigualdade na força de trabalho.
  • A concentração feminina em funções vulneráveis à automação pode aprofundar a desigualdade de renda e instabilidade no emprego.
  • Especialistas sugerem políticas de qualificação e requalificação para aumentar a participação feminina nas áreas tecnológicas e melhorar a competitividade econômica.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Atendente administrativo e operador de caixa estão entre as profissões em declínio Marcelo Camargo/Agência Brasil- 24.06.2021

As transformações tecnológicas e digitais estão redesenhando o mercado de trabalho, mas a presença feminina nas áreas mais promissoras da economia ainda é reduzida no Brasil.

Um estudo da Fiemg (Gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) mostra que as mulheres ocupam apenas 20,7% das chamadas “profissões do futuro”, enquanto os homens representam 79,3% dos vínculos formais nessas ocupações.

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O rol de ocupações inclui áreas com grande potencial de crescimento, como especialistas em big data, engenheiros de fintech, profissionais de inteligência artificial e machine learning, desenvolvedores de software e especialistas em gestão de segurança digital.

Segundo o levantamento, só 0,6% das mulheres inseridas no mercado formal trabalham nessas ocupações, enquanto o percentual chega a 1,8% entre os homens.

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Para a coordenadora da Gerência de Economia da Fiemg, Juliana Gagliardi, o cenário é resultado de fatores estruturais que ainda limitam a entrada feminina nos setores mais tecnológicos da economia.

“As profissões do futuro estão concentradas em áreas intensivas em tecnologia, dados, software e inteligência artificial, setores que exigem formação específica e trajetória profissional mais técnica. Como a entrada feminina nessas áreas já é historicamente menor, a oferta de mão de obra feminina para esses postos também acaba sendo reduzida”, analisa.

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Postos ameaçados

A especialista também destaca que há um efeito de trajetória ocupacional que influencia essa desigualdade.

“Muitas mulheres já estão inseridas em funções administrativas, de apoio e atendimento, que exigem outro tipo de qualificação e acabam gerando menor mobilidade para áreas tecnológicas”, explica.

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Além de terem pouca presença nas profissões em expansão, as mulheres estão concentradas em ocupações com maior risco de retração.

Atendentes de serviços postais, caixas bancários, operadores de digitação e de caixa, além de assistentes administrativos, estão entre as funções com o declínio mais acelerado projetado até 2030.

De acordo com o estudo, 16,8% de toda a força de trabalho feminina formal está empregada nessas ocupações — mais que o dobro da proporção observada entre os homens, que é de 6,7%.

Ampliação de vulnerabilidades e desigualdades

Para Gagliardi, essa configuração cria uma dupla vulnerabilidade para as mulheres no mercado de trabalho diante das transformações tecnológicas.

“Quando a automação e a digitalização avançam sobre funções rotineiras, administrativas e operacionais, a tendência é haver perda de postos e transições ocupacionais mais difíceis para quem está concentrado nessas atividades. Como as mulheres são maioria nessas ocupações, o choque recai de forma desproporcional sobre elas”, constata.

Segundo a economista, esse cenário pode impactar diretamente a renda feminina e ampliar desigualdades. “Isso pode gerar maior rotatividade, mais migração para ocupações de menor remuneração ou maior instabilidade, e até aumento da informalidade. Como consequência, a desigualdade de renda entre homens e mulheres pode se aprofundar.”

A sub-representação feminina nas áreas tecnológicas também pode afetar o crescimento econômico do país. “Do ponto de vista econômico, isso significa usar mal uma parcela importante do talento disponível no país. Se os setores mais promissores são justamente aqueles ligados a dados, software, IA e segurança digital, e as mulheres participam pouco deles, o Brasil reduz sua base de profissionais capazes de atender à expansão dessas atividades”, avalia.

Para a especialista, ampliar a participação das mulheres nas áreas de tecnologia é fundamental para aumentar a competitividade da economia brasileira. “Quando metade da população participa pouco dessas áreas, o país fica com menor diversidade de competências, menor oferta de profissionais qualificados e menor potencial de inovação nas empresas”, observa.

Políticas de qualificação e requalificação

Gagliardi defende que políticas de qualificação e requalificação profissional podem ajudar a reduzir essa desigualdade. “É necessário investir em programas de capacitação, incentivo à formação em STEM e ações de requalificação profissional para reduzir a desigualdade de gênero e preparar a força de trabalho para as mudanças em curso no mercado.”

📌 Formação em STEM é uma abordagem educacional e profissional que integra ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Segundo ela, essas iniciativas devem priorizar tanto a entrada de mais mulheres nas áreas tecnológicas quanto a transição profissional daquelas que hoje ocupam funções mais vulneráveis à automação.

“Essas ações devem focar não apenas em atrair e capacitar mais mulheres para as áreas tecnológicas em expansão, mas também em garantir ferramentas e oportunidades de transição profissional contínua para aquelas que hoje ocupam funções de apoio e atendimento ameaçadas de retração”, conclui.

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