Governo e deputados marcam nova reunião para debater concessão da Rodoviária do Plano Piloto
Parlamentares disseram que dados do governo estão divergentes; novo encontro será decisivo para votar proposta antes de recesso
Brasília|Edis Henrique Peres, do R7, Brasília

A reunião entre o secretário de Transporte e Mobilidade (Semob), Flávio Murilo Prates, e os deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para esclarecer pontos sobre a concessão da Rodoviária do Plano Piloto, nesta quarta-feira (6), terminou sem avanços depois de mais de duas horas de embate.
Deputados afirmaram que o governo apresentou dados divergentes e não respondeu a todas as dúvidas dos parlamentares. A expectativa da base é aprovar a concessão ainda este ano, antes do recesso da Casa, no entanto, para a oposição o atual modelo da concessão não beneficia a sociedade.
• Clique aqui e receba as notícias do R7 no seu WhatsApp
• Compartilhe esta notícia pelo WhatsApp
• Compartilhe esta notícia pelo Telegram
• Assine a newsletter R7 em Ponto
O projeto tramita na CLDF desde 2021 e prevê que a empresa vencedora da licitação seja responsável por obras de recuperação estrutural do viaduto da plataforma da rodoviária, obras de adequação viária no entorno do terminal e construção de plataforma para o BRT. A concessão ainda precisa ser aprovada em duas comissões para ser votada em plenário: a de Transporte e Mobilidade Urbana; e a de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle.
Para o presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana, Max Maciel (PSol), o projeto não deveria ser votado ainda este ano. “A nossa proposta em contraposição é que não tem urgência em votar esse projeto, ele não está maduro o suficiente. A rodoviária tem problemas, mas não é de agora, é um problema histórico de ausência de investimento do próprio governo atual”, declarou.
Outros pontos levantados pelos deputados de oposição é o número de vagas no estacionamento. O deputado Fábio Felix (PSol) avaliou que a reunião era para ser decisiva, mas faltaram dados. “Tinha muita divergência entre os dados disponíveis na transparência do governo e os dados que o secretário trouxe aqui. Agora a secretaria deve reunir as informações necessárias até segunda-feira (11), na próxima reunião”, disse.
A presidente da Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle, Paula Belmonte (Cidadania) afirmou que o momento é de esclarecimento de dúvidas. “Nós fizemos questionamentos em relação ao quanto o governo gasta, qual o valor da manutenção, e como será a participação dos órgãos públicos. Infelizmente, hoje tivemos um constrangimento pela falta de dados”, disse.
A deputada afirmou que a preocupação é com a qualidade dos serviços oferecidos na rodoviária e como isso pode afetar a população. “Como esses valores de acostagem serão repassados ao passageiro, por exemplo? Outro ponto é como vai ser a questão comercial, que atende a população da rodoviária a preços acessíveis e estão há mais de 40 anos no local. Quem vai assumir esse espaço? São muitas questões que ainda precisam ser respondidas, mas o que estamos vendo hoje é o governo entregando um órgão que é nosso, para exploração de uma concessionária”, afirmou.
Decisão na próxima semana
Distrital da base do governo, Iolando (MDB) diz que o assunto já foi bastante discutido e que o momento é de aprovar a concessão. “Esse projeto foi mandado para a Câmara Legislativa em 2021, desde então nós temos exaustivamente apresentado isso para a comunidade, o formato da concessão. Nós entendemos que é um projeto que o governo não vai ter prejuízo e sim lucros. Com a concessão, o governo vai ter um lucro de mais de R$ 1,8 milhão, enquanto hoje tem um gasto mensal de R$ 27 milhões”, afirmou.
Iolando acrescentou que a reunião desta quarta teve debates importantes e que na próxima segunda-feira o tema vai ser colocado no colégio de líderes para pauta. “Esperamos que na terça-feira (11) a gente vote definitivamente esse projeto e concretize esse processo que já está há mais de dois anos tramitando aqui na Casa. Esse é o momento do projeto ser aprovado e beneficiar a população”, disse.
A reportagem tentou falar com o secretário de Transporte e Mobilidade, no entanto, o titular da pasta não quis se pronunciar.













