Ex-ministro Franklin Martins é barrado e deportado ao fazer escala no Panamá
Segundo autoridades, a decisão foi baseada na Lei de Migração do país, que levou em consideração a prisão do político em 1968
Brasília|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República Franklin Martins foi detido e deportado após ter a entrada negada durante uma conexão aérea no Panamá na última semana. Segundo autoridades panamenhas, a decisão foi baseada na Lei de Migração do país, que levou em consideração a prisão do político em 1968, durante a ditadura militar no Brasil.
A lei do Panamá determina que estrangeiros não poderiam entrar no Panamá ou fazer conexões para outros países se tivessem cometido crimes considerados graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros e outros.
Martins afirmou que chegou a explicar aos policiais que “não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura”. Entretanto, as autoridades se recusaram a entrar em contato com a a Embaixada do Brasil.
Com o ocorrido e após uma carta ao embaixador, o governo panamenho pediu desculpas pelo ocorrido e ressaltou que o “evento não reflete a consideração e o respeito que o Governo da República do Panamá nutre pelo Sr. de Souza Martins”.
Leia mais
O ex-ministro tinha como destino final a cidade da Guatemala, onde participaria durante três dias de um seminário na Universidade Rafael Landívar.
Franklin Martins chegou a ficar em uma área fechada do aeroporto enquanto aguardava um retorno dos oficiais sobre sua documentação. De acordo com o político, a aplicação da lei se tornou mais rígida após um acordo assinado entre o Panamá e os Estados Unidos na area de segurança.
“É evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas – a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa – com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão", disse o ex-ministro à ABI (Associação Brasileira de Imprensa).
Leia a íntegra da carta enviada ao governo brasileiro:
Prezado Senhor Ministro:
Saudações cordiais.
Escrevo-lhe em relação ao recente incidente ocorrido no Aeroporto Internacional de Tocumen, envolvendo o cidadão brasileiro Franklin de Souza Martins, que estava em trânsito para a Guatemala e teve sua entrada negada devido à aplicação automática de procedimentos de imigração com base em informações dos sistemas automatizados de alerta utilizados pelas nossas autoridades.
Após analisar o incidente, gostaria de expressar que este evento não reflete, de forma alguma, a consideração e o respeito que o Governo da República do Panamá nutre pelo Sr. de Souza Martins, nem por sua distinta trajetória pública como jornalista e servidor público no Brasil durante os governos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Permita-me expressar, em nome do Governo Nacional do Panamá, nossas sinceras desculpas pelo inconveniente causado por esta situação, que ocorreu no âmbito da aplicação estritamente administrativa dos procedimentos automáticos de imigração.
Ao mesmo tempo, desejamos transmitir que o Sr. Franklin de Souza Martins será sempre bem-vindo ao Panamá e teremos o prazer de recebê-lo em nosso país em uma data que ele julgar conveniente, em um espírito de respeito, amizade e consideração por sua carreira pessoal e profissional.
Aproveito esta oportunidade para reiterar o profundo apreço do Panamá pela República Federativa do Brasil e por sua distinta liderança diplomática. As relações entre nossos dois países são excelentes, caracterizadas por estreita cooperação, diálogo político fluido e sincera amizade entre nossos governos e entre os presidentes de ambas as nações.
Reiterando os meus mais altos e distintos cumprimentos, envio-lhe minhas mais cordiais saudações.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp














