Brasília Empresários lamentam operação da PF e dizem ser vítimas de perseguição

Empresários lamentam operação da PF e dizem ser vítimas de perseguição

Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra empresários suspeitos de defender golpe de Estado

  • Brasília | Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

O empresário Luciano Hang, um dos alvos da operação da Polícia Federal nesta terça-feira (23)

O empresário Luciano Hang, um dos alvos da operação da Polícia Federal nesta terça-feira (23)

Edilson Rodrigues/Agência Senado

Os empresários que foram alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira (23) pela suspeita de terem defendido um golpe de Estado no Brasil lamentaram a ação da corporação e disseram que estão sendo vítimas de perseguição política e de denúncias falsas.

As falas dos empresários teriam ocorrido em aplicativos de conversas. Luciano Hang, dono da rede de lojas de departamentos Havan, disse que os posicionamentos emitidos pelos empresários são opiniões próprias de cada um e não podem ser entendidas como crime. 

"Que eu saiba, no Brasil, ainda não existe crime de pensamento e opinião. Em minhas mensagens em um grupo fechado de WhatsApp está claro que eu nunca, em momento algum, falei sobre golpe ou sobre STF [Supremo Tribunal Federal]", disse.

"Sigo tranquilo, pois estou ao lado da verdade e com a consciência limpa. Desde que me tornei ativista político, prego a democracia e a liberdade de pensamento e expressão, para que tenhamos um país mais justo e livre para todos os brasileiros", acrescentou. 

A defesa de Meyer Nigri, fundador da construtora Tecnisa, disse que o empresário rechaça "qualquer envolvimento com associação criminosa ou práticas que visam à abdicação do Estado Democrático ou preconizam golpe de Estado".

De acordo com os advogados, Nigri respondeu a todas as perguntas formuladas pela Polícia Federal durante a operação desta terça e concordou em ser ouvido nesta manhã para colaborar com as investigações. A defesa disse que o empresário "reafirmou sua firme crença na democracia e seu respeito incondicional aos poderes constituídos da República".

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Afrânio Barreira, dono da rede de restaurantes Coco Bambu, reclamou que "a operação é fruto de perseguição política e de denúncias falsas, as quais não têm nenhum fundamento". Segundo a defesa, o empresário está "absolutamente tranquilo e colaborando com a busca da verdade, a qual resultará no arquivamento da investigação".

Ivan Wrobel, sócio da W3 Engenharia, criticou o material jornalístico que o acusa de defender um golpe de Estado no país. "A matéria não buscou conhecer a biografia e o pensamento do Sr. Ivan antes de atacá-lo. E a tentativa banal de ouvi-lo 'pro forma' apenas deixa evidente a falta de imparcialidade no vazamento de conversas particulares", respondeu a defesa do empresário.

Os advogados afirmaram: "Transmitir fake news a respeito de pessoas que levam uma vida correta, pagam seus impostos e contribuem com a sociedade não parece que seja um caminho que se deva perseguir". 

"O Sr. Ivan teve a sua honra e a sua credibilidade abaladas simplesmente por participar de um grupo de WhatsApp", destacaram. Ainda segundo a defesa, Wrobel vai colaborar com o que for preciso para demonstrar que as acusações contra ele não condizem com a realidade dos fatos.

Marco Aurélio Raymundo, fundador da rede de vestuário Mormaii, também se manifestou por meio dos seus advogados. De acordo com a defesa, o empresário "ainda desconhece o inteiro teor do inquérito, mas se colocou e segue à disposição de todas autoridades para esclarecimentos".

Luiz André Tissot, fundador da Sierra Móveis, disse que não vai se manifestar sobre o tema. O R7 ainda aguarda os posicionamentos de José Isaac Peres, acionista da administradora de shoppings Multiplan, e José Koury, do Barra World Shopping.

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