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Entre a cidade e o campo: como o crédito cooperativo mantém jovens na agricultura

Nova geração de filhos da agricultura familiar dá continuidade ao legado dos pais e inova setor com práticas focadas no sustentável

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Cooperativas de crédito no Brasil ajudam jovens a manter o legado da agricultura familiar, responsável por 77% do abastecimento alimentar no país.
  • Giseli Boldrin, cooperada da Nova Aliança Vinícola, destaca a importância do cooperativismo e do crédito rural para modernizar e expandir sua produção de uvas.
  • A história da Apicultura Attuati ilustra como os jovens mantêm viva a memória familiar ao expandir a produção de mel e produtos naturais após a morte do patriarca.
  • Iniciativas de cooperativas, como o Sicredi e Sicoob, são fundamentais para financiar e profissionalizar as práticas agrícolas, atraindo cada vez mais jovens para o campo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Família de Onésio trabalha junto para produzir queijos e atender no restaurante da propriedade Arquivo Pessoal/Reprodução – Arquivo

As cooperativas de crédito em todo o país tem ajudado a alimentar os sonhos dos jovens responsáveis pela produção da maior parte da comida consumida na mesa dos brasileiros. Dados do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) revelam que 77% dos estabelecimentos agrícolas no país são familiares e garantem o abastecimento de produtos essenciais nos domicílios, como arroz, feijão, frutas e hortaliças.

Em entrevista com quatro famílias de norte a sul do país, o R7 Planalto ouviu relatos de uma geração que se mantém no campo unida por um objetivo: continuar o legado deixado pelos antecessores e manter viva a memória de quem já partiu.


Quem está nessa jornada é Giseli Boldrin, 43 anos, uma das 600 integrantes da Nova Aliança Vinícola Cooperativa. A propriedade dela produz uvas na Serra Gaúcha, na cidade de Nova Pádua (RS), a cerca de 158 km da capital Porto Alegre. Porém, a trajetória da família é longa e começou com a mudança do avô dela da Itália para o Brasil.

Adelino Boldrin chegou ao sul do país em 1929 e foi um dos sócio-fundadores da cooperativa Nova Aliança. À época, a preocupação das famílias da região era produzir alimento para a sobrevivência. Contudo, aos poucos, e com o excedente, eles começaram a produzir vinho.


De lá para cá, o que era feito apenas em caso de sobras se tornou renda principal, e a propriedade aumentou: de aproximadamente 1 hectare (ha), transformou-se em quatro deles, quando o pai de Giseli, Rui Luiz Boldrin, assumiu o negócio. Agora, a cooperativa tem quase 13 ha sob liderança da produtora.

O caminho até as uvas

Desde a juventude, Giseli dirige tratores e frequenta eventos em espaços com pouca presença feminina Arquivo Pessoal/Reprodução – Arquivo

Giseli sempre foi apaixonada pelo trabalho no campo, embora tenha formação como professora. “Atuei como docente por sete anos, mas nunca saí por completo da propriedade. Quando tive filhos, ficou pesado [conciliar cuidados com a vinícola, aulas e atenção à família], e precisei escolher. Essa foi uma decisão difícil, porque eu também gostava muito de ensinar, só que o amor pela agricultura me fez optar por esse caminho”, relata.


A produtora rural conta que, atualmente, mesmo com um trabalho puxado, termina o dia satisfeita. E, para os dois filhos, ela se tornou um exemplo a ser seguido. A expectativa é de que, no futuro, Luana, 19, e Patrick, 17, deem continuidade à história iniciada duas gerações antes.

A produtora rural Giseli Boldrin, ao lado dos filhos: Luana, de 19 anos, e Patrick, de 17 Arquivo Pessoal/Reprodução – Arquivo

Os jovens também pretendem contribuir com os negócios a partir das inovações. Um dos planos, inclusive, envolve a compra de máquinas de colher uvas, pois esse processo ainda ocorre de forma manual na fazenda.


Se seguirem os passos da mãe, os filhos de Giseli vão comandar o negócio e dar continuidade a ele. Pelo fato de não ter irmãos homens, ela se tornou o ponto de amparo do pai e, a partir dos 18 anos, assumiu tarefas diversas na propriedade, que envolviam desde ministrar palestras a públicos majoritariamente masculinos até dirigir caminhões e levar tratores à oficina.

