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Entenda os motivos que levaram o ex-senador Fernando Bezerra e os filhos a serem alvos da PF

Operação apura suposto direcionamento de emendas e contratos em Petrolina; PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ex-senador Fernando Bezerra Coelho e seus filhos são alvos da Operação Vassalos da Polícia Federal.
  • A investigação apura suposto direcionamento de emendas e contratos em Petrolina, com 42 mandados de busca e quebra de sigilo.
  • Recursos federais, que totalizam cerca de R$ 198,8 milhões, estão ligados à pavimentação e contratos com a empresa Liga Engenharia Ltda.
  • A defesa afirma que todos os procedimentos seguidos foram legais e que não houve conduta ilícita por parte dos investigados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

STF viu indícios de irregularidades em recursos de Fernando Bezerra Coelho para obras em Pernambuco Marcelo Camargo/Agência Brasil-09.05.2019

O ex-senador Fernando Bezerra Coelho e os filhos dele, o ex-prefeito de Petrolina (PE) Miguel Coelho e o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE), foram alvos da Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (25), com autorização do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino.

Ao todo, foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados.


A investigação apura suposto direcionamento de recursos federais e contratos de pavimentação no município de Petrolina, a partir de emendas parlamentares e TEDs (Termos de Execução Descentralizada).

A Polícia Federal aponta que parlamentares teriam destinado quantias expressivas de recursos extraorçamentários à Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), com destaque para a 3ª Superintendência Regional, sediada em Petrolina. Entre os valores mencionados estão duas transferências: uma de R$ 4 milhões, e outra de R$ 50 milhões.


O advogado André Callegari, que representa os políticos, diz que “todos os fatos serão devidamente esclarecidos e, ao final, ficará demonstrado que não há qualquer conduta ilícita praticada pelos investigados”.

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Detalhes da apuração

Segundo a representação policial, entre 2017 e 2024, Petrolina firmou convênios que somam aproximadamente R$ 198,8 milhões para pavimentação e recapeamento. Desse total, cerca de R$ 120 milhões teriam origem em emendas parlamentares ou TEDs indicados por Fernando Bezerra Coelho ou Fernando Coelho Filho.


A Polícia Federal destaca que parte relevante desses recursos foi concentrada em Petrolina, reduto político da família.

A decisão também menciona que a empresa Liga Engenharia Ltda celebrou diversos contratos com o município de Petrolina e com a Codevasf desde 2017.


Segundo os autos:

  • A empresa firmou 22 contratos com a Prefeitura de Petrolina e a Autarquia Municipal de Mobilidade;
  • Recebeu mais de R$ 190 milhões em empenhos, dos quais aproximadamente R$ 189 milhões foram pagos;
  • Parte dos recursos teria origem federal.

A representação policial afirma ainda que a Liga Engenharia não havia prestado serviços a outros municípios pernambucanos antes do início das contratações em Petrolina.

Relações familiares

Outro ponto destacado na decisão é a composição societária da Liga Engenharia.

Segundo a Polícia Federal, a empresa tem como sócios pessoas com vínculos familiares “por afinidade” com integrantes da família Coelho. Entre eles está o empresário Pedro Garcez de Souza, apontado como um dos sócios e citado na decisão por manter relação de parentesco indireto com familiares dos investigados.

A decisão descreve esses vínculos como um dos elementos considerados na apuração sobre eventual favorecimento.

A decisão também menciona achados do TCU (Tribunal de Contas da União) e da CGU (Controladoria-Geral da União) relacionados a contratos da Codevasf, incluindo:

  • Indícios de irregularidades em procedimentos licitatórios;
  • Possível formação de cartel;
  • Ausência de informações detalhadas sobre execução de recursos em alguns casos.

A Polícia Federal também cita movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo empresas ligadas ao grupo familiar, que são objeto de análise na investigação.

Defesa

Em nota, a defesa da família Coelho informou que não teve acesso integral aos autos.

Apesar disso, o advogado André Callegari disse que “todos os recursos provenientes de emendas parlamentares foram corretamente destinados, com observância da lisura dos procedimentos”.

Segundo o advogado, os órgãos beneficiados adotaram as melhores práticas de governança e execução dos recursos públicos.

Fernando Coelho Filho e Miguel Coelho emitiram uma nota em conjunto e criticaram a operação. “Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas.”

Segundo os dois, “nossa luta política não será abalada por perseguições de onde quer que elas venham”.

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