Entenda como acordo Mercosul-UE pode baratear de saúde a alimentos para brasileiros
Acordo será assinado no próximo sábado (17) e prevê redução de tarifas de diversos produtos importados pelo Brasil
Brasília|Thays Martins, do R7, em Brasília
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O acordo entre o Mercosul e a União Europeia, fechado na sexta-feira (9) após 26 anos de negociação, trará impactos positivos para os brasileiros. O tratado prevê reduções de tarifas de diversos produtos importados pelo Brasil da Europa, o que diminuirá os preços no país. Em 2025, o Brasil importou US$ 50,29 bilhões, uma alta de 6,4% em relação a 2024.
Os principais itens importados pelo Brasil do bloco europeu são produtos farmacêuticos (medicamentos), máquinas e equipamentos industriais, veículos (automóveis e autopeças) e produtos químicos. Além desses produtos, o acordo também atingirá alimentos como queijos, vinhos e chocolates.
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“Com a redução gradual das tarifas de importação, tende a haver queda de preços em diversos produtos. Entre os principais estão medicamentos, equipamentos médicos, máquinas industriais, autopeças, veículos, defensivos agrícolas, fertilizantes, produtos químicos e bens de capital. Também há impacto potencial em bens de consumo como vinhos, queijos, azeites e alguns produtos alimentícios”, elenca Jackson Campos, diretor de Relações Institucionais da AGL Cargo.
Ou seja, aqueles produtos que têm origem na União Europeia ficarão mais baratos no Brasil, já que gradualmente terão menos impostos. O acordo prevê uma retirada dos impostos que demorará de 8 a 12 anos. “A velocidade dessa redução varia conforme o cronograma de desgravação, mas a tendência é de maior concorrência e ganhos de eficiência ao longo do tempo”, completa o especialista.
Segundo um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), publicado em dezembro de 2023, com o acordo, as importações deverão crescer mais rapidamente nos primeiros anos do acordo, respondendo à queda dos preços dos produtos importados vindos da União Europeia.
“O aumento das importações brasileiras da União Europeia estaria concentrado em alguns setores da indústria de transformação, com especial destaque para máquinas e equipamentos; veículos e peças; químicos; equipamentos eletrônicos; farmacêuticos; e produtos de metal”, diz o estudo.
No caso de veículos, o acordo prevê que se as importações da União Europeia comecem a causar danos à indústria brasileiro, devido a estarem com preços mais competitivos, o Brasil poderá suspender a eliminação gradual de impostos por até três anos.
A maior concorrência externa, como no caso dos carros, pode atingir outros setores. De acordo com Jackson Campos, é exatamente com isso que o Brasil deve tomar cuidado nos próximos anos.
“Alguns setores da indústria nacional podem enfrentar maior concorrência externa, especialmente aqueles menos preparados tecnologicamente ou com menor escala. Isso exige políticas de adaptação, investimento em produtividade e uso estratégico do período de transição previsto no acordo”, destaca.
Apesar disso, o especialista em comércio exterior ressalta que o acordo precisa ser visto para além das questões tarifárias. “Ele é, acima de tudo, um acordo de regras, previsibilidade e posicionamento estratégico. Em um mundo mais protecionista e fragmentado, o Brasil, junto ao Mercosul, passa a ter um diferencial competitivo ao se conectar de forma estável a um grande bloco econômico.”
Acordo Mercosul-UE
O acordo foi aprovado pela União Europeia nesta sexta-feira (9). A assinatura do tratado deve ser feita no próximo sábado (17), no Paraguai, que exerce a presidência temporária do bloco sul-americano.
O Mercosul e a União Europeia são dois dos maiores blocos econômicos do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e PIB (Produto Interno Bruto) de mais de US$ 22 trilhões de dólares.
Pelas redes sociais, o presidente Lula chamou a assinatura do acordo de “dia histórico” para o multilateralismo. “Em um cenário internacional de crescente protecionismo e unilateralismo, o acordo é uma sinalização em favor do comércio internacional como fator para o crescimento econômico, com benefícios para os dois blocos”, escreveu.
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