Assim, Giseli aproveita para deixar um recado de encorajamento às mulheres: “Nós podemos, sim, chegar ao lugar que quisermos e ocupar esse espaço. Eu gostaria que todas acreditassem que podem dar sequência a qualquer negócio no qual queiram liderar. Sem medo, porque temos capacidade para isso”.

Nova Aliança foi reconhecida como vinícola do ano 2026 pela Associação Brasileira de Sommeliers Arquivo Pessoal/Reprodução – Arquivo

Além disso, neste ano, a Nova Aliança recebeu o prêmio de Vinícola do Ano, concedido pela Associação Brasileira de Sommeliers. “É das nossas mãos — porque somos pequenos agricultores unidos — que vem o espumante reconhecido no Chile como o melhor da América Latina, o Aliança Moscatel Rosé. Também foram as mãos das mais de 600 famílias integrantes da vinícola cooperativa que levaram ao reconhecimento do melhor vinho cabernet sauvignon do Brasil, eleito pela Associação Brasileira de Enologia”, comemora Giseli.

Giseli destaca que conseguiu ampliar e qualificar o processo de produção das uvas graças ao acesso a crédito rural. “O Sicredi foi fundamental nesse processo. Ele faz diferença por ser uma cooperativa que busca o desenvolvimento e oferece taxas de juros melhores, com seguros agrícolas e soluções para proprietários [de negócios]. São muito importantes esse incentivo e essa promoção do desenvolvimento”, reforça.

E, em tempos como os atuais, ela enfatiza a defesa do cooperativismo. “Hoje, vivemos em um mundo individualizado, de muita tecnologia e correria intensa, mas só a cooperação nos permite alcançar objetivos mais rapidamente. Uma associação de pessoas em busca de algo comum sempre vai alcançar as metas antes de quem está isolado. Quando não sabemos o caminho sozinhos, é porque, talvez, uma associação seja a solução”, afirma.

Reconexão com a natureza

As irmãs Patrícia e Caroline Atuatti também confeccionam velas e cosméticos com mel Arquivo Pessoal/Reprodução – Arquivo

Quem também contou com suporte do crédito rural para dar alavancar os negócios foi a Apicultura Attuati, no outro extremo do estado sulista, na cidade de Boa Vista do Buricá. O ponto de virada para a família veio de um momento difícil: a perda do patriarca Luiz Jacó Attuati, apaixonado por abelhas, que morreu em março de 2022. Diante da perda, os filhos se mobilizaram para não apenas manter vivo o sonho do pai, mas expandi-lo.

Felipe Attuati, de 24 anos, conta que sempre acompanhou o pai, desde o berço, na produção de mel e nas visitas às melgueiras. “Sempre gostei muito disso e da pegada mais natural, de levar o alimento para as pessoas e produzir com amor”, confessa. A história deles com as polinizadoras começou quando Luiz Jacó tinha 15 anos e aprendeu o trabalho com um tio da família. Desde então, lidar com a apicultura se tornou um hobby para o pai do jovem.

“Ele gostava muito das abelhas, de vê-las trabalharem. Quando era aniversário dele, meu pai sempre ia ao mato para acompanhá-las”, relembra o jovem. E, para manter vivas essa memória e a história do patriarca, os Attuati decidiram continuar o trabalho iniciado por Luiz Jacó.

O primeiro passo, contudo, era modernizar os processos e construir uma agroindústria voltada aos produtos naturais. Nessa etapa também entrou o Sicredi, que concedeu crédito à família. “O processo foi muito tranquilo. Contamos a história de como funcionava o trabalho e o que queríamos fazer”, começa Felipe.

“Depois, passamos a trocar manejos e o estilo das colmeias, compramos máquinas motorizadas e mudamos alguns processos na agroindústria. Fomos atrás de curso para nos aperfeiçoarmos e, hoje, temos uma parceria com o Sicredi, porque, quando fazem eventos, também encomendam nossos produtos. Agora, esperamos a aprovação de nosso Selo Arte [dado pelo governo federal a produtores artesanais], o que vai nos permitir vender para o Brasil inteiro”, completa.

