Brasília Governo faz 'busca incansável' por indigenista e jornalista desaparecidos, diz Bolsonaro

Governo faz 'busca incansável' por indigenista e jornalista desaparecidos, diz Bolsonaro

Afirmação foi feita pelo chefe do Executivo durante discurso na IX Cúpula das Américas, em Los Angeles, nos Estados Unidos

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo

O jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo

Redes sociais/Reprodução

Em meio a críticas, o presidente Jair Bolsonaro disse, nesta sexta-feira (10), que as Forças Armadas e a Polícia Federal têm trabalhado na "busca incansável" pelo indigenista Bruno Araújo e pelo jornalista britânico Dom Phillips, desaparecidos no Vale do Javari, na região amazônica, desde o último domingo (5).

"Desde o primeiro momento, as nossas Forças Armadas e a Polícia Federal têm se destacado na busca incansável na localização dessas pessoas. Pedimos a Deus que sejam encontrados com vida", disse Bolsonaro em discurso na segunda sessão plenária da IX Cúpula das Américas, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Ativistas de diversos grupos brasileiros e estrangeiros protestaram na Cúpula das Américas contra o desaparecimento de Araújo e de Phillips. Fotos do ativista e do jornalista foram estampadas em um painel eletrônico em frente ao letreiro de Hollywood. "Ameaçados. Agora desaparecidos. Onde estão Dom e Bruno?", diz uma mensagem em inglês projetada em um caminhão. 

O Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas, fica próximo à fronteira com o Peru e abriga ao menos 14 grupos isolados — a maior população indígena não contatada do mundo. A região é pressionada por invasores ligados à pesca e à caça ilegal, ao garimpo e à extração de madeira.

Mais cedo, a porta-voz do Alto-Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, pediu às autoridades brasileiras que ajam com urgência e "redobrem" seus esforços para encontrar o indigenista e o jornalista inglês. Em nota, ela afirma que "é crucial que as autoridades nos níveis federal e local reajam de forma robusta e rápida, inclusive empregando plenamente os meios disponíveis e os recursos especializados necessários para uma busca eficaz na área remota".

Aventura não recomendável

Na última terça-feira (7), Bolsonaro disse que Phillips e Araújo haviam empreendido uma "aventura não recomendável". O líder brasileiro também levantou a suspeita de que eles tivessem sido mortos.

"E, realmente, duas pessoas apenas num barco, numa região daquela, completamente selvagem, é uma aventura que não é recomendável que se faça. Tudo pode acontecer. Pode ser um acidente, pode ser que tenham sido executados. A gente espera, e pede a Deus, que sejam encontrados brevemente", afirmou Bolsonaro em entrevista ao SBT News.

Desaparecidos na Amazônia

Bruno Araújo e Dom Phillips saíram de Atalaia do Norte para visitar a equipe de vigilância indígena do lago do Jaburu na última sexta-feira (3). Eles deveriam ter voltado para o município na manhã do domingo (5). Segundo a Funai, Araújo não estava em "missão institucional". Embora ainda integre o quadro da fundação, ele estava de "licença para tratar de interesses particulares", diz o órgão.

Os dois viajavam em uma embarcação nova, com 70 litros de gasolina — o suficiente para o percurso — e sete tambores vazios de combustível. Por volta das 6h do domingo, eles chegaram à comunidade São Rafael, onde encontrariam uma liderança local. Sem conseguirem falar com o morador, decidiram voltar para Atalaia do Norte – a viagem tem duração de cerca de duas horas –, mas não chegaram à cidade.

"Às 14h, saiu de Atalaia do Norte uma primeira equipe de busca da Univaja, formada por indígenas extremamente conhecedores da região. A equipe cobriu o mesmo trecho que Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips supostamente teriam percorrido, mas nenhum vestígio foi encontrado", informa o comunicado da Univaja.

Araújo é indigenista especializado em povos indígenas isolados e conhecedor da região, onde foi coordenador regional por cinco anos. Phillips mora em Salvador, na Bahia, e faz reportagens sobre o Brasil há 15 anos para o New York Times e o Washington Post, bem como para o Guardian.

O jornal The Guardian afirmou que a embaixada britânica no Brasil também acompanha o caso. "O Guardian está muito preocupado e busca urgentemente informações sobre o paradeiro e as condições de Phillips. Estamos em contato com a embaixada britânica no Brasil e autoridades locais e nacionais para tentar apurar os fatos o mais rápido possível", diz a nota.

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