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Conversas de Vorcaro revelam relações com executivos, veículos de imprensa e influenciadores

Mensagens divulgadas na última semana mostram negociações de publicidade, pedidos de alterações em conteúdos e relações pessoais

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Mensagens do celular de Daniel Vorcaro revelam negociações de patrocínios e estratégias de comunicação para defender a imagem do Banco Master.
  • Conversas indicam relação próxima entre Vorcaro e executivos de veículos de imprensa, incluindo a CEO do portal Metrópoles, Lilian Tahan, e o ex-diretor do Grupo Globo, Frederic Kachar.
  • Vorcaro teria influenciado conteúdos de influenciadores, como Gabriela Prioli, e veículos de comunicação, como Brazil Journal, IstoÉ e CartaCapital.
  • Investigações da Polícia Federal apontam suspeitas de fraudes financeiras e uso de influenciadores para defender interesses do Banco Master.

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Conversas de Vorcaro expõem relações com nomes da comunicação Divulgação/Banco Master

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, revelaram nos últimos dias uma rede de relações com executivos de comunicação, jornalistas, veículos de imprensa e influenciadores digitais. Os diálogos, divulgados por diferentes jornais, mostram negociações de patrocínios, discussões sobre conteúdos jornalísticos e estratégias para defender a imagem da instituição financeira.

Entre os nomes citados nas revelações estão a advogada e influenciadora Gabriela Prioli, o ex-diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo Frederic Kachar, a CEO do Grupo Metrópoles, Lilian Tahan, e o empresário de mídia Flávio Carneiro. As reportagens também mencionam veículos como Metrópoles, Folha de S.Paulo, Brazil Journal, IstoÉ, PlatôBR, Diário do Centro do Mundo e CartaCapital.

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As informações vieram a público em meio às investigações sobre o Banco Master, alvo de apurações relacionadas a suspeitas de fraudes financeiras e de uma estrutura de influência sobre o debate público. As mensagens indicam diferentes graus de proximidade e participação dos envolvidos, mas não significam, por si só, a comprovação de irregularidades por todas as pessoas e empresas mencionadas.

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Pagamentos de R$ 20 milhões ao Metrópoles

Segundo informações encontradas pela PF ao longo da investigação, Daniel Vorcaro opinava, editava e negociava as informações que estariam em reportagens publicadas pelo portal Metrópoles ao menos desde 2024.

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Conversas de WhatsApp divulgadas na semana passada pelo UOL mostraram uma relação íntima da CEO do portal, Lilian Tahan, com o ex-banqueiro.

Texto do Metrópoles que sugere Congresso organizado para votar punição a diretores do Banco Central Reprodução
Vorcaro, então, mandou tirar uma frase que pegava mal para o Banco Master; jornalista acatou Reprodução

Além disso, diálogos encontrados pela Polícia Federal indicam que ele autorizou ao menos R$ 20 milhões em pagamentos ao Metrópoles a partir de maio de 2024 e classificou os negócios com o site como a “coisa mais importante”.

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A negociação dos valores aparece em mensagens encontradas nas conversas de Vorcaro com Ana Lúcia Matos, que, até o fim do ano passado, era a superintendente de Comunicação e Marketing do Master.

“Daniel. Tá caro esse metrópoles. Fazendo conta aqui. Posso falar com eles? Fecho 12-15 milhões que eh bastante! Em junho ja pagamos 1 milhão”, disse Ana Lúcia em uma das conversas. “Nao! Coisa mais importante nossa vida é esse metropoles”, respondeu Vorcaro, segundo as mensagens obtidas pela PF.

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Pagamentos de R$ 516,4 mil à Folha de S.Paulo

A reportagem do UOL sobre o Metrópoles foi reproduzida pela Folha de S.Paulo. Em resposta a essa matéria, o Metrópoles publicou um texto afirmando que a Folha adiou por pelo menos 22 dias a publicação de uma reportagem sobre Vorcaro e suavizou o conteúdo após pedidos do banqueiro e de seu gestor de crise, Guilherme Barros.

Segundo o Metrópoles, o texto teria incorporado informações favoráveis ao Banco Master enviadas pela assessoria de Vorcaro. O portal também questionou uma reunião entre o banqueiro e o diretor de redação da Folha, Sérgio Dávila, que não teria sido informada aos leitores, e apontou mudanças posteriores na versão digital da reportagem. A publicação ainda revelou que Barros recebeu R$ 1 milhão de Vorcaro como pagamento vinculado ao resultado de seu trabalho.

A Folha negou ter atrasado ou amenizado a reportagem e afirmou que aguardou o prazo solicitado para ouvir Vorcaro antes de publicar o texto. O jornal confirmou o encontro entre Dávila e o banqueiro, mas disse que a reunião foi solicitada por Barros para apresentar o contraditório.

Sobre o pagamento de R$ 1 milhão a Barros, a Folha afirmou que desconhecia o valor até o vazamento das mensagens. O jornal também admitiu ter recebido R$ 516,4 mil em publicidade do grupo de Vorcaro ao longo de cinco anos, mas contra-atacou o Metrópoles ao afirmar que o portal recebeu cerca de R$ 20 milhões do banqueiro.

