Banco Master: servidores do BC aliados de Vorcaro ganham até R$ 61 mil por mês
Suspeitos são investigados por fornecer orientações estratégicas sobre processos administrativos e prestar consultoria ao Master
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Os dois servidores de carreira do Banco Central suspeitos de terem ligação com o caso Master chegaram a receber remuneração de R$ 61,7 mil na autarquia, segundo informações do Portal da Transparência. Os funcionários públicos, afastados do cargo por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, trabalham na instituição financeira desde 1998.
No caso de Belline Santana, que ocupava o cargo de chefe do Departamento de Supervisão Bancária, a remuneração básica bruta era de R$ 45.947,05. Com as deduções, o valor líquido ficava em R$ 34.665,37.
Já Paulo Sérgio Neves de Souza, que atuava como chefe-adjunto do mesmo setor, tinha remuneração básica bruta de R$ 38.929,20. Porém, em janeiro último, o servidor recebeu R$ 61.730,88, devido a acréscimos de gratificação natalina (R$ 21.156,02) e férias (R$ 14.104,02).
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Ambos são suspeitos de fornecer orientações estratégicas sobre processos administrativos e prestar consultoria ao Master. O R7 entrou em contato com o BC e tenta localizar as defesas dos servidores. O espaço segue aberto para manifestações.
A decisão de Mendonça estabelece que os dois servidores serão monitorados por tornozeleira eletrônica, além de ficarem proibidos de manter contato com outros investigados, ir ao Banco Central e sair da cidade em que moram. Ambos também tiveram de entregar os passaportes à Justiça.
Mais cedo, a PF prendeu Daniel Vorcaro em São Paulo, em virtude de ameaças e do hackeamento de celulares, como tentativa de obstruir as investigações. Por meio de nota, a defesa de Vorcaro informou que “o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.
A operação investiga uma “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.
Servidores do Banco Central
Paulo Sérgio prestava consultoria informal e contínua a Vorcaro, segundo as investigações, fornecendo orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos que envolvessem o Master ou até sugerindo abordagens e argumentos a serem usados em reuniões com dirigentes da autarquia reguladora.
“Paulo Sérgio atuava como interlocutor interno dos interesses do Banco Master dentro do Banco Central, buscando influenciar a análise de processos administrativos, fornecer informações sobre procedimentos em curso e indicar estratégias para contornar dificuldades regulatórias enfrentadas pela instituição financeira”, diz o documento.
Já Belline Santana prestava consultoria estratégica a Vorcaro, discutindo temas relacionados à situação regulatória do Master, fornecendo orientações acerca da condução de processos administrativos e participando de tratativas voltadas à definição de estratégias institucionais do banco em relação ao Banco Central.
“As investigações também apontam que Belline Santana demonstrava acompanhamento próximo de decisões administrativas e movimentações institucionais envolvendo o Banco Master, mantendo o controlador do Banco Master informado sobre temas relevantes relacionados à atuação da supervisão bancária”, aponta o texto.
Posicionamento do BC
O Banco Central informou, nesta quarta-feira (4), que identificou indícios de recebimento de vantagens indevidas por dois servidores da instituição no contexto de processos de fiscalização e liquidação que envolviam o Banco Master. A instituição financeira detalhou que a suspeita surgiu a partir de uma revisão interna, e os casos foram imediatamente comunicados à Polícia Federal.
Ainda segundo o BC, os servidores foram afastados cautelarmente das funções, tiveram o acesso aos sistemas bloqueado e são alvo de procedimentos correcionais. A instituição acrescentou que, respeitando o devido processo legal e o direito à ampla defesa, eventuais condutas irregulares serão punidas como previsto em lei.
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