Brasília Exército pede ao Facebook dados de militares envolvidos em fake news

Exército pede ao Facebook dados de militares envolvidos em fake news

Instituição afirma que não fomenta desinformação nas redes sociais; empresa excluiu perfis de duas pessoas que atuam na força

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

Exército afirma que exige de seus profissionais o cumprimento de deveres militares

Exército afirma que exige de seus profissionais o cumprimento de deveres militares

Pedro França/Agência Senado - 10.08.2021

Após o Facebook excluir contas e perfis por causa de disseminação de fake news no Brasil, incluindo páginas de duas pessoas que atuam no Exército Brasileiro, a força afirmou que não fomenta a desinformação por meio das mídias sociais e informou ter solicitado à Meta – holding que administra o Facebook, o Instagram e o WhatsApp – o acesso aos dados relacionados à atuação dos militares.

Segundo o relatório, a empresa acredita que os dois militares envolvidos na disseminação de notícias falsas exercem funções na cavalaria. "O Exército Brasileiro não fomenta a desinformação por meio das mídias sociais. A instituição possui contas oficiais nessas mídias e obedece às políticas de uso das empresas responsáveis por essas plataformas", afirma o Exército.

A instituição informou que já entrou em contato com a Meta para "viabilizar, dentro dos parâmetros legais vigentes, acesso aos dados que fundamentaram o relatório, no que diz respeito à suposta participação de militares nas atividades descritas".

Segundo a nota, o Exército exige de seus profissionais o cumprimento de deveres militares, "como culto à verdade, à probidade e à honestidade".

O Facebook informou, nesta quinta-feira (7), que removeu uma série de contas que violam a política da empresa, incluindo perfis no Facebook e no Instagram de duas pessoas que atuam no Exército brasileiro.

A remoção das contas ocorreu por disseminação de informações falsas, principalmente sobre meio ambiente. Os perfis e páginas eram pessoais, não havendo participação do Exército na reprodução do conteúdo.

A informação consta no relatório de ameaças do primeiro trimestre de 2022 da empresa. Com base nos dados levantados pelo documento, foram removidos no país 39 perfis do Instagram e 14 contas e 9 páginas do Facebook. Foram listados ainda casos na Costa Rica, Rússia, Ucrânia, Filipinas, Irã e Azerbaijão.

Questões sociais e políticas

A atividade brasileira dessas contas se deu em duas fases. Na primeira, em 2020, o conteúdo envolvia informações sobre questões sociais e políticas, incluindo reforma agrária e pandemia de Covid-19. Em 2021, foram criadas páginas de ONGs fictícias com conteúdo focado em questões ambientais, com publicações que diziam, por exemplo, que o desmatamento da floresta nem sempre é prejudicial.

O documento, ao qual a reportagem do R7 obteve acesso, demonstra que a investigação encontrou ligações com duas pessoas ligadas ao Exército brasileiro. A partir daí a empresa compartilhou os dados com outra companhia, que realiza monitoramento nas redes sociais.

Carreira militar

Nesse relatório, produzido pela Graphika, há mais detalhes sobre a atuação dos dois militares. Os indivíduos serviam ao Exército em dezembro de 2021. A confirmação de que eles eram militares foi feita com base em registros do governo brasileiro de pagamentos de funcionários federais, de imagens compartilhadas por eles próprios trajando farda e outras fotografias pessoais, tiradas num período de dez anos.

"Os nomes [dos militares] também correspondiam com registros do governo brasileiro e documentos públicos militares, incluindo resultados de exames de admissão do Exército e tese de graduação numa escola militar, o que nos permitiu rastrear que suas carreiras foram iniciadas em 2012 e 2014", diz o documento.

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