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‘Faltou coordenação’, avalia ex-secretário Nacional de Segurança Pública sobre operação com mais de 120 mortos no Rio

Coronel José Vicente da Silva Filho critica ausência de planejamento e cobra ação política para conter avanço de facções no estado

R7 Planalto|Edis Henrique Peres, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Coronel José Vicente da Silva Filho critica a operação no Rio de Janeiro que resultou em mais de 120 mortes, incluindo policiais.
  • A falta de planejamento e coordenação nas forças de segurança é apontada como fator principal para o fracasso da ação.
  • Os impactos negativos na população, como bloqueios de importantes vias, agravam a situação de insegurança no estado.
  • O coronel destaca a responsabilidade do governo estadual na escalada da violência e a necessidade de um debate real sobre segurança pública.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Operação resultou em pelo menos 120 mortos Tomaz Silva/Agência Brasil - 29.10.2025

“Falta de coordenação” e uma “história que se repete”. É assim que o ex-secretário Nacional de Segurança Pública, coronel José Vicente da Silva Filho, define a operação realizada nesta terça-feira (28) pelo governo do Rio de Janeiro, que terminou com pelo menos 120 mortos, entre eles quatro policiais.


“Essa operação pode ser considerada um desastre trágico com mais de 60 mortos [números foram atualizados para 124 mortes nesta quarta], sendo quatro policiais, o que já é uma tragédia por si mesmo”, afirmou o coronel à coluna R7 Planalto.

Para José Vicente, o fracasso da ação começou antes mesmo de sua execução, resultado de uma série de falhas de planejamento e de falta de articulação entre as forças de segurança. Ele destacou também os impactos à população durante o confronto.


“A própria repercussão envolvendo a cidade, com bloqueio, ainda que parcial, de vias e artérias importantes, como a Avenida Brasil, a Linha Amarela e a Linha Vermelha, complicou muito a vida da população. O que fica é o seguinte: o que vai acontecer agora, amanhã e depois?”, questionou.

Segundo o ex-secretário, o governo estadual não tem garantido estrutura e planejamento adequados à área da segurança pública.


“[O governador Cláudio Castro] Reclama do governo federal, mas ele está com um contingente há anos da Força Nacional de Segurança, composto por PMs de outros estados. E esse contrato vai ser renovado pela 11ª vez”, criticou.

José Vicente também apontou que quase 3 mil policiais militares do estado atuam fora da segurança pública, em funções administrativas ou ligadas a outras secretarias.


“Esse é um ativo importantíssimo que daria para montar uns sete batalhões e ocupar toda essa região [de comunidades dominadas pelo crime]”, explicou.

Para ele, a principal responsabilidade sobre o avanço das facções é do governo estadual.

“O governo federal faz uma pequena parte, que podia ser maior, mas a grande responsabilidade por tudo que acontece no Rio de Janeiro — domínio de territórios, entrada de drogas e armas — é do governo do Estado”, afirmou.

Segundo o coronel, a falta de integração entre os órgãos estaduais é outro problema grave.

“Ele [Cláudio Castro] tem uma enorme confusão nas mãos, porque tem três secretarias ligadas à segurança, e caberia a ele coordenar, coisa que ele não faz”, disse.

José Vicente também criticou o baixo desempenho da Polícia Civil.

“A Polícia Civil do Rio de Janeiro já foi declarada como a segunda pior polícia em questão de homicídios, o que é um bom termômetro da eficiência de investigação de uma instituição policial”, acrescentou.

O especialista lembrou que o trabalho contínuo nas comunidades poderia reduzir a força do crime organizado, mas esse tipo de ação perdeu força após o enfraquecimento das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

“As UPPs não foram incluídas em um grande plano de segurança do Estado e, com a sucessão de governos, foram sendo descontinuadas por falta de apoio, de suporte e de integração com o conjunto da segurança pública. O resultado é que as facções cresceram nesse espaço pela incompetência [das polícias do Estado], inapetência e fragilidade de planejamento e operação”, avaliou.

Apesar das críticas, o coronel reconheceu a complexidade do enfrentamento ao crime organizado.

“Os criminosos não crescem apenas por seus próprios méritos. Eles crescem também, e principalmente, pelo espaço concedido pelas autoridades”, afirmou.

Por fim, José Vicente expressou esperança de que a tragédia estimule um debate real sobre segurança pública no estado.

“O fato é que se passa uma semana, um mês, e as pessoas vão esquecer disso. Infelizmente, essa história vem se repetindo e não vejo motivo para pensar que dessa vez vai ser diferente”, lamentou.

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