Gabriela Prioli e vídeos sobre o Banco Master

Uma reportagem publicada na sexta-feira (16) pelo jornal O Estado de S. Paulo revelou mensagens que indicam que Daniel Vorcaro acompanhava a elaboração de vídeos publicados pela advogada e influenciadora Gabriela Prioli sobre o Banco Master.

Segundo o jornal, de novo, os diálogos foram trocados entre o ex-banqueiro e Ana Lúcia Matos.

Em uma das conversas, a executiva informou que um contrato de 12 meses havia sido assinado envolvendo a influenciadora. As mensagens também indicam que Vorcaro recebia vídeos antes da publicação e solicitava alterações nos conteúdos.

Em julho de 2025, Ana Matos informou ao ex-banqueiro que Prioli havia incorporado sugestões feitas anteriormente. Os registros mencionam pelo menos quatro publicações relacionadas à estratégia de comunicação do Master.

A reportagem aponta que os vídeos eram apresentados ao público como opiniões independentes da influenciadora, que reunia mais de 6 milhões de seguidores nas redes sociais.

Prioli negou as acusações. Na sexta-feira, ela afirmou que nunca manteve relação comercial com Vorcaro e que o ex-banqueiro jamais editou, aprovou ou orientou seus conteúdos.

A apresentadora também questionou a ausência de documentos que comprovassem o suposto contrato e os pagamentos mencionados nas mensagens. Segundo sua equipe, não foram emitidas notas fiscais para o Banco Master ou empresas ligadas a Vorcaro. A influenciadora afirmou ainda que está adotando medidas legais diante das acusações.

Demissão no Grupo Globo

Outra revelação da semana envolveu Frederic Kachar, conhecido como Fred Kachar, que ocupava o cargo de diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio do Grupo Globo.

O executivo foi demitido na quinta-feira (15), após a divulgação de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro entre outubro de 2023 e julho de 2025.

Reportagens do UOL e da Folha de S. Paulo mostraram que os diálogos abordavam negociações de patrocínios, pedidos relacionados a reportagens, discussões sobre a cobertura jornalística do Banco Master e assuntos pessoais.

Em uma das conversas, Vorcaro procurou Kachar para promover a marca de sua então namorada, a influenciadora Martha Graeff. Os registros também mostram conversas sobre eventos e encontros privados.

Kachar estava há 29 anos no Grupo Globo e era responsável por operações que incluíam os jornais O Globo, Extra e Valor Econômico, revistas da Editora Globo e o Sistema Globo de Rádio, do qual faz parte a CBN.

Em comunicado, o Grupo Globo afirmou que as conversas revelaram uma relação inadequada entre o executivo e um anunciante. A empresa reforçou o compromisso com a ética, a transparência e a independência editorial de seus veículos.

Mensagens apontam influência sobre sites de notícias

Uma reportagem publicada pelo UOL na quinta-feira (15) mostrou que Daniel Vorcaro teria utilizado patrocínios, investimentos e acordos comerciais para ampliar sua influência sobre veículos de comunicação.

Segundo a publicação, mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro indicam interferências em conteúdos divulgados por sites como Brazil Journal, IstoÉ, PlatôBR, Diário do Centro do Mundo e CartaCapital.

Um dos casos envolve o PlatôBR, que tem entre seus sócios a empresa Foone, ligada a Flávio Carneiro, que atuava como conselheiro de Vorcaro.

De acordo com o UOL, em março de 2025, dois dias após o anúncio da operação de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília), Carneiro combinou com Vorcaro o envio prévio de textos para avaliação.

Na ocasião, o assessor teria encaminhado ao ex-banqueiro uma entrevista do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, antes da publicação.

No caso do Brazil Journal, os diálogos citam o fundador Geraldo Samor e tratativas relacionadas à publicação de conteúdos. A IstoÉ aparece em conversas envolvendo investimentos e intermediação de matérias.

O Diário do Centro do Mundo é mencionado em registros sobre pagamentos e publicações favoráveis ao ex-banqueiro. A CartaCapital aparece em negociações financeiras, incluindo discussões sobre possíveis investimentos e venda. A revista nega interferência editorial.

Conversas também citam ministro do STF

As revelações da semana não ficaram restritas a veículos de comunicação.

Uma reportagem da revista Piauí, publicada na quinta-feira (15), apresentou mensagens segundo as quais Vorcaro teria organizado e financiado uma festa com garotas de programa para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Kassio Nunes Marques, em fevereiro de 2025, em São Paulo.

De acordo com a publicação, os diálogos mostram que o ex-banqueiro participou da organização do encontro e de despesas relacionadas ao evento.

Nunes Marques negou envolvimento com a festa e afirmou não ter autorizado ninguém a agir em seu nome. O ministro também declarou não manter relação com Vorcaro ou com o Banco Master.

Investigação

As novas revelações se somam às investigações da Polícia Federal sobre a atuação de pessoas ligadas ao Banco Master e ao chamado Projeto DV, estrutura que, segundo os investigadores, teria utilizado influenciadores, jornalistas e estratégias de comunicação para defender interesses do banco e de seu controlador.

As suspeitas incluem pagamentos por conteúdos favoráveis à instituição, ataques a críticos e tentativas de desacreditar a atuação do Banco Central.

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