Desde criança, Felipe Attuati tem experiências com o pai, Luiz Jacó, e abelhas, a paixão do patriarca Arquivo Pessoal/Reprodução – Arquivo

A mudança de rota na vida de Felipe começou ainda na pandemia, a partir de uma conexão com o campo mais intensa e de uma aproximação ainda maior com o pai. Até então, ele trabalhava fora, mas, quando teve início a crise sanitária provocada pela covid-19, acabou desempregado e teve de morar com a família.

“Nessa época, comecei a entender mais sobre as abelhas, o mercado e a visão de meu pai. Eu disse que queria trabalhar com ele. Mas sempre havia o medo de não produzir o suficiente [para sustentar a todos]. Só que, quando ele morreu, tomei a decisão definitiva de continuar a tocar o negócio, porque vai ao encontro do que acredito: calmaria, natureza e cuidado com as abelhas”, detalha.

Então, o que antes envolvia apenas mel e própolis se tornou um negócio que, atualmente, inclui pomadas, cosméticos, velas, aguardente, cerveja e sabonetes produzidos pela família. A expansão do negócio se deu com a inclusão de mais parentes a Felipe: a mãe dele, Zenaide Inés, e as irmãs do jovem, Caroline e Patrícia.

Ao R7 Planalto, Caroline Atuatti, 28, falou sobre a união e o cuidado nas atividades. “A gente sabe que fazemos o que meu pai gostava e que temos levando o nome dele adiante. É um jeito de não apagar essa história. Se você não fala da pessoa, ela acaba esquecida aos poucos. Mas temos orgulho de falar dele”, completa.

A família Atuatti, da esquerda para a direita: Felipe, Patrícia, Zenaide, Caroline e Catarina Arquivo Pessoal/Reprodução – Arquivo

Caroline também menciona a atenção dada às abelhas, o que aprendeu com o pai. Hoje, elas ficam perto de barrancas de rio, para facilitar a colheita do mel na floração e evitar, por exemplo, impactos causados por agrotóxicos. E, durante o inverno, a família leva alimentos às pequenas polinizadoras.

Agora, a família pretende expandir o negócio com a abertura de uma loja física na região e a ampliação das melgueiras — hoje, há cerca de 240, mas a meta é chegar perto de 600. Outro plano dos Attuati é criar eventos de degustação de vinho, queijo e mel, com possibilidades de passeios pelos apiários, para que os visitantes entendam sobre o funcionamento das colmeias.

Diante de tantos objetivos, o legado deve continuar vivo por muitas gerações, porque a filha de Caroline, Catarina, 7, também tem enorme paixão pelas abelhas e assegura: será vendedora de mel quando crescer.

Cooperativas de crédito

Superintendente de Agronegócio no Sicredi, Vitor Moraes avalia que o jovem está mais atraído pelo campo atualmente. “Ele precisa olhar para isso e ver uma possibilidade de prosperidade. O momento do agro vem ao encontro disso, pois está com cada vez mais tecnologias, mais dados e gestão para alcançar melhores resultados”, comenta.

Atualmente, o Sicredi oferece 300 produtos diferentes, entre crédito e serviços, das mais variadas fontes, como convênios, livres ou subsidiados. “Temos mais de 3.000 agências em todo o país, em trabalho próximo a essas famílias e prestando o cuidado que elas precisam. Temos, inclusive, a iniciativa Comitê Jovem, formada por associados e focada em levar protagonismo profissional aos jovens, bem como em aproximá-los do cooperativismo. Ao todo, há 2.000 participantes”, destaca Vitor.

A carteira de crédito do Sicredi para jovens produtores de até 25 anos está em R$ 3,4 bilhões, segundo o superintendente. “Desse valor, R$ 1,7 bilhão é destinado a linhas de investimento e combina muito com este momento, com o protagonismo dos jovens para trazer mais inovação e ampliar as práticas produtivas nas propriedades”, analisa.

