“Cuidava dele como cuidava de um pai”, diz mãe de criança abusada por dez anos pelo marido da avó
A adolescente, hoje com 16 anos, teve uma filha fruto dos abusos que sofreu por dez anos
Brasília|Do R7, com TV Record

Os casos de abuso sexual no Distrito Federal não param de crescer. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do DF, foram registrados, só nos meses de janeiro e fevereiro de 2014, 110 casos de estupros contra crianças e adolescentes na região. Ainda de acordo com os órgãos oficiais responsáveis por pesquisas desse tipo na capital federal, 80% dos autores desse tipo de crime têm algum vínculo familiar com a vítima.
A mãe de uma adolescente – hoje com 16 anos – disse que ficou transtornada quando descobriu que o marido de sua mãe, a quem tratava como pai, abusou de sua filha dos 4 aos 14 anos. Os abusos foram descobertos há dois anos, quando a adolescente, então com 14 anos, ficou grávida de uma menina.
— Era uma pessoa de casa, morava comigo. Eu cuidava dele como cuidava do meu pai para ele vir dar uma facada dessa em mim? Qual o sentimento da gente? De muita dor. Até hoje convivo com isso. O resto da vida não vou tirar isso da minha cabeça, contou a mãe da adolescente.
Ela disse que começou a desconfiar dos abusos sexuais e perguntou para a filha. A adolescente confirmou que era estuprada pelo marido da avó há dez anos e que não havia revelado para ninguém porque sofria constantes ameaças.
— Ele dizia que, se ela contasse, ele ia me matar, matar meu marido, meu filho e enterrar a avó dela viva.
À mãe da adolescente, o homem negou ser o pai da criança, mas disse que só abusou da menina durante todos esses anos porque era apaixonado por ela.
De acordo com a coordenadora psicossocial do Pró-Vítima, Renata Delgado, o maior indício de que a criança está sendo abusada é a mudança de comportamento da vítima.
— Ela pode se tornar uma criança agressiva, arredia, apresentando comportamento de isolamento e o desempenho no colégio cai bastante.
A coordenadora disse ainda que, em casos como esses, não somente a vítima, mas toda a família deve ser acompanhada por profissionais.
— É importante o contato com profissionais que têm o conhecimento técnico para fazer toda a orientação na família e, se necessário, na escola.
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