Logo R7.com
RecordPlus
R7 Brasília

‘Esquema da mochila preta’ com quase R$ 10 milhões afasta prefeito e vice de Macapá

PF aponta retirada de dinheiro após repasses para obra do Hospital Geral; valores teriam circulado até núcleo ligado à Prefeitura

Brasília|Leonardo Meireles, do R7, em Brasília

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Operação da PF investiga esquema de corrupção em Macapá, envolvendo quase R$ 10 milhões.
  • Prefeito Antônio Furlan e vice Mario Rocha foram afastados após mandados de busca e apreensão.
  • Dinheiro era retirado em 'mochilas pretas' com suspeitas de irregularidades em contratos de obras.
  • Controladoria-Geral da União identifica indícios ilícitos em transferências especiais somando R$ 128 milhões.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Operação da PF investiga desvio de dinheiro para obra em hospital de Macapá PF/Divulgação - 04.03.3036

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (4), a segunda fase da Operação Paroxismo e colocou no centro das apurações o chamado "esquema da mochila preta", mecanismo de retirada e circulação de dinheiro vivo após pagamentos da Prefeitura de Macapá para a empresa responsável pela construção do Hospital Geral Municipal.

O prefeito da cidade, Antônio Furlan, e o vice-prefeito, Mario Rocha de Matos Neto, foram afastados dos cargos.


A decisão partiu do ministro Flávio Dino. O magistrado autorizou 13 mandados de busca e apreensão em Macapá, Belém e Natal, além do afastamento de servidores municipais por 60 dias e da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados entre janeiro de 2024 e fevereiro de 2026.

Segundo a investigação, o contrato sob suspeita envolve uma concorrência eletrônica destinada à construção do hospital, com valor global de R$ 69.354.218,41.


A Controladoria-Geral da União identificou ainda indícios de irregularidades em transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”, somando mais de R$ 128 milhões entre 2020 e 2024.

A reportagem tenta contato com a Prefeitura, Furlan e Matos Neto. O espaço está aberto para manifestações.


Como funcionava

A apuração descreve uma engrenagem financeira iniciada após repasses da prefeitura à empresa Santa Rita Engenharia Ltda.

Entre janeiro de 2023 e setembro de 2024, os sócios Rodrigo de Queiroz Moreira e Fabrizio de Almeida Gonçalves realizaram 59 saques fracionados, totalizando quase R$ 10 milhões.


O dinheiro era transportado em mochilas pretas. Em 23 de maio de 2025, Rodrigo Moreira saiu de uma agência bancária em Macapá com R$ 400 mil em espécie guardados em uma mochila.

Depois do saque, deslocou-se até a residência, permaneceu cerca de 10 minutos e seguiu para outro ponto da cidade.

A investigação aponta passagem por locais de acesso restrito, como o Laboratório Dr. Paulo Albuquerque. Em uma das ocasiões, a mochila foi entregue a um homem ligado à estrutura do prefeito Antônio Furlan, que embarcou em um Fiat Cronos branco registrado em nome do chefe do Executivo municipal.

Jerqueson da Costa Rodrigues, motorista do prefeito, aparece como elo logístico. Ele realizou depósitos fracionados superiores a R$ 3 milhões em favor de empresas vinculadas ao núcleo político.

Indícios de direcionamento da licitação

Uma perícia técnica encontrou 117 composições de custo unitário idênticas entre a proposta da Santa Rita e o orçamento interno sigiloso da administração municipal.

O edital proibiu consórcios e incluiu exigências técnicas consideradas irrelevantes para o objeto do contrato. Outras empresas participantes não apresentaram histórico em engenharia pesada ou deixaram de ofertar lances.

Rayssa Furlan, atual companheira do prefeito, aparece como responsável pela empresa RCFS Médicos LTDA. Anotações apreendidas na residência do motorista indicam depósitos fracionados superiores a R$ 3 milhões destinados à empresa.

A investigação descreve a atuação como parte de engrenagem de ocultação de valores, com uso de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao núcleo político. O ministro determinou quebra de sigilos e buscas relacionadas à empresária e à companhia.

Emendas Pix sob análise

As transferências especiais permitiram entrada direta de recursos federais na conta do município. Parte desses valores financiou contratos sob suspeita.

O ministro destacou manifestação prévia da Controladoria-Geral da União, com identificação de sinais de ilicitude no fluxo dos R$ 128,9 milhões. Auditoria detalhada foi determinada para rastrear a aplicação dos recursos.

Medidas determinadas pelo STF

A decisão incluiu:

  • Afastamento do prefeito, do vice-prefeito Mario Rocha de Matos Neto, da secretária de Saúde e do presidente da comissão de licitação por 60 dias;
  • Proibição de acesso a prédios públicos e sistemas municipais;
  • Suspensão da Santa Rita Engenharia de novas licitações no Amapá;
  • Autorização para apreensão de valores em espécie acima de R$ 10 mil, joias e veículos de luxo.
Search Box

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.