Brasília Entenda como será a vacinação com CoronaVac em crianças

Entenda como será a vacinação com CoronaVac em crianças

Composição e quantidade da vacina é a mesma aplicada em adultos. SÓ crianças a partir de 6 anos poderão receber as doses 

  • Brasília | Bruna Lima, do R7, em Brasília

CoronaVac em crianças já está autorizada pela Anvisa

CoronaVac em crianças já está autorizada pela Anvisa

Governo de São Paulo - Arquivo

A CoronaVac recebeu, nesta quinta-feira (20), aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para ser usada em crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. A vacina é a mesma aplicada em adultos, incluindo a dosagem, a rotulagem e o intervalo entre as doses. No entanto, diferente do que é permitido à população maior de idade, a agência não recomenda que o imunizante contra a Covid-19 seja aplicado de forma simultânea a outras vacinas de rotina infantil.

A orientação da Anvisa é aguardar um intervalo de 14 dias entre a aplicação da CoronaVac e a de outras vacinas previstas no calendário de imunização infantil. "Com os dados disponibilizados até o momento, não é recomendado aplicar vacina contra a covid-19 com outra vacina do calendário no mesmo dia", afirmou a gerente de Farmacovigilância da agência, Helaine Caputo. 

Arte/R7

As recomendações para a imunização das crianças contra a Covid-19 são as mesmas das desenhadas para a Pfizer/BioNTech. A Anvisa pede, por exemplo, que os locais de vacinação contra o novo coronavírus em crianças sejam distintos dos organizados para a aplicação de outras vacinas e que não ocorram junto à imunização dos adultos. 

A diretora Meiruze Freitas, relatora do processo na Anvisa, destacou que todas as orientações "são pensadas para trazer a segurança vacinal e o gestores públicos, em especial os de saúde local, avaliam e discutem a aplicabilidade, considerando a sua realidade".  

O mais importante, destacou Meiruze, é que haja equipes treinadas capazes de reconhecer a diferença entre as vacinas, sobretudo agora que o país poderá vacinar as crianças não só com a Pfizer, mas com a CoronaVac. "São volumes diferentes. É muito importante não trocar e saber permanecer com a questão da faixa etária." 

Diferente da CoronaVac, o imunizante da Pfizer para o público infantil até 11 anos possui um terço da dose destinada a adultos e pode ser aplicado a partir dos 5 anos, enquanto a vacina do Butantan recebeu aval para vacinar apenas a partir dos 6 anos. A CoronaVac também não está permitida para vacinar crianças e adolescentes imunossuprimidos. 

Na análise, o gerente de Medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes, destacou que a população imunocomprometida requer uma atenção especial devido à capacidade reduzida de gerar anticorpos. "Essa criança, muitas vezes, tem dificuldade em desenvolver essa resposta imune e, por isso, para essa população são necessários estudos e olhares específicos para saber se a vacina vai gerar os anticorpos necessários para ter a resposta", destacou, ressaltando que o estudo avaliado não trouxe essa especificidade.

Pela ausência de dados a Anvisa também não autorizou a vacinação para o público de 3 a 5 anos, faixa etária que estava contemplada no pedido do Instituto Butantan para a extensão do uso da CoronaVac. Para que isso ocorra, cabe ao instituto apresentar dados complementares para que haja uma nova análise. 

Outro ponto que não está bem definido é se haverá a necessidade de uma dose de reforço à população infantil, tanto no caso da CoronaVac quanto da Pfizer. De acordo com Gustavo, é necessário o monitoramento da imunogenicidade, ou seja, a titulação de anticorpos nas crianças ao longo do tempo, e também da efetividade, "dados gerados por meio do acompanhamento de milhões de crianças vacinadas". 

Dada as limitações, os responsáveis pela aprovação destacaram a importância da inclusão de mais uma vacina para reforçar a imunização infantil contra a Covid-19.

É importante a adesão a essa campanha como estratégia do controle da pandemia a fim de evitar mais danos à saúde das crianças e à saúde coletiva. Quero colocar a certeza que avaliamos todas as evidências para permitir essa aprovação e registro que as vacinas em uso no Brasil não são experimentais, as pessoas não são cobaias

Meiruze Freitas, diretora da Anvisa

As vacinas da Pfizer e da AstraZeneca possuem registro definitivo junto à Anvisa, já as da Janssen e da CoronaVac são ministradas com uma autorização de uso emergencial, que só é válida até que seja decretado o fim da pandemia. Caso o Butantan não solicite o registro definitivo, automaticamente a autorização do uso emergencial está suspensa com o fim da situação pandêmica. 

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