Brasília Focos de queimadas aumentam 41% no Distrito Federal 

Focos de queimadas aumentam 41% no Distrito Federal 

Cerrado é o bioma mais devastado por incêndios florestais em 2022

  • Brasília | Jéssica Moura, do R7, em Brasília

Incêndio florestal

Incêndio florestal

Divulgação/ CBMDF

Altas temperaturas e baixa umidade: com o período de estiagem no Distrito Federal, as queimadas ficam mais frequentes. E práticas como queima de lixo e restos vegetais também contribuem para a deflagração do fogo.

De acordo com o monitoramento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), até 24 de julho, o DF registrou 79 focos de incêndios. O montante é 41% maior do que o computado por imagens de satélite no mesmo período do ano passado.

Em todo o país, os focos de queimadas se concentram no bioma que predomina no Centro-Oeste: 49,9% dos casos atingiram o cerrado e devastaram 21.346 km² de vegetação.

Na última sexta-feira (22), um incêndio de grandes proporções atingiu um setor de chácaras no Jardim Botânico. O fogo, que se espalhou por vários lotes ao longo de 2 hectares, consumiu vegetação nativa, pomares, e até carros foram antigos. Os próprios moradores ajudaram a conter as chamas, que só foram extintas depois de três horas de esforços.

Monitoramento

O Corpo de Bombeiros também monitora essas ocorrências. O painel da corporação mostra que houve uma queda de 227% nos acionamentos para o mês: em julho, houve 539 chamados do tipo, contra 1.766 no mesmo período do ano anterior. A área queimada também encolheu pela metade: passou de 2.371 hectares, em julho de 2021, para 1.015 ha, neste ano.

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) acompanha as queimadas nos parques e unidades de conservação no DF. Até 21 de junho, foram notificadas 148 ocorrências, que consumiram 503,15 hectares: mais da metade dos focos de incêndios se concentrou apenas no mês de junho e 80% da área queimada foi incendiada.

Seca

Nesta segunda-feira (25), a capital federal completou 79 dias sem chuvas. O recorde no DF são 163 dias, ocorrido em 1963. A última precipitação foi registrada em 6 de maio pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Com isso, a umidade relativa do ar caiu a taxas classificadas dentro do espectro de estado de alerta e atingiu os 17% em 17 de junho, o menor índice do ano.

Desse modo, o DF, assim como todo o Centro-Oeste, o interior do Nordeste e Sudeste, está situado na zona crítica para risco de fogo.

Prevenção

O Corpo de Bombeiros ressalta que a principal medida para prevenir os incêndios florestais é a construção de aceiros. A corporação especifica que uma faixa de pelo menos 4 metros de largura deve ser capinada ao redor das propriedades rurais para proteger os imóveis e os moradores. 

Outra alternativa são os aceiros verdes, quando plantas mais difíceis de queimar, por reterem muita umidade, são alinhadas.

O Ibram recomenda ainda que a população fique atenta à limpeza dos terrenos, para manter o mato capinado onde for fazer fogueiras ou colocar velas, não descarte bitucas de cigarro na vegetação e que as queimas controladas só sejam feitas com autorização do Ibama.

Já a técnica do combate "fogo contra fogo" é desaconselhada pelos militares, pois pode ampliar o alcance das chamas.

Políticas públicas

No início de março, o Governo do DF decretou estado de emergência ambiental, com a chegada da seca, que deve durar até novembro. A medida exige que os órgãos que integram o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais do Distrito Federal adotem ações necessárias para reduzir os danos.

O Ibama reforçou a contratação temporária de brigadistas para atuar no período mais crítico da estiagem. A previsão é que 150 sejam chamados.

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