“Nós vemos uma profissionalização da gestão da propriedade e dos produtores somada a essa transformação com a tecnologia. O Sicredi se orgulha, por exemplo, da proximidade com os cooperados, o que nos permite entender os principais desafios, além de oferecer a melhor prateleira de serviços e soluções”, acrescenta.

Ainda segundo o superintendente, a cooperativa atua em 200 municípios que não contam com qualquer outra instituição financeira presencial. “Continuamos com olhar atento para ajudar no que é necessário do ponto de vista de investimento e de crescimento, com uma consultoria financeira cada vez mais forte. O cenário do agro tem muitos fatores que o afetam, e assumir uma visão cada vez mais plural ajuda a alcançar soluções que tragam resiliência frente ao momento climático”, pondera Vitor.

Hoje, o Sicredi conta com cerca de 700 mil produtores associados, a maioria deles (83%) com atuação na agricultura familiar.

Vida com a terra

Railda dos Santos e a mãe, Aldenia dos Santos Gama, em uma sumaúma, árvore típica da Amazônia Arquivo Pessoal/Reprodução – Arquivo

Do outro lado do país, a quase 4.000 quilômetros dos Boldrin e dos Attuati, outra família vive a mesma experiência de manter vivo um legado no campo. Essa história começou com Aldenia dos Santos Gama, 76 anos. Ela se instalou em um sítio no distrito de Nova Califórnia, em Porto Velho, na década de 1980, época em que a região era voltada à exploração das seringueiras.

Hoje, a propriedade é administrada pela filha, Railda dos Santos, 50, integrante do projeto Reca (Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado) e cooperada da Associação de Produtores Rurais do Ramal Cascalho.

Para Aldenia, a filha é um orgulho. “Ela é muito lutadora, busca conhecimento, interage, gosta de articular. Desde pequena, sempre acompanhou as nossas atividades no sítio”, conta a matriarca. Ela também diz que Railda puxou alguns dos traços de personalidade mais fortes: “Ela é caxias com ela mesma, briguenta. Tem de resolver algo não só em prol dela, mas da sociedade. E coloca a mão na massa para valer, não é uma pessoa de desistir no meio da estrada”.

Railda se divide entre o trabalho na prefeitura, pela manhã, e o cuidado com a terra, durante a noite e ao lado do marido, Gilberto Barros, 57. “Sempre morei no campo, mas nunca tinha trabalhado na roça, porque minha mãe logo fundou uma escola, e eu dava suporte em casa. Meu pai era seringueiro, e eu via as injustiças que aconteciam. Só que, naquela época, não tínhamos essa cultura de roçar, plantar e cuidar da natureza”, recorda-se.

Railda; o marido, Gilberto Barros; e Aldenia cuidam das plantações na propriedade da família, em RO Arquivo Pessoal/Reprodução – Arquivo

E, apesar de cuidar mais dos afazeres da casa, Railda sempre acompanhou as reuniões da mãe no Reca. “Esse é um legado que não posso deixar morrer. Aqui, temos o carro chefe, que é o cupuaçu, mas também o extrativismo da castanha, do açaí, e alguns estão entusiasmados com o café”, conta. A produtora rural também menciona outros itens fortes na região, como a andiroba, a pupunha, a graviola, a banana e o cumaru-de-cheiro.

Para a produtora rural, é preciso manter viva a iniciativa, que considera uma potência amazônica. “E isso tudo é adaptado à floresta nativa, formadas também a partir do projeto Reca. Meu pai e minha mãe plantaram aqui, e aprendemos o que são áreas produtivas, que elas dependem de manutenção e que a terra precisa de cuidado”, observa.

“Eu não poderia deixar de dar sequência a algo que fez e faz a diferença na vida de tanta gente da região. Ver o esforço que minha mãe fez lá atrás, em uma época tão difícil, de abrir a mente dos moradores para o cooperativismo, dá forças para lutar por isso também e trazer melhorias”, completa Railda, além de lembrar que diversos alunos do Reca têm continuado as atividades no campo para seguir um caminho iniciado pelos pais.

Cooperativismo para vencer o desânimo

Em São Roque de Minas (MG), outra família vive dos frutos do cooperativismo. Onésio Leite da Silva, de 62 anos, enfrentou primeiro a dificuldade de vender os queijos produzidos, que não eram reconhecidos.

Ele chegou a trabalhar fora para sustentar a família, porque os preços praticados por outros produtores eram subfaturados. Com a cooperativa Aprocan (Associação dos Produtores do Queijo Canastra), no entanto, conseguiu agregar valor aos alimentos e, hoje, eles chegam a todo o país.

Filha do produtor, Adriele Aparecida, 32, se juntou aos pais para auxiliar na queijaria e abrir um restaurante na fazenda. “Às vezes, ele tinha dificuldade em vender os queijos, emitir nota fiscal; então, voltei para ajudar e aprender mais sobre esse processo”, relata. “Estou orgulhosa de viver isso com eles e pretendo seguir o legado. A mão de obra é difícil, mas seguimos trabalhando firme e temos a visão de um futuro melhor.”

Financiamento à produção

Além do Sicredi, outras duas grandes redes atuam no Brasil: a Cresol e a Sicoob. Na primeira, um projeto de sucessão familiar atendeu 140 famílias desde 2023. “O objetivo é contribuir com a sucessão nos empreendimentos rurais dos cooperados, por meio de uma trilha direcionada aos responsáveis e aos filhos, para desenvolvimento de competências pessoais, técnicas e para a gestão conjunta da propriedade”, detalha a Cresol, em comunicado.

“No desenvolvimento do projeto, a cooperativa busca se aproximar da realidade das famílias, por meio dos gerentes de agências, para alinhar as contribuições corretas em cada caso. A abordagem trata da gestão compartilhada e da continuidade das atividades, com a profissionalização dos envolvidos e considerando que diferentes gerações estarão envolvidas por muito tempo nas atividades da propriedade”, completa o texto.

A partir disso, o projeto opera de forma integrada com os aspectos comportamentais da família: “um plano para a continuidade ocorrer, ser profissionalizada e, também, para gestão administrativa e financeira da propriedade”.

Esse ponto de suporte é fundamental na visão de Leonardo Martins Ribeiro, coordenador de Agronegócios do Sicoob. “Mais do que dar o crédito, é preciso ensinar a usá-lo bem. Como cooperativa, temos o papel de promover a educação financeira no campo, garantindo a saúde financeira dos nossos cooperados e das propriedades deles.”

O que é o crédito rural?

Leonardo detalha que o crédito rural é um tipo de financiamento destinado a produtores rurais, cooperativas e associações, para custeio, investimento e expansão das atividades no campo. “Ele é o motor que impulsiona desde a agricultura familiar até o grande agronegócio exportador”, completa.

Ainda segundo o coordenador, o recurso pode ser usado para diferentes objetivos:

  • Custeio: cobrir despesas do ciclo produtivo, como compra de sementes, fertilizantes e defensivos;
  • Investimento: compra de máquinas e equipamentos, correção do solo, construção de armazéns ou investimento em tecnologia e irrigação;
  • Comercialização: apoiar o produtor na venda dos produtos, permitindo que ele consiga armazenar os itens para vender no melhor momento;
  • Industrialização: agregar valor à produção, como no processo de transformar o leite em queijo ou a uva em vinho.

“No Sicoob, o cooperado procura a agência, onde ele não é apenas um cliente, mas dono do negócio. Nossos gerentes, que conhecem a realidade local, avaliam o projeto, bem como viabilidade técnica e econômica, e buscam a linha de crédito mais adequada. Por sermos uma cooperativa, nosso foco é o sucesso do produtor, pois o resultado dele é o de toda a cooperativa”, ressalta Leonardo.

Atualmente, o Sicoob tem 591 mil cooperados produtores rurais e, dessa base, 75% são de pequenos produtores. “Temos marcado presença em mais de 400 municípios, onde somos a única instituição financeira e temos a maior rede de atendimento, com mais de 4.800 pontos”, afirma.

“No entanto, nosso diferencial é estar onde muitos não estão. Temos forte atuação no Sudeste, com o café e a cana-de-açúcar, e expandimos para o Nordeste e o Mato Grosso do Sul, com fomento a culturas regionais e levando desenvolvimento para as áreas que mais precisam”, finaliza o coordenador.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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