Fim da escala 6x1: oposição opta por ficar de fora do debate no primeiro dia de plenário
Estratégia de aliados de Flávio Bolsonaro é evitar que votação da PEC ocorra antes do segundo turno das eleições
Brasília|Yumi Kuwano, do R7, em Brasília
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Os parlamentares contrários à aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1 não se posicionaram no primeiro dia de discussão do tema no plenário do Senado nessa terça-feira (6).
Com o espaço aberto aos senadores para defender ou criticar a proposta, com exceção da participação de Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), que ressaltou que a aprovação pode criar um “choque na economia”, apenas os defensores da PEC se manifestaram na tribuna.
A sessão também foi esvaziada de representantes de partidos que são contrários à redução da jornada de trabalho.
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a Presidência da República no segundo turno das eleições, têm evitado falar sobre o tema, para não “contrariar” o eleitorado. A ideia é deixar a análise para depois das eleições e emplacar uma proposta alternativa que permita uma jornada flexível.
Para Flávio, a discussão do fim da escala antes do segundo turno, no próximo dia 25, é “oportunista”. A pauta é uma das bandeiras da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição na disputa com Flávio.
PEC ficou três meses parada
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautou três sessões para discutir o fim da escala 6x1 nesta semana. Pelo regimento, são necessárias cinco sessões de discussão antes de uma PEC ser votada em primeiro turno. Para o segundo turno, são previstas mais três sessões.
Nessa terça, Alcolumbre disse que outras duas sessões serão pautadas para a próxima semana, mas evitou se comprometer com uma data para a votação. A expectativa é de que a proposta já seja votada em primeiro turno a partir de quarta-feira (14).
O presidente ainda disse que já sabe o seu voto e que cada um deve votar com a sua consciência. “Cada um precisa estar preparado para, neste dia, no dia adequado do ponto de vista regimental, poder escolher com o seu coração, com a sua consciência e com a sua história, ver se vai votar a favor do fim da escala 6x1 ou se vai votar contra o fim da escala 6x1”, comentou.
O texto, que reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso por semana, sem redução salarial, foi aprovado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) no início de setembro, após três meses parado no Senado desde que foi analisado na Câmara.
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