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Diretor da Caixa encontrado morto estava no cargo há 4 meses

Desde o dia 9 de março, Sérgio Batista era chefe da diretoria responsável por receber as denúncias de corrupção e assédio

Brasília|Hellen Leite, do R7, em Brasília

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Diretor da Caixa Econômica Federal é encontrado morto no edifício
Diretor da Caixa Econômica Federal é encontrado morto no edifício

O diretor de Controles Internos e Integridade (Decoi) da Caixa, Sérgio Ricardo Faustino Batista, encontrado morto nesta terça-feira (19) na área externa da sede do banco, em Brasília, era o responsável por analisar denúncias de corrupção e assédio protocoladas por servidores nos últimos quatro meses.

O expediente na Decoi acontece remotamente nesta quarta. Abalados, os funcionários que trabalham no departamento comentam que Sérgio era um chefe discreto e generoso. Apesar de ocupar o cargo por pouco tempo, ele era conhecido nos corredores da sede.

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Os servidores do Decoi que tinham contato direto com Batista foram dispensados do trabalho presencial ainda no período da manhã. Outros, foram ao local apenas para pegar equipamentos e continuar o expediente de casa. Mais cedo, a Polícia Civil também visitou o departamento para dar andamento às diligências.

Leia também: MPT apura denúncias de assédio contra presidente da Caixa

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Batista era servidor de carreira da Caixa, estava na instituição desde 1989, e assumiu a diretoria em março deste ano após um processo seletivo interno. Ele também foi consultor-chefe do ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que deixou o cargo após ser alvo de denúncias de assédio sexual, em junho.

Servidores da Caixa, que falaram com a reportagem nesta quarta (20), destacaram o clima de medo que rondava a instituição e que foi acentuado desde que os episódios de assédio foram revelados pela imprensa. Um levantamento da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) mostra que 60% dos funcionários do banco afirma ter sido vítima de assédio moral no trabalho.

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Em nota, o banco lamenta a morte do diretor e disse colaborar com as investigações. "A Caixa manifesta profundo pesar pelo falecimento do empregado Sérgio Ricardo Faustino Batista. Nossos sinceros sentimentos aos amigos e familiares, aos quais estamos prestando total apoio e acolhimento. O banco contribui com as apurações para confirmar as causas do ocorrido", diz o texto.

Sérgio Batista

Natural de Teresina (PI), Batista ingressou na Caixa por meio de concurso público em 1989. Em 20 anos, como servidor do banco, atuou em áreas de Controles Internos e Risco e em outras funções gerenciais. O último cargo que ocupou foi o de diretor na Diretoria Executiva Controles Internos e Integridade após aprovação em processo seletivo.

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Batista era graduado em Economia pela Universidade Católica de Brasília (1999), tinha MBA Executivo em Finanças pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais - IBMEC (2002), pós-graduação latu sensu em Estatística Aplicada pela Universidade de Brasília - UnB (2014), e Mestrado em Economia pela Universidade Católica de Brasília (2010).

Mudanças nas diretorias da Caixa

A diretoria que era comandada por Sérgio Ricardo faz parte da estrutura da Corregedoria da instituição, que antes era vinculada à presidência e, após a posse da nova presidente da Caixa, Daniella Marques, passou a ser ligada ao Conselho de Administração. A mudança veio na com as denúncias de assédio envolvendo o ex-presidente do banco, Pedro Guimarães.

Segundo o banco, as alterações foram feitas para "reforçar a autonomia e isonomia da atuação da Corregedoria" e proporcionar "melhor comunicação interna, otimização, eficiência e fluidez na gestão de pessoas e processos".

Corregedoria investigava denúncias de assédio

Em junho, diante da renúncia do então presidente do banco Pedro Guimarães por suspeita de assédio, a Caixa confirmou que já havia recebido denúncias e informou que estava investigando o caso desde maio deste ano. Em comunicado divulgado para a imprensa na época, o banco destacou que o tema vinha sendo tratado pela Corregedoria de forma interna e em sigilo.

“A Caixa repudia qualquer tipo de assédio e informa que recebeu, por meio do seu canal de denúncias, relatos de casos desta natureza na instituição. A investigação corre em sigilo, no âmbito da Corregedoria, motivo pelo qual não era de conhecimento das outras áreas do banco”, divulgou.

O banco ainda afirmou na nota que fez contato com a pessoa que realizou a denúncia e promoveu "diligências internas que redundaram em material preliminar". Esse material está em processo de avaliação. "Portanto, a Corregedoria admitiu a denúncia e deu notícia ao/à denunciante, se colocando à inteira disposição para colher o seu depoimento, mantendo seu anonimato."

Investigação do Ministério Público Federal

Pedro Guimarães é alvo de uma investigação do Ministério Público Federal (MPF). Denúncias de que ele assediava sexualmente mulheres no banco foram reveladas pela imprensa. De acordo com a apuração, os casos teriam ocorrido com empregadas do próprio banco que se sentiram abusadas pelo economista em diferentes ocasiões, em eventos ou viagens de trabalho.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) também abriu uma investigação preliminar para apurar as denúncias e o Tribunal de Contas da União (TCU) solicitou informações à Caixa sobre quais mecanismos e procedimentos foram adotados para prevenir assédio sexual e moral. 

Em 5 de julho, Pedro Guimarães publicou artigo em que nega as acusações e se queixa de sofrer um “massacre insano”. O caso segue sob apuração do Ministério Público do Trabalho.

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