Brasília Diretor da CIA disse que Bolsonaro não deveria lançar dúvidas sobre sistema eleitoral, aponta agência

Diretor da CIA disse que Bolsonaro não deveria lançar dúvidas sobre sistema eleitoral, aponta agência

Afirmação foi feita por William Burns em encontro realizado no ano passado, em Brasília. Presidência da República não comentou

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro

Isac Nóbrega / PR / 04.05.2022

O diretor da CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, William Burns, afirmou a integrantes do alto escalão brasileiro que o presidente Jair Bolsonaro (PL) deveria parar de lançar dúvidas sobre o sistema de votação do país.

A informação consta em reportagem publicada nesta quinta-feira (5) pela agência de notícias Reuters. Burns deu a declaração durante uma reunião realizada em julho do ano passado, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto e que falaram sob condição de anonimato.

Burns foi e continua sendo o mais alto funcionário do governo estadunidense a se reunir, em Brasília, com o governo de Bolsonaro desde a eleição do presidente Joe Biden.

Bolsonaro ataca o sistema eleitoral brasileiro de forma frequente. Recentemente, criticou ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e defendeu uma espécie de contagem de votos paralela feita por militares no pleito que se avizinha. O presidente argumenta, sem apresentar provas, que é possível fraudar o mecanismo.

Fontes ouvidas pela agência de notícias apontam para uma potencial crise institucional, caso Bolsonaro perca a eleição em outubro por uma margem estreita. O presidente já disse que quer as Forças Armadas atuando no processo, sugerindo contagem de voto paralela por militares – que governaram o país durante o período da ditadura (1964-1985). O atual comandante do Palácio do Planalto está em segundo lugar nas pesquisas eleitorais, atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante viagem ao Brasil, Burns, que é diplomata de carreira, se encontrou no Palácio do Planalto, em Brasília, com Bolsonaro e dois assessores de inteligência – Augusto Heleno (ministro do Gabinete de Segurança Institucional) e Alexandre Ramagem (na época, chefe da Agência de Inteligência Brasileira).

Burns jantou na residência do embaixador dos EUA com Heleno e o então chefe de gabinete de Bolsonaro, general Luiz Eduardo Ramos. Na ocasião, os generais procuraram descartar as alegações de Bolsonaro. Em resposta, Burns afirmou que o presidente não deveria estar falando dessa maneira e que o processo democrático era sagrado, conforme disse uma pessoa com conhecimento do episódio.

"Burns estava deixando claro que as eleições não eram um assunto com o qual eles deveriam mexer. Não foi uma palestra, foi uma conversa", relatou a fonte .

A CIA se recusou a comentar o episódio. O R7 procurou a Presidência da República do Brasil, mas também não obteve retorno até a última atualização deste reportagem.

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