Flávio Bolsonaro e Lula miram eleitores que não votaram no 1º turno, mas enfrentam resistência
Pesquisa Real Time Big Data mostra que 78% dos eleitores que não votaram no 1º turno não devem ir às urnas novamente
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A alta resistência dos eleitores que se abstiveram no primeiro turno tornou a mobilização para a segunda etapa da eleição presidencial um desafio para as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Pesquisa Real Time Big Data mostra que 40% dos eleitores que não votaram no primeiro turno afirmam que com certeza não irão às urnas novamente, enquanto 38% dizem que provavelmente não votarão. Apenas 14% estão certos ou provavelmente certos de que vão comparecer, e 8% ainda estão em dúvida.
O levantamento, realizado nos dias 6 e 7 de outubro com 1.600 entrevistados, ouviu especificamente 400 pessoas que se abstiveram no primeiro turno. A margem de erro é de três pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%.
O cenário também revela que quase metade desse eleitorado já considera definida sua posição para o segundo turno: 48% afirmam estar totalmente decididos, enquanto 30% dizem que a escolha está quase definida, mas ainda pode mudar. Outros 18% estão bastante indecisos e 4%, totalmente indecisos.
Leia Mais
Desinteresse
A dificuldade das campanhas está relacionada, em parte, às razões que levaram esse eleitor a não votar. Segundo o estudo, 28% dos abstencionistas dizem que não tinham interesse na eleição, 19% afirmam que não se identificavam com nenhum candidato e 18% estavam insatisfeitos com todos os concorrentes. Outros 11% não queriam escolher entre as opções disponíveis.
O levantamento também mostra um grau elevado de insatisfação com o país nesse segmento. 71% dos eleitores que se abstiveram se dizem muito insatisfeitos com a situação atual do Brasil, contra 12% de insatisfeitos e 17% que se declaram satisfeitos ou muito satisfeitos.
O dado ajuda a explicar por que a disputa por esse público não passa apenas pela escolha entre Lula e Flávio. Há também o desafio de convencer parte dessas pessoas a voltar às urnas.
A abstenção do primeiro turno de 2026 chegou a 33,36 milhões de eleitores, ou 21,07% do eleitorado apto, maior percentual registrado desde 1998. Historicamente, a ausência costuma crescer no segundo turno.
Transformar abstenção em voto
Na campanha de Lula, a estratégia é manter a busca por eleitores que ficaram fora do primeiro turno, mas concentrando esforços onde há possibilidade de conversão em votos.
A coordenação petista trabalha para mobilizar a militância nos estados, alcançar eleitores indecisos e atuar em regiões onde a abstenção foi elevada, inclusive locais nos quais Lula já apresentou desempenho relevante. A campanha também avalia a interlocução com segmentos religiosos, entre eles igrejas evangélicas e católicas.
O movimento se soma à tentativa de Lula de conquistar o eleitorado de Augusto Cury, terceiro colocado no primeiro turno, e de dialogar com setores que votaram em candidatos como Ronaldo Caiado e Renan Santos, nos quais há maior resistência ao PT.
Transferência de votos
Na campanha de Flávio Bolsonaro, a estratégia é diferente. Em vez de concentrar o esforço exclusivamente nos abstencionistas, a orientação é buscar o máximo possível dos votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno, especialmente de Augusto Cury, e ampliar o diálogo com o eleitorado de centro.
O candidato também vem utilizando os apoios conquistados entre partidos e parlamentares eleitos para reforçar o discurso de governabilidade. A ideia é apresentar ao eleitor a possibilidade de contar com uma base política no Congresso para implementar as propostas defendidas durante a campanha.
A movimentação ocorre em paralelo à tentativa de ampliar a coalizão eleitoral. Além do Podemos, Flávio já recebeu apoio formal de União Brasil, PP, Republicanos e Novo.
Obstáculo
Os números do Real Time colocam, portanto, um obstáculo específico para as duas candidaturas. Embora exista uma parcela relevante de abstencionistas que ainda possa mudar de comportamento, 78% afirmam que provavelmente ou com certeza não votarão no segundo turno.
Entre os que foram às urnas no primeiro turno, a disposição para participar novamente é significativamente maior: 68% dos eleitores de Cury dizem que com certeza votarão, assim como 50% dos eleitores de Renan Santos e 74% dos eleitores de Caiado.
O cenário ajuda a explicar por que as campanhas adotam caminhos distintos. Lula mantém uma ofensiva específica para tentar transformar parte da abstenção em comparecimento, enquanto Flávio concentra esforços na transferência de votos dos candidatos derrotados e na ampliação do diálogo com o centro.
Com quase metade dos abstencionistas já considerando definida a posição para o segundo turno, a disputa passa menos por um eleitorado totalmente aberto e mais pela capacidade de cada campanha de identificar quem ainda pode ser mobilizado e, principalmente, quem pode ser levado de volta às urnas.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp















