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Crise entre EUA e Irã deve gerar pressão diplomática ao Brasil e aumentar custos políticos

No último sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã sob a justificativa de ameaça à segurança

Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Conflito entre EUA e Irã gera pressão diplomática sobre o Brasil, que busca equilibrar suas parcerias.
  • O Brasil mantém uma postura conciliadora e defende soluções diplomáticas em fóruns internacionais.
  • Itamaraty condena ataques dos EUA e Israel ao Irã, destacando a importância das negociações para a paz.
  • Brasil se solidariza com os países afetados pelos ataques do Irã, reafirmando sua posição de apoio para ambos os lados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Smoke and dust rise after an Israeli strike on Beirut's southern suburbs, following an escalation between Hezbollah and Israel amid the U.S.-Israeli conflict with Iran, Lebanon, March 2, 2026. REUTERS/Mohamed Azakir
No último sábado, EUA e Israel atacaram o Irã, que revidou os bombardeios Mohamed Azakir/Reuters - 2.3.2026

O conflito entre os Estados Unidos e Irã pode gerar uma pressão diplomática no Brasil, que mantém parceria com o ocidente e países do Sul Global.

A análise, feita por especialistas ouvidos pelo R7, considera a tentativa do governo brasileiro de negociar as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump e outros acordos bilaterais, além do cenário envolvendo os Brics, que têm os iranianos como parceiros.


A economista e coordenadora dos cursos de negócios internacionais e relações internacionais da PUCPR, Patricia Tendolini, entende que o Brasil sofreria pressão dos seus parceiros do Sul Global e dos EUA para se posicionar, o que promoveria custos políticos para o governo brasileiro em qualquer cenário.

“Num ambiente de maior incerteza sistêmica, potências médias como o Brasil tendem a adotar hedging [estratégia racional de equilíbrio cauteloso], evitando comprometer-se plenamente com qualquer polo”, explica.


Tradicionalmente, o Brasil mantém uma orientação de política externa para ser um conciliador e apostar em soluções diplomáticas, sendo um grande defensor do multilateralismo.

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No sábado (28), quando a escalada no Oriente Médio se intensificou, o Ministério das Relações Exteriores divulgou dois comunicados condenando e expressando grave preocupação com os acontecimentos.


No primeiro, o governo brasileiro condenou a ação dos americanos e israelenses contra o Irã. No segundo, se solidarizou com os países atingidos pelo Irã.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o direito internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.”


Segundo a professora de relações internacionais Ludmila Culpi, a crise amplia a complexidade do posicionamento brasileiro em fóruns multilaterais e na condução de sua política externa, uma vez que conflitos dessa natureza mobilizam debates sobre soberania, uso da força, sanções e segurança internacional.

“Países com tradição de defesa de soluções negociadas, como é o caso do Brasil, podem ser pressionados a adotar posicionamentos públicos em organismos internacionais ou a calibrar discursos e votos de modo a preservar relações com diferentes parceiros estratégicos”, comenta.

O lado econômico conta

Professora do curso de relações internacionais da ESPM, Mariana Oreng lembra que a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados discute a convocação do ministro Mauro Vieira para explicar a posição do governo de Lula sobre as tensões na região. Nessa segunda-feira (2), o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu publicamente a postura adotada pelo governo brasileiro.

“De maneira geral, a posição do Brasil segue coerente com sua tradição diplomática. O país continua defendendo o multilateralismo, a soberania dos Estados e os valores clássicos da diplomacia internacional”, observa a especialista.

Por outro lado, um posicionamento mais contundente pelo Brasil teria potencial desastroso do ponto de vista diplomático e da geopolítica, mas também econômico.

“O Brasil ocupa hoje uma posição estratégica em temas ligados à segurança econômica e tecnológica. O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o que o torna um ator importante na tentativa de diversificação das cadeias globais de suprimento fora da China, que ainda concentra grande parte da capacidade de produção desses minerais”, explica Oreng.

O próprio governo brasileiro chama essa disputa de uma “busca por liderança científico-tecnológica em escala global”. A professora cita outros momentos históricos em que o Brasil esteve inserido nesse tipo de dinâmica estratégica, como a Guerra Fria.

“Por isso, qualquer mudança mais forte de posicionamento diplomático precisa considerar não apenas a dimensão política do conflito, mas também seus possíveis impactos econômicos e estratégicos no longo prazo”, opina Oreng.

Irã x EUA

O conflito entre os EUA e o Irã tomou uma proporção maior durante a guerra em Gaza, quando o grupo terrorista Hamas foi financiado por iranianos. No ano passado, Trump retomou a campanha contra Teerã, ao mesmo tempo em que iniciou negociações relacionadas ao programa nuclear iraniano.

A tensão aumentou ainda mais após a Agência Internacional de Energia Atômica declarar que o Irã estava violando suas obrigações de não proliferação pela primeira vez em 20 anos. Na sequência, o governo abriu um local secreto para enriquecimento de urânio. No dia seguinte, Israel realizou um ataque nuclear.

Após uma semana de ataques aéreos entre Israel e Irã, os Estados Unidos decidiram intervir e atacaram três instalações nucleares iranianas em Fordow, Isfahan e Natanz, em junho de 2025.

Segundo o governo Trump, os ataques prejudicaram a capacidade do Irã de obter urânio enriquecido para armas, mas o chefe da agência nuclear da ONU avaliou que o programa sofreu um atraso de alguns meses.

Após esses ataques, autoridades americanas e iranianas tentaram negociar a questão nuclear, mas não houve consenso. A falta de progresso levou os EUA a lançar novos ataques contra o Irã no último fim de semana, sob a justificativa de ameaça à segurança dos americanos.

Segundo Trump, os ataques ao Irã foram para impedir o desenvolvimento nuclear de Teerã e um programa de mísseis balísticos que, segundo ele, estava crescendo rapidamente.

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