Brasília Covid: Saúde emite comunicação de risco para nova variante africana

Covid: Saúde emite comunicação de risco para nova variante africana

Documento tem objetivo de apoiar e fornecer informações para tomada de medidas de proteção e controle pelas autoridades 

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

Nova variante do coronavírus levou Saúde a emitir comunicado de risco

Nova variante do coronavírus levou Saúde a emitir comunicado de risco

Reprodução/Pixabay

O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde, emitiu, nesta sexta (26), um comunicado de risco sobre a nova variante africana da Covid-19, a B.1.1.529. No documento — direcionado aos gestores locais, especialistas e autoridades da área — a pasta ressalta que ainda não há nenhum caso confirmado no Brasil, mas alerta para a necessidade de acompanhar a situação no país. 

"Estar vigilante é fundamental, a partir de mudanças epidemiológicas ou resposta vacinal pelas unidades Cievs (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde) locais e nacional, acompanhando a incidência nos países", consta no documento. 

A comunicação foi direcionada às áreas técnicas do grupo de trabalho da Covid-19, do Comitê Gestor de Recursos Laboratoriais, da Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, da Rede Nacional de Vigilância Epidemiológica Hospitalar, das unidades Cievs locais e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 

Consta no documento que a variante B.1.1.529 foi identificada em 23 de novembro de 2021, na África do Sul, e que dois dias depois foi emitido um alerta sobre nova linhagem que contém mais de 30 mutações na proteína Spike. Mudanças semelhantes estão presentes nas variantes Delta e Alfa, facilitando a capacidade de infectar e de evitar os bloqueios para que a infecção se dissemine. 

Dados do Ministério da Saúde da África do Sul apontam que há atualmente 77 pessoas com a nova mutação na província da Gauteng, "mas acredita-se que os casos possam estar nas demais províncias devido ao aumento de casos exponencialmente", diz a pasta. A Gisaid, plataforma internacional de compartilhamento confiável e em tempo real das informações, também constata pacientes com a nova variante em Botswana, na África, e em Hong Kong, na Ásia. 

A variante ainda não foi classificada como de importância ou de preocupação. O critério deve ser definido nesta sexta (26), após reunião das autoridades africanas com a OMS (Organização Mundial da Saúde). 

Com a potencial variante de importância, o ministério pontua, como ação primária, a necessidade de informar à OMS os casos associados a essa cepa, bem como disponibilizar os dados, como sequenciamento completo da variante. O monitoramento e rastreio também faz parte das medidas a serem adotadas. 

Os casos suspeitos devem ser informados aos Cievs locais e nacional. "É obrigatória a notificação pelos profissionais de saúde nos canais de comunicações do Ministério da Saúde, no Formulário de notificação imediata de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública."

O governo ressalta a importância do cumprimento das medidas não farmacológicas, como distanciamento social, etiqueta respiratória e de higienização das mãos, uso de máscaras, limpeza e desinfeção de ambientes e isolamento de casos suspeitos e confirmados conforme orientações médicas.

"Estas medidas devem ser utilizadas de forma integrada, a fim de controlar a transmissão da Covid-19 e suas variantes, permitindo também a retomada gradual das atividades desenvolvidas pelos vários setores e o retorno seguro do convívio social."

As autoridades brasileiras também vão se reunir nesta sexta-feira (26) para discutir os protocolos contra a nova variante, como informou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz. 

"Discutimos isso internamente com os técnicos e vamos discutir ao longo do dia de hoje. Houve de fato uma recomendação para a suspensão dos voos vindos da África do Sul e a recomendação da vacinação de todos os estrangeiros que chegarem ao país", detalhou o secretário-executivo.

A Anvisa já emitiu uma nota técnica recomendando a suspensão de voos vindos de seis países africanos e a necessidade de realização de quarentena para os casos excepcionais. 

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